quinta-feira, setembro 19, 2019

04. 063 TRATADO DO CANTE – À minha moda:

PELO TOQUE DA VIOLA


Cantiga:
Ponto
O cantar parece bem
É uma prenda bonita
Não empobrece ninguém
Assim como não enrica.

Moda:
Alto/Coro
Pelo toque/ da viola
Já sei as horas que são
'Inda não é meia noite
Já passei um bom serão.

Alto/Coro
Já passei um/ bom serão
Vai dormir vai descansar
Vai dormir vai descansar
Amor da minha afeição.

sábado, setembro 14, 2019

04. 059 TRATADO DO CANTE – À minha Moda

GUARDO MEU GADO NO CAMPO



Moda:

Alto:
Guardo o meu gado no campo

Coro:
Corro o campo passo a passo
Assobio ao gado e canto
Cantigas que eu próprio faço.

Alto:
Não sou um nobre senhor

Coro:
Minh'alma está convencida
Eu sou filho de um pastor
Pastor serei toda a vida.

sexta-feira, agosto 30, 2019

04 030 TRATADO DO CANTE - À minha moda


JARDIM FLORIDO

Cantiga
Ponto:
Fui beber água à fonte
Achei um raminho verde

Coro:
Quem o perdeu tinha amores
Quem o achou tinha sede

Moda
Ponto:
Fui a um jardim florido
P’ra ver passar os amores

Coro:
Dei um ai tremeu o chão
Caíram todas as flores

Ponto:
Caíram todas as flores
Fiquei assim pensativo

Coro:
P’ra ver passar os amores
Fui a um jardim florido


Notas: 
Consta que a autoria desta moda é do mestre Manuel Olhicos da Amareleja

Moda gravada por diversos grupos, sendo de destacar o Grupo de Vila Alva, Amigos do Barreiro, Amadora


Refª.: K7 “Corticeiros de Vila-Alva” - 1994 - ed. Maria L.S.H.Matos
Grupo Coral “Os Corticeiros de Vila Alva”

sábado, agosto 17, 2019

04 044 TRATADO DO CANTE - à minha Moda:

TENHO LÁ NO MEU QUINTAL

Ponto:
A rosa depois de seca
Foi-se a queixar ao jardim
O jardineiro lhe disse
O jardineiro lhe disse
Tudo o que nasce tem fim


Alto:
Tenho lá no meu quintal
Coro:
Uma roseira enxertada
Dá rosas tantas e tantas
E também dá rosas brancas
E dá outras encarnadas

Alto:
E dá rosas amarelas
Coro:
Que são rosas de primeira
Como não vi outra igual
Tenho lá no meu quintal
Aquela linda roseira

Ponto:
Ó rosa nunca consintas
Que o cravo te ponha a mão
Uma rosa enxovalhada
Uma rosa enxovalhada
Já não tem aceitação



Alto:
Tenho lá no meu quintal
Coro:
Uma roseira enxertada
Dá rosas tantas e tantas
E também dá rosas brancas
E dá outras encarnadas

Alto:
E dá rosas amarelas
Coro:
Que são rosas de primeira
Como não vi outra igual
Tenho lá no meu quintal
Aquela linda roseira

Refª: 044

quinta-feira, julho 25, 2019

005 01 TRATADO DO CANTE - O Cante por Missão:

A Alma Alentejana em Festa 


Era o 6º Festival de Grupos Corais em Grândola. 

GCE "COOP" de Grândola em desfile em Odemira em 1997

Pelas quinze horas viam-se magotes de cantadores e cantadeiras vagabundeando pelo jardim de sombra e sol, aromatizado de Primavera. Nos rostos escorria a ternura que lhes dava doçura e calma. Eram rostos muito variados em feições: uns bem escuros e tisnados pelo sol, outros bem claros e preservados de intempéries. Deviam concentrar-se os coros em frente a um café que ladeava o jardim onde se encontravam também alguns elementos para temperarem a voz com o célebre licor de poejo. 

 Não fora o traje que se sobrepunha a cada corpo, numa gradação de cores do preto ao branco, diríamos que estávamos a visualizar a Descoberta do Mel de Piero di Cosimo (1462-1521), em que deuses paganizados se passeiam pela idílica paisagem. Mas aqui os faunos não estão a tentar chamar o enxame das abelhas, pois o mel irá ser lançado ao ar, saído do interior de cada um/a que, com os/as companheiros/as, unidos/as por essa força do inconsciente colectivo que os/as torna conscientes do valor que guardam, deste modo o transmitem. 

 Um pouco mais tarde do que o previsto, para não contrariar a tradição portuguesa, inicia-se o desfile. Passo de marcha dolente, todos para a direita, todos para a esquerda, começa o ponto, depois o alto, depois o coro. O efeito é de estarrecer! Salvaguardadas as devidas distâncias para que ninguém agredisse ninguém, a rua encheu-se de cante, um cante triste, doce e profundo cheio de brilho subindo ao céu como foguetes de lágrimas, deslumbrando com a subida e voltando de novo a terra. 

Depois na Praça Zeca Afonso, cada grupo mostrou o seu melhor. 

Não nos compete fazer juízos de valor. É claro que gostámos mais duns do que de outros, como é normal, já que cada um tem o seu gosto. Só não resistimos a tentação de destacar “O almocreve”, uma das modas a que chamamos de “pesada” por nos parecer muito difícil de cantar, pelas bem timbradas vozes femininas de Aljustrel. 

Além do cante, houve poesia, houve sobretudo amor, a que a serenidade do tempo trouxe também o seu aconchego. 

A seguir, o convívio continuou num sítio onde havia comida para todos, lembrando o bodo do Espírito Santo, a tal tradição que a rainha Santa Isabel e o rei Dom Dinis fundaram. À boa comida, canja de galinha, e frango com ervilhas, acrescentou-se-lhe o cante como sobremesa. Nenhum grupo se foi embora sem soltar a garganta, e alguns deles até cantaram em conjunto. A nosso pedido, o grupo de Ourique ousou, apesar do nítido cansaço, já que tinham feito duas actuações no mesmo dia, a moda: “Fui-te ver estavas lavando”. Não há palavras que exprimam o caudal do sentimento! Apenas a certeza de que o cante é sagrado, que os deuses na verdade resolveram fazer a sua morada no interior dos alentejanos.

Apetece fazer um apelo, alterando um pouco a quadra que o Zeca Afonso cantava:

Camaradas lá do Norte 
Venham ao sul passear: 
O cante soa mui forte 
Para a todos arrastar. 

A festa continuou animada por um conjunto instrumental que até serviu para despoletar um baile espontâneo à volta das mesas. 

No fim, olhámos mais uma vez os rostos dos que ainda ficaram na sala, alguns tendo por missão limpar as mesas e arrumar a cozinha. De novo sentimos a ternura e uma alegria interior que já não devem existir em muito lado no mundo. E pensámos: não será isto uma verdadeira revolução, fruto da maturidade e consciência de um tesouro que cada um guarda dentro de si? 

Fotografia de pintura de Fátima Madruga
Maria Eduarda Rosa 
1998 

sexta-feira, julho 19, 2019

TRATADO DO CANTE - Registos sonoros:

Fora d’oras” (CD).


- Ano de edição: 2012;

- Edição: GC Fora d’oras;

- Produção: GC Fora d’oras;

- Temas: 1. Não quero que vás à monda; 2. Minha terra é linda; 3. Tenho no quintal um limoeiro; 4. Trago o Alentejo na voz; 5. Além do rancho grande; 6. Barragem dos minutos; 7. Fui à lenha; 8. Vila de Frades; 9. Meus senhores; 10. Ché, ó que linda ché; 11. Ó Amieira, Amieira; 12. O meu montinho; 13. Se fores ao Alentejo; 14. Ó linda.

Grupo Coral Fora d’oras - Montemor-o-Novo

Cota FaiAlentejo: FF CA CD 0148

quinta-feira, julho 18, 2019

TRATADO DO CANTE - Registos sonoros:

Sons do Restolho”. (CD) S/D :




- Edição: GC Fora d’oras;

- Produção: GC Fora d’oras;

- Temas: 1. Gota d’água; 2. Que inveja tens tu das rosas; 3. O Verão; 4. Vai colher a silva; 5. Vizinha tem lá lume; 6. Hino ao Alentejo; 7. Chorai olhos, chorai olhos; 8. Senhora cegonha; 9. Açorda d’alho; 10. Senhora d’Aires; 11. Ceifeirinha alentejana; 12. Maria da Rocha; 13. Roseira enxertada; 14. Hino dos Mineiros d’Aljustrel.


Grupo Coral Fora d’oras - Montemor-o-Novo.

Cota FaiAlentejo: FF CA CD 0147.