quarta-feira, setembro 20, 2017

TRATADO DO CANTE – Grupos Corais:

MOURA – Santo Aleixo da Restauração

Grupo Coral da Casa do Povo de Santo Aleixo da Restauração
7875 Santo Aleixo da Restauração



Ficha Técnica:   
        
. O Grupo foi fundado em 1934.

. Ensaiam às Terças e Sextas Feiras, à noite, na Casa do Povo.

. O Grupo é composto por 22 elementos.

. Trajo domingueiro: Calça preta; Colete preto; Camisa brenca;Chapéu preto; Lenço garrido, caído sobre os ombros.

. Histórico: Fizeram a sua gravação, em disco em 1940; Em 14 de Março de 1952, fizeram nova gravação, na Editora Valentim de Carvalho, de um disco "single". Em 1962, o Grupo passa a ser dirigido pelo Sr. Francisco Almeida Candeias, o grande pilar da sua formação e ao qual tem dado os melhores anos da sua vida. Em 1970 o Grupo é de novo convidado para gravar para o programa televisivo "O Povo canta", da autoria do prestigiado musicólogo Michel Giacometi, onde foram cantada a moda de janeiras: "À porta de uma alma santa". O ano de 1971, véspera de São João, consagra o Grupo com o 1º. lugar, entre 22 agrupamentos, no Concurso da Cantares Alentejanos, em Beja. Num interessante trabalho televisivo sobre Santo Aleixo da Restauração, emitido no dia 22 de Dezembro de 1971, a banda sonora do documentário é interpretada pelo Grupo. No ano de 1986, aquando da realização do X Festival Nacional de Folclore "Algarve 86", foi o Baixo Alentejo representado pelo Grupo de Santo Aleixo. O musicólogo, João Ranita Nazaré, conhecedor do trabalho desenvolvido pelo Grupo, recolheu o seu "cante" para o seu livro, "Momentos vocais do Baixo Alentejo, Cancioneiro de tradição oral", edição da Imprensa Nacional, nove "modas", que são cantadas pelo Grupo. Em 1988, é feita nova gravação em cassete audio "Cante Alentejano I" onde podem ser ouvidas algumas das "modas" que se cantam. Encerram o IV Congresso sobre o Alentejo, realizado em Moura. Actuaram na Casa do Alentejo, enquadrados na Semana dedicada ao Concelho de Moura. Actuaram para a Televisão, no programa dedicado à NBovel Cidade de Moura. Em 1996 voltam a gravar para um documentário, para televisão, sobre a vida de Michel Giacometi. Ao longo de toda a sua existência, o Grupo tem participado em diversos Encontros de Grupos Corais, por todo o País, com especial significado, nos desempenhos feitos no Alentejo e na zona da grande Lisboa.

. Registos fonográficos:
1988 (K7): Cante Alentejano  
Edição: DUPLISOM
Modas: Barco à vela; Anda cá meu lindo amor; Alentejo dourado; e outras.
Cota FaiAlentejo: FF CA K7-0015       


2002 – (CD) Santo Aleixo Tradição Musical.
- Editado por CNM – Companhia Nacional de Música.
- Modas: Santo Aleixo povo herói, Ao romper da bela aurora, Quando eu era solteiro, O passado já passou, lindo ramo verde escuro, pelo toque da viola, O pastor por esses montes, Já lá vem o barco à vela, Que inveja tens tu das rosas, Lindo Alentejo dourado, A idade é traiçoeira, Fui ao jardim passear, Mais vale tarde que nunca, O cheiro que a rosa tem, Pastorinha alentejana, Já lá vem no alto mar, Quinta feira de Ascenção, Ora vamos todos ao rio Guadiana, No nosso lindo Alentejo, Santo Aleixo já não tem.
Cota FaiAlentejo: FF CA CD0048


. Repertório: Single (1952): Já deixei o Alentejo; Lindo ramo verde escuro. Casssete (1988): Barco à vela; Anda cá meu lindo amor; Alentejo dourado (Manuel Gaspar); As restantes são da autoria de Bento Figueira.


Ln: “Corais Alentejanos” (em atualização). De JFP. Edições Margem. 1997. Págs: 171/173.

sábado, setembro 16, 2017

TRATADO DO CANTE - Almanaque:

ALENTEJO NÃO DIVIDIDO

Água e pão
Meu Alentejo
Minha vida
E minha morte
Meu cante chão

Meu Alentejo
Uno e nobre
Audaz e forte

Meu Alentejo
Não dividido
Antes a morte
Que tal sorte


In: “Meu Alentejo Total”, de Manuel Geraldo. Capa e ilustrações de H. Mourato. Foto da contra-capa de Leonardo Dinis. Edições Margem. 1998. Pág. 11.



sexta-feira, setembro 15, 2017

TRATADO DO CANTE - Almanaque:

CORAL ALENTEJANO

Cantas no teu coral!
o trigo-solidão
no teu cantar
as curvas de cansaço
na tua voz
há um abraço-terra
na tua fala
a fome de um abraço
cantas
o Alentejo-terra-seca
corpos mirrados sem cor
palha seca como cama
pão na arca de bolor
cantas
filhos-pés-descalços
filhas-esfhadas nos montes
a água seca nas fontes
a pele de trigo malhada
cantas
e sofres cantando
o canto das outras gentes
canto de corpos contentes
mesa farta cama leve
para ti
a sorte é tão breve
no entanto tão pesada
e tu cantas
cantas tristeza-saudade
derrota do só-desejo
quem dera
que eu não sentisse
                   o teu coral alentejano.

Moita Macedo – Nasceu a 17 de Outubro de 1930, em Benfica do Ribatejo. Como poeta tem colaboração dispersa na imprensa regional.  



In: “Cantares de amigo – Poemas”. Foto da capa de pintura de Álvaro Gonzaga. Edição da Câmara Municipal de Almada. 1983. Pág.s 99/100

quarta-feira, setembro 13, 2017

TRATADO DO CANTE - Escrito:

“PRECE


 (…)
A terra dói-se. E tu canta, companheiro, a tua estrofe rebelde à nascença de um rio! Não violes as gruas do silêncio, implantadas ao rés das choupanas dos zagais. Acende a tua voz de profeta, ergue novamente a tua mão, cheira, ao longe, o vulto das papoilas, mas canta. Estás no teu país Alentejano, e a tua voz é esforço, é esperança, é sangue, é poesia!”


In: “Alentejo é sangue”, 2ª. edição revista e aumentada, de Antunes da Silva. Capa de Luiz Duran. Livros Unibolso. Pág.s: 173/174.

Antunes da Silva


 Armando Antunes da Silva nasceu no dia 31 de julho de 1921 em Évora e faleceu em 1997 na mesma cidade. Frequentou a Escola Comercial de Évora, abandonando os estudos aos treze anos para trabalhar num escritório. Em 1948, fixa-se em Lisboa onde, a por do trabalho na secção de publicidade e de relações públicas numa empresa industrial, se dedica à escrita. Colaborou em várias publicações, destacando-se a revista Vértice, os jornais O Comércio do Porto, o Diário Popular, o Diário de Notícias, o Diário de Lisboa e O Diabo. A sua obra pertence ao Neo-realismo. Antunes da Silva publicou dois diários. O primeiro tem por título Jornal I – Diário e foi publicado em 1987, reportando-se a registos de 1984 e 1985. O segundo tem por título Jornal II – Diário e foi publicado em 1990, reportando-se a registos de 1986-1990. O autor, a viver na cidade de Évora, vai falando da velhice, tece opiniões sobre o que vai acontecendo na região, em Portugal e no mundo. Descreve a paisagem alentejana em diferentes momentos, fala de literatura, tece reflexões sobre o passado e sobre a sua vida presente. Relata viagens (uma delas aos Açores e outra a Macau). A cada passo, transcreve poemas. O estilo é simples e sem grandes pretensões. Alguns dos seus contos foram traduzidos para checo, alemão e italiano.
Obras: Poesia – Esta Terra é Nossa – Cancioneiro Geral (1952); Canções do Vento – Cancioneiro Geral (1957); Breve Antologia Poética (1991). Prosa – Gaimirra (contos, 1946); Vila Adormecida (contos, 1948); Sam Jacinto (contos, 1950); O Aprendiz de Ladrão (contos, 1954); O Amigo das Tempestades (contos, 1958); Suão (romance, 1960); Terra do Nosso Pão (romance, 1966); Alentejo é Sangue (crónicas e narrativas, 1966); Uma Pinga de Chuva (crónicas e narrativas, 1972); Exilado (contos, 1973); Jornal I – Diário (1987); Jornal II – Diário (1990).

domingo, setembro 10, 2017

TRATADO DO CANTE - Crónicas:

"HOJE... CANTO EU!


Nas minhas andanças pelas terras do sul, desde muito novo apercebi-me que os meus vizinhos do Alentejo exteriorizavam as suas emoções de maneira diferente daquilo que me era dado ver no meu país algarvio: - A linguagem era muito igual, mas a maneira de cantar as alegrias e tristezas era bastante diferente: se calhar algum especialista mais avisado diria que uns e outros se completam e se calhar ainda se conseguirá uma relação antropológica (será?) entre o “Corridinho” e o “Cante”, não esquecendo as “Saias” que desde cedo ouvia aos sábados à porta do mercado de Olhão.

 Muitos anos passaram, e eis que quase sem saber porquê me vejo integrado nesta problemática tão bela como intrigrante, tão controversa como original, que se chama “Cante Alentejano”.

Num mundo de curiosos e entendidos como é o nosso aqui à beira-mar plantado, é muito fácil falar de tudo sem saber de nada: aí eu não alinho, confesso-me ignorante nesta matéria, mas peço licença para ser agora um aluno atento desta disciplina, que eu receio adjectivar com medo de cair em injustiças.

Agora ficarei atento a tantos professores que vou ouvindo pelo grande Alentejo, e pela Lisboa preguiçosa a estender-se nas duas margens, procurando beber tudo sobre este cantar velhinho que todos nós não poderemos deixar morrer sob pena de ajudarmos (?) a sepultar mais uma forma de arte nestas ibéricas paisagens.

E agora apetece-me dizer á boa maneira afadistada: “ Silêncio! Vai cantar-se uma moda! “

Artur Mendonça
In: “Boletim do Cante Alentejano” nº. 0. Agosto de 1997.




segunda-feira, setembro 04, 2017

TRATADO DO CANTE - O Cante também é nosso:

De 13 a 16 de Outubro de 2017

Açores (Faial e Pico)

Exibição do documentário "Histórias do Cante"

Actuação do Grupo "Vozes do Cante", do Baixo Alentejo.


Documentário produzido e realizado por: DCD/GIRP - Câmara Municipal da Moita.

domingo, agosto 06, 2017

TRATADO DO CANTE - Grupos Corais:

AMADORA – Brandôa:

Grupo Coral Alentejano da Brandôa
Largo 1º. de Maio (Antiga Escola Primária)
2700 Brandôa



Ficha Técnica:                  

. O grupo foi fundado em 1974.

. Ensaiam às 6ªs. Feiras, à noite.

. A sua festa anual realiza-se no 2º. Sábado de Setembro.

. O Grupo é formado por 22 elementos.

. Trajo: Camisa branca; Calça preta; Colete preto; Lenço encarnado; Chapéu preto; Meia branca; Sapato preto.

. Histórico: Tem uma média de 20/25 atuações por ano. Tem atuado em todo o território nacional, com destaque para as atuações em: Ermesinde em 1974; Na Gulbenkian em Lisboa; No Hotel Penta em Lisboa; No Clube dos Economistas em Lisboa. Participam em Encontros de Grupos Corais; Desfiles e Festas, em todo o Alentejo e na zona da grande Lisboa.

. Registos fonográficos:
1985 (K7): Cante Alentejano
Edição: Casa do Alentejo
Grupos: Damaia; Venda Nova; Linda-a-Velha; Cacém; Abrunheira; Seixal; Pinhal de Frades; Tires; Cerromaior; Barreiro; Baixa da Banheira; Faralhão; Brandôa; Paivas; Alverca; Camarate; Carnaxide; Amadora; Sacavém.
Fonoteca FaiAlentejo: cota: FF CA K7-0030

                
1991 - (K7): Grupo Coral Alentejano da Brandôa
Edição: Rita Neves
Fonoteca FaiAlentejo: cota: FF CA K7-0027


1999 (CD): Encontro de Grupos Corais em Montoito (gravado ao vivo)
- Edição: ALIENDE – Associação para o Desenvolvimento Local
- Grupos: Suãozinho; Cantares de Évora; Flores do Alentejo de Cuba; Casa do Povo de Reguengos de Monsaraz; Alentejano da Brandôa; Pastores do Alentejo de Torre dos Coelheiros; Bombeiros Voluntários de Beja; Freguesia da Cabeça Gorda; Etnográfico de Viana do Alentejo; Alentejanos Residentes em Tires; PLURICOOP de Pinhal Novo; Trabalhadores de Montoito.
Centro Rural de Montoito
Cota: FF CA CD-0026 – FaiAlentejo
Cota: 071.3 - ENC - CD 5511. Catálogo Cante Alentejano (Polo da Baixa da Banheira da Biblioteca da Moita).


. Repertório: Cassete (1991) - O meu bairro é a Brandôa; Abalei do Alentejo, dele não me sinto esquecido; Nos campos do Alentejo passei minha mocidade; Do nosso Alentejo tenho saudades; Quando chega a Primavera; É bonito ver no campo; Trigueirinho alentejano; Quando eu vejo o rio Tejo; O Alentejo é que é o celeiro da Nação; Linda camponesa de enxada na mão; Camponesa alentejana tu trabalhas com rigor; Ceifeira do Alentejo.

. Nota: Têm uma fotografia, com alguns considerandos, às "modas" alentejanas no Livro de Português - 5º. (página 183), de Graça do Carmo, Leonor Oliveira e Maria de Fátima Nogueira, editado pela Porto Editora.

In: “Corais Alentejanos” (em atualização). De JFP. Edições Margem. 1997. Pág.s: 279/281