segunda-feira, julho 17, 2017

TRATADO DO CANTE - Almanaque:

“QUEREM SABER? EU CONTO

(…)
Só na minha terra eu sou
Estrangeiro. É lá que me
desconheço e me desconhecem

(…)
Encosto à realidade aparente
O meu acervo de dúvidas

(…)
Amo-vos, sou
idealista. Insisto
como na pedra água

(…)
E não só ao povo em geral mas a cada um dos seus filhos em particular, havemos de dizer-lhe – como já antes de nós alguém lhe disse – homem, os que chamas grandes, parecem-te grandes porque tu estás de joelhos; levanta-te, encara-os face a face, mede-te com eles, e verás que não são maiores do que tu nem mais perfeitos; antes alguns, quando os vires de perto, parecer-te-ão tão ignóbeis, apesar dos enfeites com que se adornam, que hás-de desprezá-los ainda que não queiras.”
D. António Alves Martins, Arcebispo de Viseu (Séc. XIX).

(…)
É realmente tarde e
estamos inapelavelmente comprometidos
uns com os outros

Quer queiramos ou não a condição é
esta:
- jamais lograreis a minha e a vossa
Indiferença

Porque
para o bem e para o mal
eu SOU convosco!...

(...)"

António Monginho. “Vivo entre o sonho e a vigília. Estou e ausento-me.” Nasceu em Évora.
  




In: “Cantares de amigo – Poemas”. Foto da capa de pintura de Álvaro Gonzaga. Edição da Câmara Municipal de Almada. 1983. Pág.s 7 a 27.

segunda-feira, julho 10, 2017

TRATADO DO CANTE - São Rosas!...

Cantam as filhas da rosa


Solo:                    
Cantam as filhas da rosa
Coro:                  
Cantam as filhas da rosa
Respondem lá do jardim:
O-la-ré quem canta, 
Canta assim.

Solo:                    
A minha fala não é
Coro:         
A minha fala não é
A mesma que era algum dia
A mesma que era algum dia
Solo:           
Quem ouvia a minha fala
Coro:         
Quem ouvia a minha fala
O meu nome conhecia
O meu nome conhecia.

Solo:          
Se soubesse cantar bem,
Coro:         
Se soubesse cantar bem,
Nunca estaria calado.
Nunca estaria calado.
Solo:           
Mesmo assim, cantando mal,
Coro:          
Mesmo assim, cantando mal,
Não vivo "desmaginado".
Não vivo "desmaginado".

Solo:           
A alegria abandonou-me,
Coro:                   
A alegria abandonou-me,
perdi todo o meu prazer.
perdi todo o meu prazer.
Solo:                    
Para viver abandonado,
Coro:                   
Para viver abandonado,
mais me valia morrer.
mais me valia morrer.

sexta-feira, junho 30, 2017

TRATADO DO CANTE - Escrito:

COM O ALENTEJO NA ALMA
Debate: Alentejo e identidade


“Estamos em 1960 (ou talvez 1962), no verão tórrido de um Alentejo desprezado pelo poder salazarista.
Mas na berma da estrada começava a vislumbrar-se, ao longe, uma poeira anormal em redor de duas silhuetas que se erguiam lado a lado com alguma coisa por trás. No início poderiam confundir-se com miragens em pleno “deserto” alentejano. Mas não. Eram bem reais. No seu movimento compassado percebi pouco depois que eram cavalos, trazendo atrás de si um homem acorrentado. Cavalos montados por aquela guarda, de farda cinzenta e botas altas, que aterrorizava crianças e ainda mais os adultos, pelo menos os mais conscientes das razões da sua miséria e do sufoco da sua liberdade.
Estes mesmos guardas, ou outros seus comparsas, eram aqueles que regularmente frequentavam o café-restaurante da família. Vinham por vezes em grupos de quatro, recordo-os, grandes e gordos, com ara carrancudo. Creio agora que percebiam a raiva silenciosa que causavam à sua passagem. Sentavam-se num espaço interior, mais resguardado da casa, e a mesa, devidamente preparada, com toalhas de tecido branco, em breve ficava recheada de iguarias, com vinho, presunto, queijo e às vezes outros petiscos. Ficavam horas a comer, mas falavam pouco; e depois de empanturrados saíam como se fosse da casa deles. Já se sabia que não pagavam a despesa, mas pelo menos era de esperar que tivessem um gesto, ainda que fingido, de pedir a conta. Assim pensavam as vítimas daquele saque (os meus pais). Porém na maioria das vezes nem isso acontecia. Entravam e saíam atravessando o espaço público da taberna, espalhando um temor respeitoso entre os clientes domingueiros da Casa de Pasto – o 15 (era esse o nome), um espaço nos fins de semana sempre animado por grupos de homens, na sua maioria mineiros que, entre cada rodada, exprimiam em coro a sua amargura, mas também a força coletiva através do agora celebrado “Cante Alentejano”.
Aquele acorrentado atrás dos cavalos da GNR poderia ser um “maltês”, o nome dado a quem, sem emprego certo nem inserção na comunidade, procurava o precário sustento andando de monte em monte, à míngua de uns dias de trabalho “a comedias”, como se dizia, ou seja, em troca de umas sopas e pouco mais (“come a dias”, porque havia muitos sem nenhuma comida, presume-se). … Por isso, o mínimo descuido era suficiente para que o desgraçado fosse parar à “pildra”.
Estas memórias não se apagam.
A dureza da vida no Alentejo nesses anos de penúria e repressão, para quem nasceu e vive como alentejano, não é uma mera “recordação”, é sim um elemento que se inscreve na própria identidade alentejana, pois a sua força é indissociável da resistência (em geral silenciada pela ameaça, nos anos de chumbo do salazarismo). O ressentimento cultivado por comunidades inteiras, por terem sido pisadas décadas a fio pelos protegidos do regime, não apagou o afeto, mas, para um alentejano, este não se mede por palavreado fácil.
Cada regresso é como um aconchego no seio de uma grande família cujos gestos protetores se perpetuam através das gerações. As caras de hoje, umas mais jovens, talvez de terceira geração, outras mais enrugadas – as que ainda reconheço -, foram transmutadas pelo tempo, mas é a mesma família. Felizmente, as conquistas democráticas devolveram alguma dignidade ao Alentejo, mas apesar do envelhecimento demográfico, não apagaram essa força cultural que hoje é reconhecida em diversos domínios patrimoniais, com destaque para os grupos corais ou a viola campaniça.
Mas a profundidade afetiva e identitária a que me refiro, apesdar de se manifestar no sentido coletivista e na solidariedade, não dilui, muito menos apaga, as diferenças individuais, pelo que, independentemente dos percursos de cada um, as raízes e as origens sociais não se escondem nem se desprezam, nem pelo mais bem-sucedido cosmopolita ali nascido. Um alentejano assumido pode ficar ou partir, mas mesmo quando parte nunca se separa. Caminha pelo mundo com o Alentejo na alma.”

Elísio Estanque
Sociólogo, Investigador do Centro de Estudos Sociais e professor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra.


In: jornal “Público” de 11 de Março de 2016. Pág. 58

quinta-feira, junho 22, 2017

TRATADO DO CANTE - Registos fonográficos:

S/D – (CD) “O Carteiro”



- Produção: IDEALVOICE.

- Temas: (01) O Carteiro; (02) No nosso lindo Alentejo; (03) O rouxinol a cantar; (04) És tão linda que não temos; (05) Já lá vão no alto mar; (06) É lindo na primavera; (07) O pastor por esses montes; (08) Fui ao jardim passear; (09) Lindo Alentejo dourado; (10) Já deixei o Alentejo; (11) Lindo ramo verde escuro; (12) A idade é traiçoeira; (13) Venham ver o Alentejo; (14) Vinda do rei a Beja; (15) Senhora do Carmo.

Grupo Coral do CDCR dos CTT de Beja. 
Cota FaiAlentejo: FF CA CD 0125

terça-feira, junho 20, 2017

TRATADO DO CANTE - Registos fonográficos:

2016 – (CD) “O Cante na Diáspora”



- Edição: CEDA – Centro de Estudos Documentais do Alentejo – Memória Colectiva e Cidadania.

- Grupos/ Temas: Grupo Coral e Etnográfico Amigos do Alentejo: (01) Não quero que vás à monda; (02) Rosa amarela queixou-se. Grupo Coral Alentejano Recordar a Mocidade do CIRL: (03) Ceifeira; (04) É tão grande o Alentejo. Cantadeiras de Essência Alentejana: (05) Rouxinol repenica o cante; (06) Aurora tem um menino. Grupo Coral “Ausentes do Alentejo”: (07) Abre-te ó campa sagrada; (08) Meu lindo Alentejo. Grupo de Cantares Modalentejo: (09) Chegaste ao Alentejo; (10) Ouvi dizer que a cidade. Grupo Coral 1º. De Maio do Bairro Alentejano: (11) É tão lindo o Alentejo; (12) Venham ver o Alentejo. Grupo Coral Feminino “As Papoilas” da ARPI do Fogueteiro (13) O meu Alentejo; (14) Fui colher uma romã. Grupo Coral Alentejano Lírio Roxo: (15) Prece; (16) A vida do marinheiro. Grupo Coral Operário Alentejano do CCD Paivas: (17) Já deixei o Alentejo; (18) Quinta-feira da ascensão. Grupo Coral Alentejano da ASSTA do Seixal: (19) Mondadeira alentejana; (20) Ao romper da madrugada.

Cota FaiAlentejo: FF CA CD 0124

Revista Memória Alentejana (Caderno temático). 


domingo, junho 04, 2017

TRATADO DO CANTE – Grupos Corais:

PALMELA – Quinta do Anjo

Grupo de Cantares Modalentejo
Rua Florbela Espanca, nº 1 – Quinta da Marquesa 2
(C.P.) 2950 - 679
Tel.: 212 132 530
Sede: Associação de Moradores da Quinta da Marquesa 2.







Ficha Técnica:

. O Grupo foi fundado em 19/6/2011

. Ensaiam às quintas- feiras, às 20.30 horas na sede da Associação de Moradores da Quinta da Marquesa 2.

 . O Grupo é composto por 13 elementos.

 . Trajo: Verão: Sapatos e saia preta, blusa branca com emblema da Associação a que pertencem. Lenço alentejano preto com rameado tradicional. Inverno: O mesmo traje descrito acima complementado por um casaco de malha de côr preta ou com um casaco de malha de ccr rosa às bolinhas.

. Histórico: Têm uma média de 25 atuações por ano:  2 a 3 no Alentejo; 20 a 22 fora do Alentejo; nenhuma no estrangeiro.
As mais significativas:
. Festival “O Ponto & Alto” em São Miguel de Machede em 2016,
. Encontros de Grupos de Cante Alentejano do Concelho de Palmela 2015 e 2016.
. Encontro de Grupos de Cante Alentejano em Serpa, 2016.
. Festival do Queijo, Pão e Vinho em Quinta do Anjo, 2015, 2016 e 2017.
. Piquenicão Distrital e Nacional desde 2014.
. Encontro de Grupos de Cante para comemoração do nosso aniversário, desde 2012.

. Repertório: Temos no repertório 57 modas alentejanas, algumas das quais

. Registos fonográficos: Gravaram duas modas no CD editado pela Revista Memória Alentejana sobre o cante na Diáspora em 2015.

. Projectos:
Gravar um CD logo que tenhamos disponibilidade financeira para o fazer.
Continuar a ter atuações no distrito de Setúbal e Lisboa e ir aos poucos aumentado o número de atuações no Alentejo.

. Realizam Encontro de Grupos Corais na Freguesia.



Informação de 21/05/2017.


quarta-feira, maio 31, 2017

TRATADO DO CANTE - Registos fonográficos:

2004 – (CD) “Rancho Coral e Etnográfico de Vila Nova de São Bento”



Ficha Técnica:

- Edição: Rancho Coral e Etnográfico de Vila Nova de São Bento

- Produção: Luís Beco e Ticha

- Responsável: José Mata Seta


- Temas: (01) Vila Nova de São Bento; (02) Moreninha dá-me um beijo; (03) Abre-te ó campa sagrada; (04) Ó que linda pastorinha; (05) Levantei-me um dia cedo; (06) Ao romper da madrugada; (07) As nuvens que andam no ar; (08) O teu cante rouxinol; (09) Sentei-me à beira do rio; (10) Lindo rama verde escuro (11) Meu Alentejo querido; (12) Fui dispor a salsa verde; (13) Viva a quem vive tão longe; (14) Ó que linda pomba branca; (15) A flor que abriu em maio; (16) No jardim a rosa branca; (17) Infelizes camponeses; (18) Lembra-me os tempos passados; (19) Oliveiras, oliveiras; (20) Sou do distrito de Beja.


Rancho Coral e Etnográfico de Vila Nova de São Bento


Cota FaiAlentejo: FF CA CD 0123