sábado, abril 16, 2016

TRATADO DO CANTE - Almanaque:

MINHA MÃE AMASSA O PÃO



"(...)
Minha mãe amassa a fome
Que nós temos de ternura –
Voraz, a gente o come,
Esse pão bem pouco dura.

Minha mãe amassa e canta
Para espantar a fadiga –
Da canção a força é tanta
Que o pão nos sabe à cantiga.

Minha mãe amassa tudo,
O bom e mau que tiver –
Aspereza fica veludo
Em suas mãos de mulher.
(...)

de António Simões

TRATADO DO CANTE - Registos fonográficos:

Cota FaiAlentejo: FF CA K7-0129
1995 (K7): “Saias à moda antiga”


- Edição: Tecla.

                                           Modas: Saias à moda antiga; Bencatel é nossa aldeia; Ceifeira alentejana; A verde faia batia; Ó minha mãe de trabalho; O tempo vai abalando; Minha mocidade linda; Saias do emigrante; Minha terra tem pedreiras; Modinha dos caracóis.

Grupo de Cantares de Saias de Bencatel, Vila Viçosa.

quinta-feira, abril 14, 2016

TRATADO DO CANTE - Registos fonográficos:

Cota FaiAlentejo: FF CA K7-0128
1994 (K7): “Saias”


- Edição: Dualsom.

                          Temas:     Lugar onde eu estou; Eu canto como o Cartaxo; Ó Estrela da madrugada; Se eu soubesse o teu querer; Ó minha rosa em botão; Nunca devia acabar; Estrada nova correnteza; As ceifeiras.

Grupo de Cantares de Santo Amaro, Sousel.

quarta-feira, abril 13, 2016

TRATADO DO CANTE - Almanaque:

AS PEDRAS e as PALAVRAS



“As pedras foram o meu mundo
(…)
Galopim de Carvalho sublinhou que o seu livro - «As Pedras e as Palavras» é o fruto de alguns anos de artigos e crónicas que espelham – “são 50 anos de actividade docente nos quais” e “as palavras a forma de as especificar”.
Referiu que as «pedras» são centrais na história do homem - «Pedro vem de Pedra. Pedro serás o suporte do mundo”.
Na sua obra recorda pessoas que marcaram a sua vida – Orlando Ribeiro ou Carlos Pinto Coelho.

Apanhei azeitonas
Numa conversa informal, aberta, como quem conta um conto, Galopim de Carvalho falou de seu percurso de vida, partilhou memórias.
“Sei fazer queijo, sei por meias solas nos sapatos. A minha primeira profissão foi carpinteiro. Fiz de tudo em criança. Apanhei azeitona. Fui acumulando experiências no meu Alentejo”, afirmou.
Recordou que o seu primeiro livro – “O cheiro da madeira” – tem esse título por recordar o seu tempo de “aprendiz de carpinteiro – “ainda hoje sinto o cheiro da resina”. 

Fui mau aluno na escola
“Fui mau aluno na escola. Levei reguadas por dar erros. Odiei o meu professor. Nunca mais lhe falei. Fiquei muito magoado”, Galopim de Carvalho, recordava, como quem conversa com um grupo de amigos, a sua história de vida.
“Detestei sempre a escola. Tive sempre uma relação sempre difícil com a escola”, sublinha.

Foi assim que ganhei o bichinho pela Geologia
Refere quando frequentava o Liceu, em Évora, o professor Cassiano Viana, que o motivou à descoberta das pedras.
“Existiam caixotes cheios de pedras, que eram oferecidas pelas Minas ao Liceu. Começámos a limpá-las e classifica-las. Foi assim que ganhei o bichinho pela Geologia”, salientou.
(…)”





A. M. Galopim de Carvalho

Nasceu em Évora, em 1931. É professor catedrático jubilado pela Universidade de Lisboa, tendo assinado no Departamento de Geologia da Faculdade de Ciências desde 1961. É autor de 21 livros, entre científicos, pedagógicos, de divulgação científica e de ficção e memórias. Assinou mais de 200 trabalhos em revistas científicas. Como cidadão interventor, em defesa da Geologia e do património geológico, publicou mais de 150 artigos de opinião. Foi diretor do Museu Nacional de História Natural, entre 1993 e 2003, tempo em que pôs de pé várias exposições e interveio em mais de 200 palestras, pelo país e no estrangeiro.



TRATADO DO CANTE - Registos fonográficos:

Cota FaiAlentejo: FF CA K7-0127
1993 (K7): “Saias de Marvão”


- Edição: HMC.

                                  Temas:        Saias de Marvão; Moleiro do rio Sever; Saias da Ranginha; Canta a cotovia; Saias da Asseiceira; Moda do São Marcos; Boda da Idalina; Nossa Senhora d’Estrela; Saias das Areias; Olha a tangerina; Saias da Rosa; Pediste-me um beijo; Saias das mondas; Baile arraiano.

Rancho Folclórico de Santo António das Areias, Marvão.

terça-feira, abril 12, 2016

TRATADO DO CANTE - Registos fonográficos:

Cota FaiAlentejo: FF CA K7-0126
1993 (K7): S/T


- Edição: HMC.

                                 Temas: Saias; Chotiça corrida; Malverde; Vira simples; Bailarico de oito; Palhaços; Perna alçada; Passekatre; Dois passos; Verdegaio; Valsa passo largo; Vira batido três vezes ao centro; Chotiça batida; Salto e bico; Ó compadre Zé; Fadinho; Miroscas; Corridinhos; Saias II.

    Rancho Folclórico de Montargil, Ponte de Sôr.

segunda-feira, abril 11, 2016

TRATADO DO CANTE - Almanaque:

Da Planície à ilha:









REVOLUCIONÁRIOS, OS GATOS

        De gatas
        Andam os gatos.
        Com as patas
        Fazem serenatas
        Nas cordas do muro.
        Sobem muito acima,
        Atravessam o escuro,
        Vão à chaminé, onde,
        Por sobre os telhados,
        Selam envelopes - armadilhas
        Para os ditadores anónimos
        Desembarcados nas ilhas.
        Manhosos ungulados,
        Sabem mais de Política
        Que sábios consumados.


Almeida Firmino

In. Narcose (Obra poética completa) Colecção Gaivota/27 - Sec. Regional de Educação e Cultura, 1982, Angra do Heroísmo. Poema do livro V/Não queremos bombas na cidade/1974, p. 154.


Firmino, João Júlio Almeida Caldeira
 [N. Portalegre, 8.2.1934 ? m. São Roque, ilha do Pico, 14.11.1977] Poeta. No liceu de Portalegre, onde não chegou a concluir o ensino secundário, foi aluno de José Régio que acabou por influenciar o seu gosto pela escrita. Nessa altura publicou os seus primeiros poemas e, em 1953, rumou em direcção aos Açores na companhia do pai que foi colocado na secretaria do tribunal de Angra do Heroísmo. Trabalhou na Base das Lajes e após o serviço militar regressou aos Açores. Foi então colocado em São Roque do Pico, como escriturário do tribunal, onde viveu até ao fim dos seus dias. A partir de 1957, iniciou a publicação de vários livros de poesia, que acabaram por ser reunidos, posteriormente (1982), num só volume, com o título de Narcose. É um poeta da geração da Gávea, revista de arte de que foi um dos co-directores, conjuntamente com Emanuel *Félix e Rogério Silva. Colaborou em vários jornais e revistas, considerando-se açoriano de opção. Na opinião de Álamo Oliveira, Almeida Firmino foi «capaz de assimilar a genuína essência existencial do povo picoense (...) por ele trabalhou, dedicando-lhe todas as horas do seu dia». A sua poesia é caracterizada por um «idealismo humanitário, de arrepio e inquietação, formalmente de expressão moderna e vanguardista, ao mesmo tempo que pessoal» (Carvalho, 1979: 304). Está incluído nas antologias de poesia açoriana organizadas por Pedro da Silveira e Ruy Galvão de Carvalho. Carlos Enes
Obras principais. (1957), Saudade Dividida. Angra do Heroísmo, Tip. Diário Insular. (1964), Novembro, cidade dos crisântemos esquecidos. Angra do Heroísmo, Ed. do Autor. (1968), Ilha Maior, Angra do Heroísmo, Ed. do Autor. (1971), Em Memória de Mim: antologia, 1952-1971. Angra do Heroísmo, Ed. do Autor. (1971), Não queremos bombas na cidade. Angra do Heroísmo, Ed. do Autor. (1973),Lápide para a cidade de Angra do Heroísmo. Angra do Heroísmo, Ed. do Autor. (1976), Tailândia. Angra do Heroísmo, Ed. do Autor. (1980), Escritos (Compilação de António Caldeira Firmino). Angra do Heroísmo, Secretaria Regional da Educação e Cultura. (1982), Narcose, obra poética completa. Angra do Heroísmo, Secretaria Regional da Educação e Cultura.


Bibl. Carvalho, R. G. (1979), Antologia poética dos Açores, 2.o vol. Angra do Heroísmo, Secretaria Regional da Educação e Cultura. Oliveira, Á. (1982), «Almeida Firmino ? Poeta dos Açores».Narcose. Angra do Heroísmo, Secretaria Regional da Cultura. Silveira, P. (1977), Antologia de Poesia açoriana, do século XVIII a 1975. Lisboa, Sá da Costa.

TRATADO DO CANTE - Registos fonográficos:

Cota FaiAlentejo: FF CA K7-0125
1991 (K7): "Vira da Desfolhada"


- Edição: Maxisom.

                                  Temas: Trigueirinha; Vira da desfolhada; Bimbalhada; Marcha das Cortiçadas; Picadinho de Luís Peral; Fado e Picadinho; Rebela do Alentejo; Olhos de gaiata; Vira de Lavre; Moreninha; Canastrinha.

Rancho Folclórico de Cortiçadas de Lavre, Montemor-o-Novo.

domingo, abril 10, 2016

TRATADO DO CANTE - Almanaque:

MINHA MÃE AMASSA O PÃO


"(...)
Minha mãe amassa o sim
Junto às vezes com o não –
Fica um pão sempre ruim,

Sabendo a contradição.

Minha mãe amassa o fumo
Que sobe das chaminés –
Pão volátil, pão sem rumo,
Eu não sei o que tu és.

Minha mãe amassa e sabe
Que o pão vai ser partilhado –
Que em cada fatia cabe
O sonho nele amassado.
(...)"

(António Simões)

TRATADO DO CANTE - Registos fonográficos:

Cota FaiAlentejo: FF  CA K7-0124
1996 (K7): “Nossa Senhora da Orada”


- Edição: Tecla.

                               Temas: Nossa Senhora da Orada; O Alentejo é um jardim; Disse adeus à mocidade; Sousel e suas freguesias; Ceifeiras; O Meu Alentejo; Cantorias; Baguinho d’ouro; Casa Branca; Alentejo terra d’ouro.

Grupo de Cantares de Sousel.