sexta-feira, junho 15, 2007

QUE MODAS? ... QUE MODOS? - PAINEL A



DIA 8 DE NOVEMBRO DE 1997 - SÁBADO

09H00 SESSÃO DE ABERTURA
Na abertura dos trabalhos falou o Presidente da Assembleia Geral da Casa do Alentejo, Prof. José Chitas, que se congratulou com o evento.
Apresentou as boas vindas a todos os congressistas.
Pediu um minuto de silêncio em memória das vítimas da tragédia que assolou o Alentejo, nos últimos dias.

O Comissário do Congresso:
Ao longo deste tempo todo convivi com os elementos dos grupos corais, privei com algumas pessoas, onde foram abordados variadíssimos temas, que naturalmente iriam cair, no cante alentejano. Foi de facto um esforço muito grande, mas eu creio que estou compensado por isso e por aquilo que gosto do cante alentejano e também por ser alentejano, embora viva na zona da grande Lisboa, onde a gente às vezes, até nas modas que se cantam nessa zona, não levam aquele timbre, aquela fala, tão específica porque entretanto as coisas já foram moldadas, eu se calhar também sofro por isso.
Mas, a mensagem que este secretariado quer deixar é que neste Congresso, aquilo que se conseguir atingir, tem que ser com esta preocupação: é que os Grupos Corais, nesta altura, não tem nada, aquilo que efectivamente se conseguir aqui é ganho, portanto que façamos um bom Congresso, que as intervenções sejam oportunas, para que daqui a uns anos, possamos estar aqui ou noutro lugar qualquer, a fazer um novo congresso, então já com os objectivos traçados e para que o Cante Alentejano seja o que de bom transpira do Nosso Alentejo.
Ficava-me por aqui, porque já estamos um bocado atrasados e entrávamos já na discussão dos temas propostos, para não perdermos mais tempo. Obrigado pela vossa atenção e pela vossa presença".
DIA 8 DE NOVEMBRO DE 1997 – SÁBADO
09H30 PAINEL A RAÍZES E ESTUDO DO CANTE ALENTEJANO
Artur Mendonça:
Bom dia a todos, o Painel A vai tratar de: raízes e estudo do Cante Alentejano. Como Coordenadores na mesa nós temos: Dr. José Simão Miranda e José Roque, ambos do Secretariado do Congresso. Como oradores nós temos presentes, já na mesa, o Dr. Henriques Pinheiro e vamos ter a Drª. Salwa Castelo-Branco, representante da Universidade Nova de Lisboa. Depois vamos ter comunicações do Dr. Henriques Pinheiro, já presente na Mesa como disse, de Julián del Valle, de José Pereira e da Associação Alma Alentejana. Vamos dar início aos debates e a mesa da minha esquerda para a minha direita, nesta altura tem o Dr. Henriques Pinheiro, a Drª. Salwa Castelo-Branco, o Dr. José Miranda e o Sr. José Roque. Bom trabalho para todos.
José Miranda:
Vou apresentar o primeiro prelector, desta mesa, Dr. Henrique Pinheiro, meu ilustre colega, que eu não tive o prazer de o conhecer até agora, apenas conhecia de nome. Eu também, tal como ele, sou médico e trabalhei no Hospital de Beja, não tive, de facto, o prazer de o conhecer na altura, pois dá-me a ideia que ele já estava aposentado, ou pelo menos não estava ligado ao Hospital. Trata-se de um ilustre médico, chegado a Beja já há 54 anos. Foi médico no Hospital da Misericórdia, antigo Hospital de Beja. Foi Director Distrital do Serviço de tuberculose e doenças respiratórias. Foi também Director do Diário do Alentejo. Dinamizou com a sua esposa a delegação da Proarte de Beja durante 18 anos. Fundou com a sua esposa, também, o Centro Cultural de Beja e dentro dele a Academia de Música do Centro Cultural. Dinamizou, ainda o processo de constituição do Conservatório Regional do Baixo Alentejo, do qual é Presidente do seu Concelho de Administração. Actualmente não exerce clinica. Mas de facto muitos alentejanos o conhecem porque foi extremamente importante na luta contra a grande epidemia de tuberculose no Baixo-Alentejo. Tem a palavra.

Henriques Pinheiro:
Bom... eu não sou alentejano. Vim de muito longe, de Aveiro, uma região totalmente diferente. Estas primeiras palavras que vou pronunciar, são ditas no sentido de me localizar, neste Alentejo e de explicar o grande interesse e o grande entusiasmo que eu tenho pelo canto alentejano, pelo Povo alentejano, pela natureza do Alentejo, geograficamente falando. Sou médico, mas estudei música, executei violino durante sete anos. Quando fui para a faculdade, deixei o violino. Erros que se cometem ... Enfim possuo certa formação musical que me leva a entender o canto alentejano, melhor do que, talvez, outras pessoas que não tenham tido contacto com a música assim como eu tive. Evidentemente que ao lado da Sr.ª. Drª. Salwa Castelo-Branco, que é uma pessoa que está perfeitamente dentro do problema que vamos aqui abordar e que o sabe tratar de forma superior, sinto-me um pouco diminuído, em face da companhia com quem estou. No entanto, e modéstia à parte vou realmente desenvolver o tema que me propus apresentar hoje aqui, o qual poderá ser motivo para comentários críticos por parte da assistência”.
ACERCA DO ENCANTO DA MÚSICA POPULAR ALENTEJANA E DA BELEZA DA SUA POESIA. DILEMAS SOBRE A ORIGEM DO CANTO ALENTEJANO
A razão por que aqui me encontro, para falar do canto desta região, em poucas palavras se pode resumir. Desde que aqui cheguei, o canto revelou-se-me a expressão de uma arte musical que, para além de não ter qualquer semelhança, com o canto popular de outras regiões, logo se me afigurou ser de bem melhor qualidade que de outras cantigas populares do nosso País. A verticalidade do Povo revelou-se-me sem hipócritas e interesseiras mesuras face à tradicional postura de outras gentes perante certos poderes da hierarquia social. A Planície que se me revelou, a compleição geográfica mais favorável, a afirmação da verticalidade do ser que o Alentejano é, pois lhe basta erguer-se para sobre si próprio dominar léguas a perder de vista, esta Planície seduziu-me pela serenidade dos dilatados horizontes tão propícios à serena meditação, à interiorização da sensação de paz que dela parece brotar. Originário do Norte do País, duma região bem diferente deste Alentejo, bastante impressionado fiquei por ocasião das minhas primeiras férias que por aqui passei, estávamos numa época do Natal, num dos últimos dias da década de trinta, quando um canto de bela e estranha harmonia me acordou, de madrugada e depois se foi afastando, lentamente, rua além para voltar a aproximar-se, rua aquém num canto de solene sonoridade, compassado, majestoso. Era um canto de grande beleza, que muito surpreendeu a minha sensibilidade. E, a madrugada, as estrelas e a aldeia adormecida (Baleizão) onde os meus pais estavam, - eram professores do ensino primário, - ajudavam a enriquecer a tão extraordinária harmonia àquelas horas e daquele modo cantada. Não consegui na altura entender a poesia que o grupo cantava. Só mais tarde me aperceberia da beleza poética que ilustra as canções populares deste Alentejo e que tanto merecimento lhes acrescenta tornando-as ímpares, sem discussão.
Nas férias que se foram seguindo fui assimilando, cada vez de forma mais sentida e mais aprofundada toda a beleza deste canto e da sua poesia. Nascido em Aveiro e licenciado em Coimbra, aqui cheguei onde as terras eram outras e outras eram as águas, outros os ares, outras as gentes, as diferenças culturais as dissemelhanças paisagísticas, a dureza do clima, as condições de vida dos servos da gleba que então conheci, constituíram circunstâncias chocantes de estímulo para o enriquecimento do meu saber e do meu entendimento. Outros costumes, outra cultura, outra vivência humana, sem dúvida. Mas o canto, as gentes deste Alentejo e esta paisagem, longe de para mim constituírem motivos de tédio, pelo contrário, definitivamente me cativaram. Canto de solene harmonia, povo isento de postura louvaminheira, isento de espírito subserviente, de facto para além de apreciar o canto popular, bastante aprendi neste Alentejo com as suas gentes, sem dúvida. Compreendi e avaliei o seu sofrimento face à injustiça dos poderes, apercebi-me que o alentejano em poucas palavras, de acordo com o seu ritmo musical, sabe expressar mundos de ideias com o mais profundo significado. Tive a sensação de que as suas cantigas penetram na alma dos homens e que parecem até penetrar na alma dos bichos e das plantas, como Antunes da Silva no seu acrisolado sentir pelo seu Alentejo assim se exprimiu sobre o cantar do seu Povo. Comecei, então, também a sentir e a viver a minha paixão pelo Alentejo.
Vários têm sido os estudiosos do canto alentejano, mas a sua maior parte têm sobretudo feito a recolha e a gravação deste património cultural, por forma escrita e fonográfica num trabalho de campo à margem de princípios, métodos e conclusões do âmbito da comunidade científica. De todos os trabalhos publicados um se destaca pelo rigor da sua análise, com transcrições musicais adequadas, para bem se compreender o canto alentejano, com a análise completa de cada texto contemplando as tonalidades, a estrutura melódica, a velocidade metronómica, os âmbitos, a organização rítmica, as direcções, as formas finais, a forma, o carácter silábico, melismático mais ou menos ornamentado. A pesquisa de João Ranita da Nazaré, sem dúvida de grande valor, como investigação no campo do canto popular do Baixo Alentejo. Os momentos vocais do Baixo Alentejo, deste conceituado etnomusicólogo constituem um trabalho exaustivo de verdadeira pesquisa científica sobre 125 canções do Baixo Alentejo, sem dúvida útil para quem deseje aprofundar os seus conhecimentos sobre o canto popular. Foi publicado em Portugal em 1986 e constituiu a sua tese de doutoramento na Sorbonne em Paris. Não sei se o seu trabalho foi incentivo para, como seria desejável, alguém mais continuar por idêntico caminho na investigação do canto popular.
É claro, e sobre isso não restam dúvidas a ninguém, que a recolha dos cantos populares portugueses feita por Michel Giacometti foi muito mais volumosa pois incidiu sobre mais de 600 freguesias do País e reuniu mais de 4.000 registos de música gravada. Porém não a analisou sobre o ponto de vista científico. Giacometti não sabia música, tinha porém a clara intuição do que os cantos do povo podem representar como afirmação do seu valor cultural. O cantar do Povo desta região era o que, de entre todos, mais apreciava e o seu desejo expresso de ser sepultado no coração do Alentejo, em Peroguarda e de ser acompanhado pelo canto de uma moda popular religiosa, entoada pelo coro da aldeia tem o muito claro significado de acentuada paixão pelo canto popular deste Alentejo.

No estudo do nosso canto popular, Fernando Lopes-Graça, teve sem dúvida um papel importante. Lopes-Graça foi o grande mestre e compositor que melhor soube tirar partido artístico das canções populares do nosso País e as tratou em extensão e profundidade, aproveitando toda a riqueza que o cantar do Povo lhe sugeria. Pegou no cantar do Povo e harmonizou-o em textos para orquestra e para conjuntos corais com a expressão, ritmo, características psicológicas e morfológicas que as melodias lhe inspiraram. Depois de ter composto as suas 24 canções populares portuguesas iniciadas em Paris por sugestão da conhecida cantora de então, especializada na interpretação de cantos populares Lucie Devinsk, foi então que Lopes-Graça pensou ter chegado ao seu maior e mais importante resultado que foi o de concluir que a canção popular portuguesa é muito mais rica do que ele próprio supunha e mesmo do que lhe faziam antever os estudos até aí feitos, entre nós. Para Lopes-Graça um dos cantos populares mais belos era o canto alentejano.
Outros investigadores e vários tem havido se debruçaram sobre o nosso canto popular. Mas os investigadores na sua maioria, encontram-se, como se encontravam, ainda na década de 40, numa fase de investigação quase exclusivamente empírica, meramente descritiva. O canto alentejano com todo o seu mérito, mantido ou sujeito a evolução e entre as polémicas de quando é ou não é o mais genuíno será sempre um valor cultural digno de atenção e estudo pelo que toda e qualquer iniciativa com o intuito de aprofundá-lo em todas as suas características: estéticas, etnológicas, etnográficas, é sempre uma iniciativa a apoiar.
Nesta pequena e despretensiosa intervenção apenas abordarei três de entre as várias questões que merecem ser tratadas em relação ao canto popular alentejano, mais sob o ponto de vista da minha capacidade de sentir, de apreender a expressão artística da beleza sonora que o canto alentejano me transmite; mais sob o ponto de vista do saudável lirismo com que a bonita poesia das suas modas me encanta. Sobre estes aspectos brevemente me debruçarei. De onde vem, onde brotou e como evoluiu esta inconfundível polifonia popular portuguesa? Interessantes questões que continuam à espera de respostas adequadas. Que direi eu mais sobre esta apaixonante questão? Às hipóteses até agora avançadas como resposta a tais questões só poderei acrescentar mais hipóteses, apenas mais conjecturas, probabilidades, teorias, o que afinal é bem pouco no sentido de prova de uma ou outra hipótese.
Há no canto alentejano que não é simples, nem ingénuo, como aliás não são simples nem ingénuas as mais variadas canções populares portuguesas, uma belíssima e larga elaboração que lhe dá um equilíbrio harmónico perfeito, uma ampla expressão e grande musicalidade, carregadas de potencial, ora dramático, ora patético, ora simplesmente lírico.
O canto alentejano na sua expressão polifónica, na sua dimensão e estrutura harmónica assim se caracteriza, como sabemos: é o ponto que começa a moda, isolado, cantando apenas uma parte limitada da poesia; de seguida inicia o alto o seu canto, isolado, apenas alguns segundos, mais ou menos segundos, consoante a cantiga; após o que, os dois, se juntam ao coro constituindo-se assim o belo conjunto popular, que bem conhecemos, de perfil inequívoco com as suas inflecções, modelações ou melismas, com o seu sotaque, os seus ritmos, moderado ou lento que tão bem caracterizam a cadência do cantar alentejano, ímpar, solene, profundo, sempre interpretado na digna postura de quem medita gravemente na mensagem musical e poética que transmite. Breves notas são estas as que todos poderemos aprender nos trabalhos dos que têm estudado o canto alentejano.
Não tendo eu a pretensão de entrar em pormenores técnicos e científicos sobre o cantar alentejano, pormenores habitualmente abordados pelos musicólogos e maior ou menor gabarito, passo de imediato a alguns comentários sobre a poesia que tanto valor acrescenta ao nosso canto.
O cantar alentejano é ainda enriquecido por uma expressão poética de profundo sentido lírico em que os hinos à natureza são constantes. Está cheio de bonitos versos, que falam do lírio roxo, da rosa e da roseira de quem o poeta já fora o seu melhor botão, da linda flor que é a da murta, das oliveiras que ao longe parecem rendas, do despertar da bela aurora, do sol que alegra o dia, da água que vai correndo mansamente, vagarosamente, a quem o poeta pede para passar pelo seu jardim para lá lhe regar uma rosa, do passarinho que pousa no raminho, da pombinha que pousa no seu pombal, do luar da meia noite que tem lá segredos seus, dos altos silêncios da noite que as vozes do poeta vão rompendo, já que de dia não pode lograr o bem que pretende, de como para cantar à sua amada o poeta aprendeu a cantar lavrando a terra molhada, dos cabelos louros da sua amada pelas costas espalhados que parecem fios de ouro com fios de prata atados, da cadeirinha nova feita da raiz do cravo, da folha da rosa e do ramo de alecrim, das papoulas em flor no meio dos trigais, da cantarinha que chega à fonte com o barro mais corado com medo que a água conte os beijos que lhe tem dado.
Se por outro lado atentarmos na poesia dos cantos alentejanos, assunto abordado pelo Padre Cartageno em 1982, dita em versos de piedade bem sentida, estamos em presença de uma interessante conjugação de sentimentos panteístas e cristãos em que o louvor e a adoração se reparte entre a universalidade dos seres dignos de admiração e o credo no Salvador, em que as raízes pagãs de uma cultura coabitam com o sentimento cristão.
Muito se tem discorrido e se discute ainda sobre as origens do canto popular alentejano. Segundo uns as janeiras terão origem nas saturnais pagãs do calendário romano; segundo outros a sua origem estará nas festas comemorativas do início do ano agrícola dedicadas à deusa Strena que presidia às estreias, e finalmente veio o cristianismo e lhes deu novo significado e realçou nelas o dia do ano novo, a noite primeira em que Deus passou tormento: a circuncisão, o tormento que começara pelo menos mil e quinhentos anos antes, há três mil e quinhentos anos, em cerimónias religiosas que levaram à circuncisão de milhões de crianças: egípcias, judias, árabes (ismaelitas), moabitas, amonitas e continua a ter lugar actualmente entre os judeus e fora do judaísmo em rituais entre os negros de África.
Curiosa é sem dúvida a hipótese da influência pagano-cristã na génese das "janeiras" que se cantam na noite de São Silvestre e que encontro avançada numa comunicação de há anos, bastantes anos, em Braga pelo professor e etnólogo Joaquim Roque, já falecido, natural de Peroguarda sobre o canto do Baixo Alentejo. Continua também a ser defendida a influência do canto gregoriano no canto alentejano e não pode negar-se-lhe a sua influência na poesia em louvor do Deus Menino e em todos os demais textos religiosos, ligados ao culto cristão e o canto das Almas é, sem dúvida, o canto triste o verdadeiro grito de sentida súplica para alívio das almas que no Purgatório o estão desejando alcançar e que o canto alentejano foi capaz de tornar, como nenhum outro canto popular, num canto profundamente belo e solene. Mas se foi a fé dos cristãos que inspirou o fundo poético das canções religiosas populares, foi o canto alentejano dolente, solene, meditativo que não é demais supor já tinha um fundo religioso, anterior, muito possivelmente ligado a cultos pagãos, esse canto, sem dúvida, que foi a favorável e casual oportunidade encontrada para que o sentimento e a poesia, inspirados pela fé cristã em afortunada circunstância se enquadrassem nas primitivas canções populares do Povo desta região.
Até Stº. Ambrósio no Século IV da nossa era, as primitivas melodias cristãs corriam sem obedecer a qualquer ditame eclesiástico supondo-se que muitas destas primitivas melodias cristãs já teriam sido cantadas antes: na Grécia, no Egipto, na Mesopotâmia, na Roma pagã, servindo outros deuses, cantando "falsas concepções da matéria e da vida". Foi Stº. Ambrósio quem pela primeira vez as coleccionou e seleccionou, tendo nessa altura iniciado uma primeira e débil reforma das melodias cristãs primitivas. Duzentos anos depois, no Século VI, o Papa Gregório «São Gregório» também chamado: "Gregório o Grande", continuou o trabalho de colecção e selecção das melodias cristãs primitivas e a ele se atribuem grandes reformas na organização da música religiosa e a sua didáctica, tendo daí por diante o canto religioso eclesiástico seguido regras precisas e os desvios que ocorreram com o passar do tempo foram sendo corrigidos, mormente pelos padres beneditinos. Finalmente a Igreja em todo o mundo católico fixou-se numa última edição do Cantochão baseado em trabalhos dos Beneditinos que prevaleceu, assim se consolidando o que se passou a chamar de canto gregoriano.
A Igreja quando surgiu ocupou, sobretudo, os centros populacionais mais importantes, não tendo tido decisivo impacto, ao que suponho, na grande maioria das áreas rurais. Sobretudo nessas áreas não me parece que tenha exercido influência por intermédio das escolas de canto eclesiástico que às vezes são invocadas como focos de irradiação da cultura musical gregoriana. Na difícil busca das origens do canto alentejano muitas hipóteses se podem colocar. Porém afigura-se-me de muito duvidosa valia a que coloca o canto chão ou canto gregoriano na origem do canto popular alentejano. E se o canto popular do nosso povo alentejano, apesar da sua dimensão polifónica, poder lembrar a homofonia do canto chão, pela solenidade dos seus andamentos lentos, o caso é que nas canções populares, não religiosas do norte de Portugal, não se encontra nem a dimensão polifónica do canto alentejano, nem o seu estilo, nem os seus passos melódico/harmónicos, nem os seus andamentos lentos, nem a solenidade da sua postura que caracteriza as interpretações do canto alentejano, características deste canto e que se assumem desde logo nas canções populares profanas.
O norte do nosso País foi muitíssimo mais influenciado pela Igreja e tal situação, nem de longe se verificou no Alentejo. Assim é pelo menos estranho que o canto popular dos povos do norte não viesse a ter sofrido a influência melódica, rítmica, modal e de andamento do canto gregoriano. Por outro lado pode questionar-se se o Povo alentejano que andou sempre muito próximo de uma vivência panteísta, que é de crer já cantava as suas modas antes de a Igreja aqui se instalar, poderia de facto ser influenciado pela melodia, ritmo e andamento do canto gregoriano, música que ficou longe da maioria do Povo alentejano.
É inconfundível entre o panorama da nossa música popular o canto do nosso Baixo Alentejo. Mas não me atrevo a afirmar que o seu perfil é único entre as demais tradições culturais do Globo. Talvez na Ucrânia, sei lá, se encontrem reflexos que o lembrem e de certeza eu e a minha mulher ouvimos algo de muito semelhante aos nossos coros quando, há muitos anos, numa rua de Chechauen em plena montanha, ao norte de Marrocos, ao fim do dia, escutámos, surpresos, o canto árabe saindo de uma mesquita. E foi impressionante o que nos pareceu ouvir: um singularíssimo coro que parecia ter até o alto e o ponto no seu conjunto num canto dolente e solene tão à maneira do nosso canto alentejano. Não foi possível uma gravação, para isso não íamos preparados e a promessa que a nós próprios fizemos de lá voltar nunca chegou a concretizar-se. Falei no caso a Giacometti e a Fernando Lopes-Graça que igualmente pensavam que poderia realmente haver algo no nosso canto que fazia lembrar o canto árabe, mas também não foi concretizada a hipótese de eu e Giacometti por lá passarmos por essa cidadezinha de Marrocos como tínhamos combinado.
Concluindo este assunto sobre as origens do canto popular alentejano, problema que continua à espera de uma resposta convincente, não ajuda nada, segundo me parece, fixarmo-nos sobre opiniões que porventura se desejem tornar como definitivas e sem discussão, como por exemplo é o caso de se pretender, como ponto assente, estar na sua origem o canto gregoriano. É que, e aqui é que o problema se complica, antes do cantochão cá ter chegado já cá estava o canto popular onde muito provavelmente o povo foi influenciado pelo modo de cantar que de África passou o estreito e se acomodou neste interior alheio às influências que ao longo da história sofreu toda a costa algarvia. Não estou de acordo, por exemplo, com a opinião do Padre Marvão, grande admirador do canto do Baixo Alentejo, quando para ele, o que conta na génese do cantar do nosso povo é o canto gregoriano. Mas com ele concordo com a sua curiosa asserção, nesse trabalho que eu consultei, que flagrantemente contradiz a sua hipótese: "A nossa música alentejana não foi ensinada por ninguém, é espontânea; nasce do coração e da intuição dos alentejanos, com uma aptidão excepcional para o canto que tem as dimensões dos sagrados momentos da vida..." No entanto logo após se deixa seduzir pela sua ideia fixa e entra em nova antinomia quando, de par com a sua opinião sobre o sabor que tinham as modas exprimindo em "magistral sinfonia a força do canto comunitário, o prazer duma alegria festiva", não deixa de erradamente, a meu ver, acentuar o sabor das modas ao sabor do homofónico cantochão.
Por outro lado não deixa de ser curioso que Tomás Borba e Lopes-Graça no seu Dicionário de Música, editado em 1956, falem do canto reformado eugeniano, um canto modificado por Santo Eugénio, arcebispo de Toledo, ao qual terá aplicado a notação gótica introduzida em Espanha pelos Visigodos em 412. Este canto terá tido a influência tonal da igreja romana, mas não a influência do canto gregoriano, continua o texto do referido dicionário, que refere ainda que o canto eugeniano teria sido modificado pelo gosto dos adornos do canto oriental introduzido em Espanha pelos povos islâmicos que invadiram a Península. Curiosamente o referido dicionário fala ainda na existência de um canto moçárabe.
Por outro lado, e ao que me parece, não será de todo ilógico pensar-se que, afinal, o canto popular alentejano, com raízes no passado longínquo com posterior influência, possivelmente visigótica e árabe, foi talvez e desde sempre, antes do aparecimento do canto gregoriano, um canto cheio de espiritualidade, lírico, compassivo, de solene expressão, podendo afinal convir da melhor forma às exigências da fé cristã que veio depois. Assim deve ter acontecido com a canção do Deus-Menino, e com outras canções religiosas de poesia inspirada na nova fé, que tão bem se enquadraram no nosso canto popular. Assim o canto de amor e saudade pelas pessoas amadas, do amor à vida e à natureza, na expressão poética do ancestral lirismo de origem pagã passou a coexistir no mesmo modo de cantar com a expressão poética inspirada pela nova fé.
Não posso deixar de referir que desde o momento em que eu e a minha mulher escutámos o que nos pareceu um coro alentejano soando numa mesquita em plena montanha no norte de Marrocos ficámos seriamente meditando em tão surpreendente semelhança e desde então também mais nos inclinámos para admitir uma qualquer influência do canto melismático árabe, de ritmo lento, no canto melismático cadenciado do povo alentejano.
José Miranda:
Obrigado Dr. Henrique Pinheiro, isto é de facto uma prova de que, e por conhecimento próprio, os médicos que vêm de todo o Portugal, eles cá ficam de facto. Cá chegam, quando chegam ao nosso Alentejo, ficam de facto apaixonados e são capazes de transmitir sempre esta mensagem e conhecimento do que é o alentejano.

José Roque:
Bom... Bom dia também a todos, como já repararam houve aqui uma pequena troca, nós tínhamos programado dois oradores para a primeira parte e as comunicações para depois, de qualquer forma, como os oradores não tinham chegado ainda, tivemos que inverter um pouco os papéis, colocámos o Dr. Henriques Pinheiro nesta primeira intervenção e vou ter depois o prazer de, e é um motivo de orgulho para mim apresentar a oradora que vem a seguir: a Dra. Salwa Castelo-Branco, isto porque eu também represento aqui um Grupo Coral "Os Ceifeiros" de Cuba e dizer que gostava de realçar o carinho com que os elementos do grupo que aqui represento manifestam para si Drª. Salwa Castelo-Branco por todo aquele trabalho que desenvolveu em Cuba, há uma dezena de anos a esta parte, mais ou menos, e teve como resultado a edição de um CD para o qual, para além das modas o grupo contribuiu com a foto para a capa. Posto isto dizer que a Drª. Salwa Castelo-Branco é Professora de Etnomusicologia na Universidade Nova de Lisboa; é Directora do Instituto de Etnomusicologia, na mesma Universidade; estudiosa do alentejano e de outras tradições musicais portuguesas. Tem várias publicações sobre o alentejano e outras tradições musicais portuguesas. Vamos ouvi-la.
Salwa Castelo-Branco:
Muito obrigada! e vou ser breve e vou falar mais do futuro do que do passado. Gostaria de começar por manifestar o meu regozijo pela iniciativa do I Congresso do Cante Alentejano que, seguramente irá proporcionar uma importante oportunidade para debater questões em torno de uma das tradições mais dinâmicas em Portugal. Quero aproveitar, esta oportunidade, para agradecer aos organizadores o convite que me dirigiram para participar neste evento.
A minha relação com o cante começou em meados dos anos 80, quando tive o privilégio de conhecer de perto a vila de Cuba e os seus grupos corais, onde tenho lá muitos amigos. Seguidamente tomei contacto com grande número de grupos, quer no Alentejo quer na área Metropolitana de Lisboa. Este contacto com o cante do Alentejo e os seus portadores, iniciada há mais de 10 anos, marcou-me pessoal e profissionalmente e continuará a constituir um dos focos do meu interesse no futuro. A grande dinâmica do cante alentejano, quer no Alentejo quer no seio das comunidades alentejanas na cintura industrial de Lisboa e Setúbal está patente nas actividades nos cerca de 100 grupos corais activos, que o livro do Sr. José Francisco Pereira identifica.
Apesar da literatura sobre o cante alentejano ser uma das mais extensas no panorama de estudos sobre a música tradicional portuguesa, julgo que há ainda muito trabalho a realizar, quer na documentação e na inventariação do reportório, quer no estudo das múltiplas facetas musicais, históricas, sociais e políticas do cante, o que representa um grande desafio para etnomusicólogos e outros cientistas sociais. Nesta ocasião limitar-me-ei a sugerir algumas áreas de actividade e questões que me parecem prioritárias. A primeira prende-se com a criação de um arquivo audiovisual para o Alentejo. Como sabem não existe em Portugal nenhum arquivo sonoro nacional e a fundação de uma instituição que garanta a preservação da memória musical do Povo Português, não parece constituir uma prioridade para o governo o que constitui uma grave lacuna para um país com um legado musical extremamente rico. Existem gravações que foram realizadas por vários investigadores e entusiastas/coleccionadores, em todo o País, pelo menos desde meados do nosso século que se encontram dispersas em várias instituições publicas e colecções particulares sem haver as condições que possam garantir a sua preservação, inventariação e acesso aos estudiosos aos grupos e ao público. A salvaguarda das gravações existentes, utilizando meios digitais, actuais, de modo a garantir a sua preservação, para as próximas gerações é uma tarefa extremamente urgente. Por outro lado o reportório gravado deve ser inventariado e a sua documentação sistematizada e completada. Muitas vezes existem colecções muito extensas com uma documentação anexa extremamente breve indicando apenas o local, a data e talvez o título, mais nada. Penso que ainda estamos a tempo para completar esta documentação. Além disso a produção fonográfica, actual, quer pelos próprios grupos, quer pelas empresas discográficas, em Portugal e no estrangeiro, deve ser sistematicamente recolhida, inventariada e preservada. Parece-me que há imenso material disponível, disperso, no mercado, que é possível comprar, que foi publicado, não para fins de estudo propriamente dito, mas que constitui de facto uma fonte extremamente importante.
Dada a inexistência de um arquivo sonoro, a nível nacional, parece-me urgente a criação de um arquivo fonográfico, regional ou distrital, tendo os seguintes objectivos:
1. Reunir e salvaguardar todas as gravações de campo e de arquivo, existentes do cante e das outras tradições musicais do Alentejo.
2. Complementar as gravações sonoras com a documentação escrita e iconográfica disponível.
3. Inventariar os reportórios documentados, incluindo textos e melodias.
4. Recolher, arquivar e documentar, sistematicamente a produção fonográfica actual: CDs e cassetes. Tanto dos próprios grupos, como das empresas discográficas.
5 Promover projectos de documentação audiovisual do cante e das outras práticas musicais actuais do Alentejo que poderão ser levadas a cabo em colaboração com a Universidade que disponibilizará etnomusicólogos qualificados para colaborar com estudiosos alentejanos: os próprios portadores das tradições. Estes projectos deverão documentar não só o desempenho do cante, mas também a memória dos seus cantores, compositores e poetas. É muito importante falar extensamente com estas pessoas que são portadores da nossa história recente e registar as suas memórias porque através dessas memórias podemos reconstituir um passado extremamente rico onde o cante fazia e tem um lugar importante.
O arquivo regional com o perfil, acima delineado, deverá ser aberto a consulta dos grupos dos investigadores e do público em geral. A importância para os investigadores é óbvia, mas talvez nós não pensemos na importância que tem para um jovem de 14 ou 15 anos que queira ouvir, como é que os seus avós cantavam, há 50 ou 60 anos e ir a um arquivo e de facto ter acesso a isso. Eu tive um bocado esta experiência, nos Estados Unidos, onde os arquivos, de facto, desempenharam um papel extremamente importante na revitalização de tradições que já tinham desaparecido. Por outro lado os próprios grupos de facto, muitos têm em seu poder gravações antigas, de 20 ou 30 anos, que serviram como fonte importantíssima. Se não houver um arquivo estas gravações vão-se perder. Vão ficar dispersas. Portanto é mesmo extremamente urgente reuni-las, disponibilizá-las, sistematizá-las e facultá-las para consulta geral.
Também pensando no futuro gostaria de dizer algumas palavras de tópicos e questões que me parecem importantes estudar no futuro e antes disso gostaria de falar do que é a etnomusicologia, hoje. A moderna etnomusicologia é uma disciplina que visa o estudo da música enquanto fenómeno cultural, social, económico e político dinâmico. O trabalho do etnomusicólogo ou da etnomusicóloga não se limita a recolha, a recolha é importante mas não é a única coisa que fazemos. Abrange um estudo mais vasto de processos e comportamentos sociais em que a música desempenha um papel central. Segundo esta perspectiva, da moderna etnomusicologia, a noção de música não se limita à componente acústica mas abrange um leque mais vasto de comportamentos e processos, incluindo os gestos, os movimentos, a palavra.
O cante é uma das tradições, musicais, mais documentadas e estudadas em Portugal o que não quer dizer que o seu estudo está feito à exaustão, de maneira nenhuma, as obras de algumas das pessoas que foram referidas aqui. Por exemplo o padre António Marvão; o padre António Cartageno; Prof. Manuel Joaquim Delgado; Prof. João Ranita da Nazaré, entre outros, são referências imprescindíveis. Por outro lado as gravações publicadas pelos próprios grupos ou de empresas discográficas e por estudiosos são documentos valiosos que fornecem uma perspectiva histórica sobre a prática musical.
O trabalho realizado em torno do cante alentejano focou, sobretudo, a sua origem (apesar do facto como referiu o Dr. Henriques Pinheiro, continue a ser uma questão em aberto e talvez nunca se consiga resolver), as suas características musicais, a sua estrutura, etc. a classificação do reportório e as suas mudanças (refiro-me ao trabalho do Prof. Ranita da Nazaré, nesta questão). A documentação e a investigação realizada, fornecem um excelente ponto de partida para futuros trabalhos que deverão dar prioridade, sobretudo, às questões que se prendem com a realidade actual do cante e com a sua história contemporânea. História essa que podemos ainda documentar devidamente.
Parece-me importante desenvolver projectos de investigação que explorem os seguintes aspectos da prática do cante. E vou mencionar apenas alguns que me parecem muito importantes:
1. O Historial da transplantação do cante para a Cintura Industrial de Lisboa e Setúbal e o seu impacto sobre a prática do cante, quer no Alentejo, quer na área Metropolitana de Lisboa (estão presentes entre nós algumas pessoas e outras que iremos ver mais tarde. Algumas das mais importantes nesse processo). Temos que documentá-lo de facto.
2. O papel do cante na vida das comunidades quer no Alentejo quer na Cintura Industrial de Lisboa e Setúbal. (Porque é que as pessoas fazem esse esforço de ir aos ensaios, de reunir as pessoas, de fazer as suas saídas. É um esforço muito grande. Repetidamente os meus amigos em Cuba, no Barreiro e em outros sítios onde tive o privilégio de contactar de perto com esta tradição sempre me referiam a dificuldade que tinham em continuar. Mas olhamos para eles e alguns estão no grupo há 40 ou 50 anos. É de facto notável. E na minha perspectiva a pergunta que se põe: porquê? porque é que as pessoas se reúnem e continuam a cantar desta maneira?).
3. A relação do cante e as outras práticas musicais no Alentejo, no passado e na actualidade (tem-se ideia que o cante é uma coisa separada do resto, muito distinta, mas parece-me que se olharmos um pouco mais, profundamente, podemos descobrir algumas relações. Acho que é uma questão importante a desenvolver).
4. Por outro lado parece-me importante, também, desenvolvermos trabalho sobre o papel dos indivíduos, na criação e na divulgação do cante. Concretamente precisamos de identificar e elaborar histórias de vida e identificar a obra dos poetas, dos compositores, dos estudiosos e dos dinamizadores do cante. Alguns estão ainda vivos, felizmente, outros já não estão entre nós, mas existem entre nós pessoas que os conheceram bem e que aprenderam com eles e que nos poderão guiar para de facto reconstituir essa história.
5. A relação entre o cante e a organização social e política do Alentejo. As mudanças actuais do cante: o que está a mudar, de facto? (penso que neste Congresso vamos aprender muito sobre isso) Como ocorreram? Quando? Porquê? O que significam?
Estas são, apenas, algumas das questões que me parecem fundamentais abordar.
Para terminar gostaria de afirmar a abertura do Instituto de Etnomusicologia da Universidade Nova de Lisboa, de que sou presidente, para colaborar com indivíduos, grupos e entidades no desenvolvimento de trabalhos de comutação e investigação sobre o cante e as outras tradições musicais do Alentejo.
Muito obrigada!.

José Miranda:
Obrigado Drª. Salwa Castelo-Branco pela sua excelente exposição. E, têm 5 cinco minutos para fazer algumas perguntas aos oradores.
???
Salwa Castelo-Branco:
Bom, digamos, eu não tenho uma postura purista, no sentido, tal como muitos compositores se inspiraram pela música tradicional e não procuraram replicar há espaço para a criatividade para uma reinterpretação, uma recriação, uma transformação em outros formatos e portanto temos uma riqueza muito grande ... grupos que optam por tentar uma continuidade muito próxima do passado e outros que preferem reinterpretar e abrir o leque para outros timbres. Acho que são abordagens possíveis e legítimas.
Joaquim Soares:
Qual é o entendimento que se faz da junção do cante propriamente dito e etnografia ...
Salwa Castelo-Branco:
Penso que o estudo do cante deve ser sempre um estudo enquadrado no seu meio social e cultural, portanto penso que futuros estudos deverão inserir, digamos, o cante nesse meio e não tratar, apenas, do som musical em si. Neste sentido seria uma representação muito mais ampla porque o cante faz parte da vida das pessoas, da sua história, do seu dia-a-dia, da sua identidade pessoal e social e portanto ao representá-lo, ao estudá-lo, ao descrevê-lo, penso que essa inserção devia sempre ter prioridade. Mas penso que sempre que um grupo actua, para públicos que conhecem pouco ou não conhecem o cante é uma mensagem muito importante e leva-se muita coisa e muitos grupos fazem uma apresentação e dão um enquadramento que ajuda muito ao ouvinte para de facto perceber melhor o que vai ouvir. Quanto mais se faz melhor é e se começarmos a pensar um pouco nos criadores, nos poetas, na maneira como interagiram, como criaram, como nos deixaram este legado, talvez também seja mais uma via para termos um enquadramento mais amplo.
Francisco Torrão
???
Salwa Castelo-Branco:
Em primeiro lugar gostaria de o cumprimentar, ainda não tivemos oportunidade de falar, hoje. Eu sou estudiosa e grande apaixonada pelo Alentejo e pelo cante e confesso que não sinto que o meu papel aqui é digamos, pronunciar-me sobre aquilo que os grupos devem fazer. Eu penso que é muito interessante que, hoje em dia, existam grupos femininos, como sabem melhor do que eu, as mulheres sempre cantaram e até cantavam em privado com os homens, também no trabalho e portanto hoje em dia também cantam em público e eu acho que isso é um desenvolvimento muito interessante. Tenho ouvido alguns grupos masculinos com alguns elementos femininos, mas penso que este fenómeno, talvez, seja um fenómeno que esteja a diminuir e o que estamos a ver é mais grupos femininos, exclusivamente e masculinos. Acho para mim, do meu ponto de vista, é uma riqueza podermos ter estes grupos femininos e é óptimo que as mulheres também possam actuar em público e também garantir a manutenção desta tradição.
José Miranda:
Ora bem, vamos iniciar as comunicações e o primeiro comunicador é Julián del Valle.

Julián del Valle:
Bom dia para todos. No Chile existe o Agrupamento Nacional de Folcloristas que se chama "ANFOLCHILE", que por motivos familiares e por me ter dedicado ao folclore do meu País, estive em comunicação com eles, esta semana, e fizeram questão, em me encarregar de transmitir o seu apoio e os seus cumprimentos a este I Congresso do Cante Alentejano.
A Direcção do espaço das 7 às 9 do Centro Cultural de Belém, também, faz questão de estar presente e assim poder dar todo o apoio que está dentro das suas possibilidades.
Ora, como músico quero fazer alguma coisa, uma resenha pequena. No Chile (falo bastante do Chile, porque temos uma experiência mais antiga do que a vossa) nós tivemos grandes músicos, como Violeta Parra, Vitor Jara (grande músico Chileno, que morreu com o golpe de estado em Chile, no ano de 1973). Mas Vitor Jara, no ano de 1970, conseguiu reunir em Santiago do Chile, todos os folcloristas e gente que estava preocupada com a investigação da nossa música chilena. Destas reuniões nasceu uma escola, dentro do conservatório de Santiago, que era uma escola para professores de folclore, onde tive a sorte de participar, também. Nessa escola nós tínhamos ramos muito específicos de estudo que tinha que ver com a nossa experiência folclórica, por exemplo: psicologia, antropologia, estudo da música, mas fundamentalmente o estudo prático da música e das nossas tradições através das investigações de todos aqueles que participavam na escola. Penso que este, talvez seja um pequeno contributo que o meu País gostaria de oferecer a vocês, portugueses, porque penso que dentro da música coral alentejana, uma das coisas por que se está a pecar, a fazer pecado mesmo, é não existir, precisamente, essa escola tão necessária, donde poderia haver, sugiro eu, pessoas que poderiam ditar cátedra, sobre a música coral alentejana, como aliás foi dito por estes Srs. Drs. que ouvimos falar esta manhã. Talvez seja muito mais necessário, mesmo dentro de uma escola, ensinando-nos todo aquele conhecimento que eles têm, que dentro mesmo do congresso. Era muito mais importante porque tudo aquilo que eles não podem transmitir será para as gerações futuras o alicerce para poder preservar a vossa tradição, o vosso folclore.
Agora, também já estou ficando velho, já preciso de óculos. Queria dizer que é uma lástima também não estarem aqui bem representados, e isto convém deixar bem claro, os diversos concelhos de Portugal e concretamente os do Alentejo, através dos vereadores da cultura, ou dos seus representantes. Para esta pequena escola que poderia funcionar dentro do Alentejo, por exemplo em Beja ou Évora que são focos centrais do Alentejo, acho que se podia ter muito do apoio, através das Câmaras Municipais, por isso mesmo gostava que as câmaras estivessem aqui, em massa, e não como estão agora, ou da própria Secretaria de Estado da Cultura ou das diversas instituições que se dedicam ao estudo e à investigação do folclore.
Nada mais... Bom dia!
José Roque:
Depois da intervenção de Julián del Valle, vamos também dar um espaço de quatro ou cinco minutos para quem quiser colocar alguma questão. Pedimos é que sejam breves, se possível.
José Chitas:
O Dr. Henriques Pinheiro focou dois aspectos do cante alentejano, um relacionado com o lirismo da poética alentejana, outro com a mística da quase religiosidade do entre o quase gregoriano e o alentejano. Eu gostaria de saber quando também se referiu às características, psicológicas, ontológicas do alentejano com a sua verticalidade, onde é que se pode inserir, também o seu aspecto contestatário. Porque o que foi falado, sobre o lirismo, panteísmo, o amor pela natureza mas falta aqui, talvez, alguma coisa para referência que é parte contestatária do cante alentejano".
Henriques Pinheiro:
O meu contacto com o Povo Alentejano, data de há cinquenta e muitos anos, já sou velho, e na minha prática de médico, eu verifiquei que o povo alentejano, naquelas relações que eu tive durante todos esses anos, no dia-a-dia, com todos os problemas que os alentejanos tinham, que eram gravíssimos, era de facto um servo da gleba. Eu vou contar, para definir, realmente, esse quadro que eu encontrei quando eu fiquei chocado com o seguinte episódio que é quase uma anedota. É quase uma anedota, mas não é, foi uma coisa verdadeira, portanto houve um médico que pediu para eu o substituir em Baleizão, onde eu precisamente ouvi pela primeira vez o cante alentejano numa madrugada, etc. Bom, fui exercer clínica nessa aldeia, próxima daqui, a 12 quilómetros, estive mais tempo do que supunha, porque entretanto o médico não pode retomar a clínica conforme disse que ia retomar, prolongou-se durante bastante tempo esse contacto com o povo da aldeia. Bom, eu tinha, às tantas, enfim, muitos doentes, muito carenciados de muita coisa. Havia um homem, um homem emagrecido, era praticamente um pele-e-osso, não era bem mas era muito magro, queimado do sol (isto passava-se no Verão), que ia à consulta e dizia que estava muito fraco, que se sentia com poucas forças e eu que já sabia, pelos contactos que tinha, que a alimentação era muito deficiente, sobre todos os pontos de vista, receitava-lhe aquilo que eu via que podia ajudar: mais vitaminas, mais extractos de carne, mais isto, aquilo e aqueloutro e o homem continuava a ir à consulta, mas continuava a dizer que se sentia fraco. Bom, uma consulta e outra e a situação era sempre a mesma. Evidentemente que o homem não tinha nada de grave, não era tuberculoso, eu investiguei, mandei fazer radiografias, enfim, fiz um exame clínico tão preciso quanto possível e o homem não era tuberculoso. Estava magro não era por isso, não era por ser doente, ou ter alguma doença infecto-contagiosa, nomeadamente a tuberculose que nesse tempo era uma coisa muito séria. Nesse tempo setenta por cento dos tuberculosos morriam, atenção (estamos a falar no ano de 1955). Eu fui tuberculoso, não fiz qualquer tratamento tive a sorte de calhar nos trinta por cento. Eu era dos trinta por cento que não morriam. Bom, o homem queixava-se uma vez e outra e outra que estava fraco, que estava fraco. Às tantas eu perguntei, ouça lá: diga-me lá qual é a sua vida e o homem contou-me qual era a sua vida. Levantava-se de madrugada, ainda o sol não tinha nascido para ir começar o trabalho, ao romper do sol, numa herdade longe de Baleizão e então levantava-se, tinha de dar de comer às bestas, aparelhar as bestas ao carro e ir para uma herdade longe, começar o trabalho ao romper do sol. Largava o trabalho ao pôr do sol e quando chegava a casa já eram dez horas, dez horas e meia, punha as bestas no estábulo, dava-lhe de comer e quando o homem chegava a casa eram onze horas e meia, meia noite. Ó homem, você trabalha de uma maneira, que não pode deixar de estar cansado, e eu nessa altura, ingénuo disse: ó homem, porque é que não pede ao seu patrão para lhe dar mais descanso, o senhor precisa é de descansar mais, na minha ingenuidade. Aprendi muita coisa com o povo alentejano, como eu disse na minha comunicação. Estas e muito mais coisas eu aprendi com o povo alentejano. O povo alentejano, enriqueceu-me o meu sentimento, os meus conhecimentos e as minhas reacções perante a vida, porque eu era lá de cima do norte, onde não havia estes problemas. Um dia (o homem continuou fraco), mas um dia entrou-me todo risonho pela consulta: - Sr. Dr. já descanso mais. - Ah sim, óptimo! então o senhor sempre disse ao seu patrão e ele resolveu dar-lhe mais descanso. - Não Sr. Dr. é que as bestas estavam a emagrecer e ele resolveu dar mais descanso às bestas. Este era o ambiente que se vivia. Ora bom, respondendo à sua pergunta, eu notei sempre na generalidade do povo alentejano uma paciência inaudita e eu só verifiquei com a continuidade de vivência com o alentejano, verifiquei, que só os politizados é que realmente tinham uma atitude de contestação activa. Agora, de uma maneira geral, o povo alentejano era um "santo povo", era e continua a ser, evidentemente. Um povo que eu amo, que eu estimo, mais do que o povo da minha região que é muito subserviente, muito louvaminha, muito não-sei-quê. Passa o Sr. Dr., ou passava, nessa altura: - "Sr. Soutoor"; "Sr. Prioor"; "Sr. Professoor". E aqui no Alentejo, em Baleizão, quando eu lá cheguei, sabeis vós como eles me saudavam "Óo"; "óo". Isto foi a realidade que eu vi, nessa altura, respondendo à sua pergunta, parece que respondi tudo.
José Roque:
Muito obrigado, de qualquer forma gostava de deixar uma nota: esta questão colocada pelo José Chitas pecou por extemporânea. Já tinha havido dois oradores, as perguntas deviam ter sido feitas, logo na altura. Já houve uma comunicação essa pergunta deveria ter sido feita ao Julián del Valle. Vamos esperar que isso não se repita, até para o bom andamento desta "carruagem". E pronto, depois disto, vamos a mais uma comunicação e eu chamava para intervir alguém em representação da “Alma Alentejana".
Eduardo Raposo:
Bom dia a todos. Vou apresentar uma comunicação denominada:
O CANTE - "ALMA" DO POVO ALENTEJANO - E A SUA RESISTÊNCIA AO PODER
Senhores Congressistas, Exmº. Senhor Presidente da Mesa, Exmª. Comissão Organizadora, do Congresso do Cante Alentejano, antes de mais, permiti-me que em nome da Alma Alentejana vos saúde pela realização deste belo congresso, que está agora na sua fase final onde, aliás, já tivemos o prazer de participar, num debate com o nosso amigo Francisco Naia, logo em Julho, na Moita, por ocasião da Feira Etnográfica "Viver o Alentejo", aquando do lançamento do livro "Corais Alentejanos", de José Francisco Pereira.
Quero ainda em nome da Alma Alentejana, deixar um abraço solidário a todas as vítimas do temporal que nos últimos dias atingiu, particularmente, o Baixo Alentejo. Neste sentido, a Alma Alentejana iniciou já uma campanha de solidariedade, para a recolha de roupas e produtos de primeira necessidade, nos concelhos de Almada e Seixal.
E como a divulgação, a defesa e a preservação da cultura alentejana é uma das razões primeiras da existência da nossa associação, não podíamos deixar de estar presentes. Aliando um trabalho de investigação que desenvolvi nos últimos anos para uma dissertação da tese de mestrado, que estou a finalizar, denominada "O papel sociocultural e político do canto de intervenção na oposição ao Estado Novo", e a importante colaboração do Francisco Naia - que na sua qualidade de etnomusicólogo fez recolhas de "modas" tradicionais, que depois compôs, estando incluídas actualmente no seu reportório de cantor da música tradicional alentejana. Contámos com a sua amizade e companheirismo, mas também com os profundos conhecimentos que viabilizaram a realização deste breve trabalho, tanto lançando pistas como respondendo a outras tantas interrogações. Foi assim uma preciosa fonte oral, para além de obras de que nos socorremos para um enquadramento geral, casos de A Canção Popular Portuguesa, de Fernando Lopes-Graça, Musica Tradicional Portuguesa - Cantares do Baixo Alentejo, de João Ranita da Nazaré e "Portugal, Raízes Musicais" (recolha publicada pelo Jornal de Notícias em CD's e textos de apoio) da autoria de José Alberto Sardinha. Nesse âmbito, aceitei a solicitação e o desafio que me foi proposto, de, no âmbito do Gabinete de Imprensa da Alma Alentejana, e contando ainda com o apoio do Jorge Figueira, também elemento da Direcção e do Gabinete de Imprensa da nossa associação, embarquei nesta aventura, a presente comunicação, que vos passo a apresentar.
A canção popular portuguesa - seu significado estético e valor nacional
Partindo do pressuposto, porventura pacificamente aceite, de que a canção popular portuguesa, é, na sua essência e na sua primordial riqueza, rústica e campesina, e que, assim, é uma crónica expressiva e viva do povo português, ao contrário da pobreza e banalidade da música urbana, que para além de raras excepções actuais - caso dum Sérgio Godinho - conceptualiza-se na música pimba, como antes no nacional-cançonetismo.
Assim sendo, a música popular, sendo produto e documento da actividade estética, quer pelo seu valor de ordem educativa e artística, mas também pela linguagem e o conteúdo, afirma o seu autêntico carácter nacional, de onde é possível extrair material, mas encontrar as premissas estilísticas necessárias e as sugestões no intuito de se criar uma música culta, a sua grande riqueza e inestimável capacidade de se autorenovar, transformar, mas ao mesmo tempo, persistir oralmente ao longo dos séculos, faz claramente da canção tradicional portuguesa o cerne da canção portuguesa, onde a música culta vai beber todas as suas virtualidades, e não o contrário.
As modas, características e espaço geográfico
Como nos diz Fernando Lopes-Graça "(...)não restam dúvidas de que os cantos corais alentejanos constituem uma das mais assinaláveis expressões do sentir musical da gente portuguesa - na espécie, a gente alentejana, cuja índole a um tempo altaneira, caprichosa e ensimesmada(...)", e que eles (nós, neste caso) reflectem de uma maneira inequívoca, "(...) do mesmo passo que testemunham de uma formação e de uma vivência estética colectivas, que muito podem prender a atenção da sociologia e da etnomusicologia.
No entanto, a música tradicional do Alentejo (que parece vir confirmar o quase axioma de que a música regional portuguesa tem a sua vera fisionomia no domínio vocal) não se reduz aos cantos corais de que temos vindo a falar.” Cantos religiosos monódicos, assim como os cantos do trabalho “(...)enriquecem e completam o âmbito dimensional mais ou menos consabido da música alentejana, do mesmo modo que ampliam o conhecimento e as noções sobre o corpus da música regional portuguesa(...)", pelo que, ainda segundo Lopes-Graça, pode-se definir o povo alentejano "(...)como sendo o mais «musical» da gente portuguesa "(...) entendendo-se por aí a sua natural capacidade para traduzir e conseptualizar em canto, a sua rara espontaneidade mélica, "(...) melódica (...)enfim, aquilo a que poderemos chamar a sua temperamental disponibilidade lírica, que o leva a achar boas todas as ocasiões, todas as horas, para dar largas à sua inata musicalidade".
As modas têm um reportório da música vocal de tradição oral do Baixo Alentejo. Têm características bastante particulares e encontramo-las numa região que a grosso modo corresponde ao Baixo Alentejo, isto é, uma faixa mais ou menos plana compreendida entre a raia e o litoral. (Era para vermos a imagem, mas um problema técnico impede-nos mas eu sugiro que imaginemos, porque conhecem bem o Alentejo, todos os que aqui estão, com certeza) Esta região delimitada a Norte pelas povoações de Reguengos de Monsaraz, Monte de Trigo, Torrão e Grândola; a Sul pela Mina de São Domingos, Mértola, Almodôvar e Odemira; a Oeste pelo Mar; e a Leste pela fronteira espanhola compreendida entre Reguengos de Monsaraz e a Mina de São Domingos. Por outro lado os coros polifónicos do Baixo Alentejo terão tido a sua origem na música eclesiástica, de que são exemplo o "Cântico ao Menino" e o "Canto dos Reis".
Os diversos tipos de cante
O cante alentejano é o canto na sua vertente tradicional, que embora ganhe um tom dialectal com as características de cada região onde cantado, personifica o "cantar as modas" na sua verdadeira pureza e essência. Serpa, Pias, Moura, Barrancos, Sobral da Adiça - onde encontramos o chamado cante raiano - assim como Almodôvar, Castro Verde ou Ourique, são alguns exemplos da maneira diferente como se canta de região para região. O cante alentejano é pois o cante vocal na sua forma mais pura, onde é apenas utilizado o alto, o ponto e os suportes.
Podemos então propor a divisão do cante em três grandes grupos:
O cante tradicional que se pode subdividir em: cante rural; cante ribeirinho; cante raiano; cante religioso; cante mineiro e cante do trabalho. Uma característica comum a este grupo será a ausência de instrumentos musicais.
Num segundo grande grupo, que designaríamos por cante popular, podemos incluir os grupos corais, os grupos etnográficos, os coros aligeirados, as cantigas dos mastros e os cantados à capella. A sua origem é sobretudo rural, mas nalguns casos pode ser a conjugação do rural com o urbano, ou sobretudo este. Uma das suas características é a introdução de elementos novos que, de alguma forma, o afastam da pureza tradicional do cante. Surge o suporte instrumental mas também os trajes, que são elaborados a partir de recolhas e estudos efectuados. O cante campaniço - que à partida se poderia enquadrar neste grupo, é, em certa medida um caso à parte. Caracterizando-se pelo uso da viola campaniça que é seguramente das mais arcaicas violas populares, e um dos mais ricos e interessantes instrumentos arcaicos populares portugueses, que se encontra actualmente em vias de extinção, apenas circunscrito a aldeias dos concelhos de Odemira, Ourique, Castro Verde, mas cuja expansão geográfica atingiu, em tempos, todo o Baixo Alentejo.
Um terceiro grupo corresponde ao cante tradicional cantado nas grandes urbes, como na região da Grande Lisboa e nas comunidades emigrantes como é o caso de Toronto, Amsterdão, Bruxelas e também em França.
A vertente interventiva do cante alentejano
A resistência a todo o tipo de poder encontra-se no cante que designamos por tradicional e que é cantado pelos mais velhos, que não perderam as raízes à terra e mantêm a tradição mais pura e ancestral do cante vocal, transmitido oralmente de pais para filhos ao longo dos tempos. É muitas vezes defendido[1] que tenha tido as suas raízes nos coros gregorianos, quando em tempos muito recuados era forma de cantar em coro permitida pelo poder. A sua característica comum revela-se na denúncia e resistência ao poder, às injustiças, mantendo a dignidade e a altivez que caracteriza o alentejano, mesmo nas condições sociais mais precárias, mantendo sempre a cabeça levantada.
Consubstancia-se em muitos casos nas modas cantadas nos trabalhos do campo. São exemplos disso cantigas como:
Toda a vida fui pastor
Toda a vida guardei gado
Tenho um buraco no peito
De me encostar ao cajado

De me encostar ao cajado
E todo o dia ali estar
Toda a vida fui pastor
Não me mandaram estudar
ou esta:
Ó Serpa pois tu não ouves
Os teus filhos a cantar
Enquanto os teus filhos cantam
Tu, Serpa deves chorar (...)
Outrora entoados nos campos durante os trabalhos agrícolas por homens e mulheres, este tipo de cante foi-se tornando maioritariamente masculino, à medida que a mecanização da agricultura levou à sua mudança para a taberna, onde o acesso era praticamente interdito às mulheres que deixaram assim, progressivamente, de participar nestes corais polifónicos.
Mas se estas modas deixam antever uma revolta subjacente a uma condição social inferior, onde a constatação dessa mesma condição não deixa lugar à acomodação, antes sim, à denúncia, que embora se misture com um certo misto de tristeza, preconiza necessariamente uma vontade de mudança.
A ironia também está presente nestas modas, como acontece na que se denomina "Moreanes" e tem o seguinte refrão:
Mas que linda comitiva
Que eu vejo ali a passar
São os nossos governantes
Que nos vêm visitar
ou a sátira mais mordaz e jocosa, caso desta moda:
Maria tem um menino
Não sabe quem lá lho pôs
Foi o cura de Marvão
Ou o padre de Estremoz
e continua:
As Comadres lá na aldeia
Falam com certa razão
Foi o padre de Estremoz
Ou o cura de Marvão.
É um cante com determinadas características, que se revela extremamente contundente na sua vertente diacrónica, falando de temas como a miséria, o trabalho, a dor, a alegria, a tristeza e a própria velhice, que, se encontra tratada no cante tradicional, como é o caso da seguinte moda:
Eu gostava de cantar
Mas agora já não canto
Eu agora já sou velho
Mandam-me assentar a um canto
e continua,
Já não vou domingo à feira
Já não ouço os passarinhos
Já não bebo os meus copinhos
Já me sento à lareira
Os comboios, meio de transporte importante num Alentejo não muito longínquo, onde havia poucas e más estradas, e o burro era muito usado, são também focados, numa perspectiva de revolta contra os poderosos:
Já lá vem o comboio novo
Muito bem embandeirado
Se as bandeiras fossem de ouro
Não trajava de encarnado.
Mas esta característica diacrónica do cante revela-se em cantigas já posteriores ao 25 de Abril, como a conhecida "Alentejo Produtivo", de José Vicente.
E porque os cursos de água - o Guadiana, o Sado e o Mira, nomeadamente - são também uma característica marcante do povo alentejano, ocasionam, por vezes, a existência de modas onde se inter-relacionam a água com o amor e a paixão. Assim, antes de terminar, gostaria de recordar duas modas muito belas:
A ribeira quando enche
Vai de pedrinha em pedrinha
E o homem que leva a barca
Leva o meu bem na barquinha
assim como outra, porventura mais divulgada:
Rio Mira vai cheio
E o barco não anda
Tenho o meu amor
Lá na outra banda

Lá na outra banda
Lá no outro lado
Ribeira vai cheia
E o barco parado
Conclusão
Para concluir, gostaria de dizer que o cante alentejano mantém as características mais genuínas e ancestrais da forma de cantar do povo alentejano. Personifica, em muitas das suas formas, uma resistência ao poder ao longo dos tempos, interpretado pelos mais velhos que não perderam as raízes à terra.
Na sua vertente popular, é interpretado por solistas, cantores e grupos etnográficos que transformam e, por vezes, adulteram a sua estrutura original.
Por outro lado, o cante rural entoado nas urbes, fora do Alentejo, representa a resistência ao desenraizamento dos que debandaram para as grandes cidades, mas que mantêm a Alma Alentejana, e daí não posso deixar de fazer uma referência, obrigatória, ao grandioso trabalho desenvolvido, em defesa do cante alentejano, ao longo de toda a sua vida, pelo Francisco Paquete.
Muito obrigado.
José Miranda
Obrigado Eduardo Raposo, pela sua brilhante exposição e mais uma vez relembro que as pessoas que vão agora fazer perguntas, que sejam breves, porque de facto estamos muito, muito atrasados. Já temos um outro comunicador que vai deixar este espaço, porque estamos muito atrasados. Posto isto não há mais perguntas, vamos fazer um intervalo para o café. Desde já agradecemos à mesa, muito obrigado. Obrigado a todos e de facto os Congressos, habitualmente as pessoas costumam dormir um bocadinho e felizmente, aqui, pelo que eu estou a ver ainda ninguém adormeceu, o que é bom sinal. Obrigado.
José Roque
Só dizer uma coisa, nós tínhamos programado para intervalo cerca de 15 minutos, vamos tentar encurtar esse espaço para que ganhemos algum tempo no segundo painel.
[1] Embora a sua génese seja, em certa medida, havendo quem sustente a sua origem gregoriana, eclesiástica ou cristã e quem advogue a sua origem árabe ou islâmica. E se porventura a primeira destas teses é a que terá mais adeptos, todavia, sendo inegáveis os laços culturais milenares análogos em toda a bacia mediterrânica – onde se encontram sonoridades com semelhanças, por exemplo entre o cante alentejano e as expressões musicais da Córsega ou do Magreb -, não obstante a investigação para concluir da génese do cante alentejano, estar ainda para fazer, quanto a nós, o que atrás ficou dito, pode consubstanciar a hipótese de uma raiz comum.

terça-feira, junho 12, 2007



(...)
Alentejo, na sua origem também uma expressão descritiva, tornou-se depois nome próprio, e assim aparece já no século XIV (com ou sem artigo), com grande representação em cantigas populares, (...)
In: A FORMAÇÃO DE PORTUGAL de Orlando Ribeiro, Ministério da Educação, 1987

MODA: "VAE-TE EMBORA, PASSARINHO"

IN: CANCIONEIRO DE MÚSICA POPULAR

segunda-feira, junho 11, 2007

QUE MODAS? ... QUE MODOS?


APRESENTAÇÃO:

LOCAL: Centro Social e Cultural da Silveira - Lajes do Pico

DIA: 21 de Março de 2005

HORA: 21:30 Horas

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Boa noite!
Exmª. Senhora Presidente da C M das Lajes do Pico
Exmº. Sr. Dr. João Andrade Santos
Exmº. Senhor José Roque
Exmª. Senhora Drª. Maria Eduarda Rosa
Exmª. Senhora Drª. Olga Ávila
Exmº. Senhor Maestro Emílio Porto
Meus Senhores e minhas senhoras

Não me é fácil determinar os motivos do porquê de lançar um livro de actas de um Congresso realizado no Alentejo, em 1997, sobre um tema tão genuíno, como são os seus cantes. Mais correcto seria, de facto, lançá-lo lá, no Baixo-Alentejo.

No entanto e porque é importante ver mais além Tejo, porque não ver mais além Mar, e encontrarmo-nos na imponente ilha do Pico, na bonita Vila Baleeira das Lajes, na Silveira, aproveitando a boleia de Almeida Firmino - da planície à ilha - e fazer um brilharete, que ficará para a história do Ser Alentejano: do seu povo e do seu cante em especial.

As coisas não acontecem por acaso e hoje, dia do início da Primavera, mais razões temos para nos sentirmos felizes, por trazermos a este povo Picoense uma mensagem de algo que, para eles, poderá ser diferente mas que no arrolar de interesses indica o quanto é preciso fazer, quer no Alentejo como nos Açores ou em qualquer parte do mundo. - Tornar possível o FEITO. Temos é que meter mãos à obra.

Quando em 1995 iniciei a tarefa de inventariar os grupos/ranchos de cante alentejano, não fazia a mínima ideia das dificuldades que me iriam dar grande prazer em contornar. E foram bastantes. Na altura dirigi-me ao então Secretário da Cultura, Dr. Rui Nery, a pedir apoio. Claro que a resposta foi um não acentuado com a justificação de que não tinha perfil académico para desenvolver esse trabalho. Claro que lhe respondi que o trabalho ia ser feito e que lhe enviaria o resultado: o livro Corais Alentejanos, das Edições Margem, editado em 1997, onde estão referenciados 104 grupos, então, existentes no Alentejo e zona da Grande Lisboa (hoje existem perto de 140).

Só para termos um pouco a noção do estado de irrelevância e de desacreditação em que se encontrava o cante alentejano, relato a seguinte passagem: - Quando abordei o Grupo Coral "Os mineiros de Aljustrel", por sinal o grupo mais velho, constituído legalmente, dirigi-me a um cantador e disse que queria falar com o responsável do Grupo. Foi-me indicado um determinado senhor, a quem me dirigi e apresentei os meus propósitos. Tomou nota, disse que sim a tudo e ficou de me enviar os dados. Como tardavam, dirigi-me a Aljustrel e procurei o tal responsável, que ao fim ao cabo ninguém sabia quem era. E aí, com este novo contacto houve novamente a promessa de que enviariam os dados. Como nunca mais chegavam, um dia fui assistir a um encontro de Grupos Corais onde actuava o dito Grupo e aí fiquei a perceber o porquê da falha de informação. Quando fizera a primeira abordagem ao Grupo, a pessoa que me indicaram foi o porta estandarte, figura de menor relevo dentro da estrutura do grupo. Tal era o descrédito e desconfiança que então se vivia. Claro que as coisas normalizaram e hoje podemos dizer que temos um bom relacionamento.

Em 1996, numa conversa com o então Presidente da Casa do Alentejo de Lisboa, fui convidado para organizar o Congresso do Cante, isto porque foi considerado que eu tinha um abrangente conhecimento do estado da música tradicional alentejana. Aceitei mediante condições, que foram aceites, e que provocaram muitos amargos de boca.

Hoje e aqui, se encerra a minha missão de Comissário do I Congresso do cante.

Sobre o livro unicamente citarei o resumo das conclusões. Antes disso quero salientar e agradecer à Maria Eduarda, que me acompanha desde Outubro de 97, neste feito, e que sem o seu sacrifício, saber e ajuda não teríamos actas, e a todos aqueles que de uma forma ou de outra tornaram possível este TERMINAR BEM.

Passemos ao:

RESUMO DAS CONCLUSÕES:
Podemos sintetizar em seis pontos as grandes conclusões deste Congresso:

1. O incentivo à investigação da génese, ainda desconhecida, em certa medida, do cante alentejano, havendo quem sustente a sua origem gregoriana, eclesiástica ou cristã e quem advogue a sua origem arábica ou islâmica.

2. O desenvolvimento de esforços no sentido da constituição de um organismo que seja depositário da memória da idiossincrasia do cante alentejano - um arquivo audiovisual do Alentejo. Neste deverão figurar as gravações sonoras (comerciais ou de campo); os registos visuais dos grupos de cante entoando as melodias, narrando estórias da vida, etc.; os livros e diverso material iconográfico; os trajes; os objectos de artesanato, de trabalho, mineiro, rural, etc.; a colaboração com as Universidades ou outras escolas, onde leccionem especialistas do cante, poderá e deverá existir. Poderá este arquivo estar incluído num futuro Instituto Alentejano da Cultura e Desenvolvimento.

3. A inserção da teoria e da prática do cante alentejano nos programas escolares, havendo quem sustente essa incorporação nas escolas de ensino público e quem defenda a criação de escolas de cante independentes do poder do Estado.

4. A preservação da etnomusicologia alentejana como um todo (o cante, o despique, o baldão, a viola campaniça). Nesta matéria as opiniões dividem-se. Os mais fixistas sustentam que os espectáculos de cante se devem realizar com o traje a rigor tradicional; outros evolucionistas advogam que o cante deve manter a sua genuinidade musical, mas as letras das canções e os trajes podem evoluir e ser adaptados a este final do século XX e a inclusão no cante da voz feminina.

5. A vinculação das autarquias em todos os concelhos alentejanos, na defesa e propagação do cante. As Câmaras Municipais deverão dar apoio logístico (transporte, sedes para grupos corais, imprensa, etc.) e financeiro aos grupos e escolas de cante, sem que estas caiam no domínio da política partidária.

6. A formação de uma federação de folclore alentejana - a Federação de Grupos Corais Alentejanos - que poderá ser a força motriz da formação do arquivo audiovisual do cante alentejano e dos próximos Congressos do cante alentejano.

José Francisco Pereira
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FICHA TÉCNICA:
Título: Que modas? ... que modos? (actas do I Congresso do Cante)
Edição e destribuição:
FaiAlentejo – Organização Cultural
Varadouro - Capelo 9900 – 302 Capelo
Tel. 964 607 927
e.mail: faialentejo@gmail.com

Tiragem: 500 exemplares

Capa de António Galvão
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O 1º. CONGRESSO DO CANTE ALENTEJANO

TEVE O ALTO PATROCÍNIO DE

SUA EXCELÊNCIA O PRESIDENTE DA REPÚBLICA PORTUGUESA


ENTIDADE PROMOTORA:

Casa do Alentejo
José Chitas Presidente da Assembleia Geral
José Pereira Jr. Vice Presidente da Direcção

COMISSARIADO DO CONGRESSO

José Pereira Comissário
Artur Mendonça Secretário
Paulo Gouveia Administrador

SECRETARIADO DO CONGRESSO

Da Casa do Alentejo:
José Pereira Jr. Vice Presidente da Direcção

De Beja:
José Roque Grupo Coral “Ceifeiros de Cuba”
João da Palma Grupo Coral S. S. Câmara Munic. Beja
José Francisco Colaço Cortiçol - Castro Verde
Luis Franganito Grupo Coral “Os Rurais Fig. Cavaleiros”
Manuel Coelho Grupo Coral “Camponeses de Pias”
Fernanda Patrício Grupo Coral do “MDM de Aljustrel”

De Évora:
Joaquim Soares Grupo Coral “Cantares de Évora”

De Setúbal:
José Jesus Grupo Coral “COOP de Grândola”

Da Grande Lisboa:
Carlos Botelho Grupo Coral “Unidos do Lavradio”
José Miranda Grupo Coral Damaia “Os Alentejanos”
Eurico Domingos Grupo Coral Ecos do Alentejo

COMISSÃO ORGANIZADORA:
BEJA:
Aljustrel:
Grupo Coral "Os Cigarras" Centro Republicano Aljustrel
Grupo Coral do Movimento Democrático das Mulheres
Grupo Coral Sindicato Ind. Min. Sul "Mineiros de Aljustrel
Grupo Coral, Infantil, "Os Grilinhos" de Aljustrel
Grupo Coral, Feminino, de Ervidel
Grupo Coral da Junta de Freguesia de Rio de Moinhos
Grupo Coral, Masc., Junta de Freguesia São João Negrilhos
Alvito:
Associação do Grupo Coral Alentejano de Alvito
Grupo Coral, Infantil, da Escola Primária de Alvito
Barrancos:
Grupo Coral Arraianos de Barrancos
Beja:
Grupo Coral da Casa do Povo de Albernoa
Grupo Coral do Externato António Sérgio de Beringel
Grupo Coral Feminino Externato António Sérgio Beringel
Grupo Coral dos Bombeiros Voluntários de Beja
Grupo Coral Caixa Social Cultural Câm. Municipal de Beja
Grupo Coral dos CTT
Grupo Coral da Freguesia de Cabeça Gorda
Grupo Coral da Casa do Povo da Salvada
Grupo Coral do Centro Cultural e Desportivo de São Matias
Castro Verde:
Associação de Cante Alentejano "Os Ganhões"
Grupo Coral Etnográfico "Os Carapinhas" de Castro Verde
Grupo Coral "Modas Campaniças"
Grupo Coral Etnog. Fem. "As Camponesas" Castro Verde
Grupo Coral "Vozes de Casével"
Cuba:
Grupo Coral "Os Ceifeiros" de Cuba
Grupo Coral Cubense "Amigos do Cante"
Grupo Coral Feminino "Flores do Alentejo" de Cuba
Grupo Coral "Os Corticeiros" de Vila Alva
Ferreira do Alentejo:
Grupo Coral "Unidos" de Alfundão
Grupo Coral "Raízes" de Alfundão
Grupo Coral, Infantil, "Sementes do Alentejo"
Grupo Coral e Etnográfico, Infantil, Rebentos do Alentejo
Grupo Coral Etnográfico "Alma Alentejana" de Peroguarda
Grupo Coral Etnog.. "Os Trabalhadores" F. do Alentejo
Grupo Coral A Reformados Concelho Ferreira do Alentejo
Grupo Coral Etnográfico, Infantil, de Figueira de Cavaleiros
Grupo Coral Etnográf. "Os Rurais" Figueira de Cavaleiros
Grupo Coral "Os Rurais" Santa Margarida do Sado
Mértola:
Grupo Coral "Guadiana" de Mértola
Grupo Coral da Mina de São Domingos
Moura:
Grupo Coral da Casa do Povo Santo Aleixo da Restauração
Grupo Coral "Restauradores"Santo Aleixo da Restauração
Grupo Coral de Santo Amador
Grupo Coral da Casa do Povo de Amareleja
Grupo Coral "Ateneu Mourense"
Grupo Coral de Póvoa de São Miguel
Grupo Coral da Casa do Povo de Sobral da Adiça
Odemira:
Grupo Coral de Vila Nova de Milfontes
Grupo Coral de Odemira
Grupo Coral de Sabóia
Ourique:
Grupo Coral "Alma Alentejana" de Garvão
Grupo Coral Feminino "Flores de Maio"
Grupo Coral Infantil de Garvão
Grupo Coral de Ourique
Serpa:
Rancho de Cantadores de Aldeia Nova de São Bento
Rancho Coral e Etnográfico de Vila Nova de São Bento
Grupo Coral "Ceifeiros de Serpa"
Grupo Coral e Etnográfico da Casa do Povo de Serpa
Grupo Coral "Os Arraianos" de Vila Verde de Ficalho
Grupo Coral e Etnográfico "Os Camponeses de Pias"
Rancho Coral "Os Camponeses" de Vale de Vargo
Vidigueira:
Grupo Coral, Feminino, de Pedrogão do Alentejo
Grupo Coral "Os Amigos" da Vidigueira
Grupo Coral "Vindimadores" da Vidigueira
Grupo Coral "Voz do Alentejo" de Vila de Frades
ÉVORA:
Évora:
Grupo Coral "Cantares de Évora"
Grupo Coral Etnog. "Pastores do Alentejo" T. de Coelheiros
Grupo de Cantares Alentejanos da Brigada Territorial nº. 3
Mourão:
Grupo Coral de Mourão
Portel:
Grupo Coral de Cantares Regionais de Portel
Grupo Coral e Instrumental "Voz Activa" de Santana
Grupo Coral "Trabalhadores" São Bartolomeu do Outeiro
Redondo:
Grupo Coral Trabalhadores de Montoito
Reguengos de Monsaraz:
Grupo Coral da casa do Povo de Reguengos de Monsaraz
Grupo Coral da Sociedade União Perolivense
Viana do Alentejo:
Grupo Coral dos Trabalhadores das Alcáçovas
" Velha Guarda" do Grupo Coral de Viana do Alentejo
Grupo Coral e Etnográfico de Viana do Alentejo
SETÚBAL:
Alcácer do Sal:
Grupo Coral Feminino Cantares do Xarrama
Grupo Coral Juventude do Torrão
Grândola:
Grupo Coral "COOP" Cooperativa Consumo de Grândola
Santiago do Cacém:
Grupo Coral e Instrumental "Os Afluentes do Sado"
Grupo Coral e Instrumental de Alvalade do Sado
Grupo Coral da Casa do Povo de Cercal do Alentejo
Sines:
Grupo Coral de Sines
DIÁSPORA:
Almada:
Grupo Coral "Amigos do Alentejo"
Amadora:
Grupo Coral, Alentejano, Soc. F. Recreio Artístico Amadora
Grupo Coral Alentejano da Brandoa
Grupo Coral "Os Alentejanos da Damaia"
Barreiro:
Grupo Coral Alentejano "Os Amigos do Barreiro"
Grupo Coral Alentejano "Unidos do Lavradio"
Cascais:
Grupo Coral "Estrelas do Guadiana"
Grupo Coral Alentejano do Bairro Além das Vinhas
Loures:
Grupo Coral da Liga dos Amigos da Mina de São Domingos
Grupo Coral e Instrumental "Ecos do Alentejo"
Moita:
Grupo Coral União Alentejana da Baixa da Banheira
Oeiras:
Grupo Coral Alentejano Acad. Recreativa de Linda-a-Velha
Grupo Coral Instrumental "Norte Sul"
Palmela:
Grupo Coral "Ausentes do Alentejo"
Seixal:
Grupo Coral Alentejano S. S. Autarquias Concelho de Seixal
Grupo Coral "Eco do Alentejo"
Grupo Coral Alentejano "Lírio Roxo"
Grupo Coral "Operário Alentejano"
Grupo Coral e Musical "Diversos do Alentejo" P. Frades
Sesimbra:
Grupo Coral "Voz do Alentejo" da Quinta do Conde
Setúbal:
Grupo Coral os "Os Unidos do Alentejo"
Grupo Coral do Clube de Futebol "Os Sadinos"
Sintra:
Grupo Coral Alentejano "Os Populares do Cacém"
Grupo Coral da AFAPS "As Andorinhas"
Vila Franca de Xira:
Grupo Coral "Unidos do Baixo Alentejo"

COMISSÃO DE HONRA:
Câmara Municipal de Alandroal
Câmara Municipal de Alcácer do Sal
Câmara Municipal de Aljustrel
Câmara Municipal de Almada
Câmara Municipal de Almodôvar
Câmara Municipal de Alter do Chão
Câmara Municipal de Alvito
Câmara Municipal de Amadora
Câmara Municipal de Arraiolos
Câmara Municipal de Arronches
Câmara Municipal de Avis
Câmara Municipal de Barrancos
Câmara Municipal de Barreiro
Câmara Municipal de Beja
Câmara Municipal de Borba
Câmara Municipal de Campo Maior
Câmara Municipal de Crato
Câmara Municipal de Cascais
Câmara Municipal de Castelo de Vide
Câmara Municipal de Castro Verde
Câmara Municipal de Cuba
Câmara Municipal de Elvas
Câmara Municipal de Estremoz
Câmara Municipal de Évora
Câmara Municipal de Ferreira do Alentejo
Câmara Municipal de Fronteira
Câmara Municipal de Gavião
Câmara Municipal de Grândola
Câmara Municipal de Lisboa
Câmara Municipal de Marvão
Câmara Municipal de Mértola
Câmara Municipal de Moita
Câmara Municipal de Monforte
Câmara Municipal de Montemor-o-Novo
Câmara Municipal de Montijo
Câmara Municipal de Mora
Câmara Municipal de Moura
Câmara Municipal de Mourão
Câmara Municipal de Nisa
Câmara Municipal de Odemira
Câmara Municipal de Oeiras
Câmara Municipal de Ourique
Câmara Municipal de Ponte Sôr
Câmara Municipal de Portalegre
Câmara Municipal de Portel
Câmara Municipal de Redondo
Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz
Câmara Municipal de Santiago do Cacém
Câmara Municipal de Seixal
Câmara Municipal de Serpa
Câmara Municipal de Sesimbra
Câmara Municipal de Setúbal
Câmara Municipal de Sines
Câmara Municipal de Sintra
Câmara Municipal de Sousel
Câmara Municipal de Vendas Novas
Câmara Municipal de Viana do Alentejo
Câmara Municipal de Vidigueira
Câmara Municipal de Vila Franca de Xira
Câmara Municipal de Vila Viçosa
Casa do Alentejo - Faro
Casa do Alentejo - Luxemburgo
Casa do Alentejo – Canadá
Universidade de Évora
Diário do Alentejo
Diário do Sul

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COMO NASCE O 1º. CONGRESSO DO CANTE
· Em 1995 é iniciada uma investigação, pesquisa, recolha e inventariação junto dos Grupos Corais existentes no Alentejo e na Diáspora, na zona da Grande Lisboa.
· É considerada a possibilidade de fazer, em 1997, um Congresso do Cante Alentejano, que será proposto para aprovação em Assembleia Geral da Casa do Alentejo, como entidade promotora.
· A realização do Congresso do Cante Alentejano é aprovada pela Assembleia Geral da Casa do Alentejo, conforme consta do Plano de Actividades para 1997, que se transcreve: “(...) 1.24- Fazer o CONGRESSO DO CANTE ALENTEJANO, com a direcção do sócio José Pereira e o apoio da Revista Alentejana, já em fase de planeamento; (...)”
· Em ofício enviado à Direcção da Casa do Alentejo, em 22 de Dezembro de 1996, são traçados os Princípios Normativos de como se irá organizar o Congresso.
a. Constituição do Secretariado
a.1. Composição
a.2. Sede
a.3. Equipamento
a.4. Funcionamento
b. Constituição dos Organismos do Congresso:
b.1. Mesa do Congresso
b.2. Comissões de Apoio ao Congresso
1. Primeiros objectivos:
1.a. Cartaz do Congresso.
1.1. De divulgação:
1.1.1. Grande espectáculo em Beja, até fim de Fevereiro de 1997;
1.1.2. Conferência de Imprensa em Lisboa, na Casa do Alentejo até 15 de Março de 1997;
1.1.3. Espectáculos, em todos os concelhos de Lisboa, Setúbal, Évora, Beja e nas Casas do Alentejo de Lisboa, Algarve, Canadá e Luxemburgo, entre 15 de Março e 15 de Setembro de 1997.
1.1.4. Publicidade do evento, através da rádio, televisão, jornais, revistas e outros meios, de 15 de Março até à realização do congresso.
1.2. Do empreendimento:
1.2.1. Definição dos Promotores;
1.2.2. Definição dos Apoiantes;
1.2.3. Definição da composição da Direcção;
1.2.4. Selecção e compilação dos elementos e materiais para o Congresso:
1.2.4.1. Constituição de Comissão;
1.2.4.2. Função.
1.2.5. Suportes:
1.2.5.1. Logísticos;
1.2.5.2. De contacto, pesquisa e representação;
1.2.5.3. Financeiros;
1.2.5.4. Comerciais.
2. Normalização e responsabilização:
2.1. Da Direcção;
2.2. Dos Promotores;
2.3. Dos Apoios;
2.4. Da Mesa do Congresso.

· Em 24 de Dezembro de 1996 é enviado um questionário a todos os grupos inventariados onde se pedia que respondessem, até 15 de Fevereiro de 1997, ao seguinte:
1. Estão de acordo que se realize o Congresso do Cante?
2. Onde acham que o mesmo se deve realizar?
3. ...
4. Quais são as melhores datas para realização do Congresso?
5. ...
...
Em 1 de Março de 1997 é realizada, na Casa do Alentejo, a primeira reunião com os Grupos Corais da Grande Lisboa. Da ordem de trabalhos constava:
1. Congresso do "Cante" Alentejano;
2. Actuações na Casa do Alentejo (Tardes Culturais);
3. Revista Alentejana;
4. Outros Assuntos de interesse comum.
Convocatória enviada em: 22 de Fevereiro de 1997.

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COMO SE DIVULGOU O 1º. CONGRESSO DO CANTE

ENCONTROS DE GRUPOS CORAIS


· Setúbal, 22 de Março de 1997 - Grupo Coral, Feminino, "Cantares do Xarrama" de Torrão; Grupo Coral e Etnográfico "Vozes de Casével"; Velha Guarda do Grupo Coral de Viana do Alentejo; Grupo Coral Alentejano "Amigos do Barreiro". Apresentado por Artur Mendonça.
· Évora, 5 de Abril de 1997 - Grupo Coral Cubense "Os Amigos do Cante"; Grupo Coral da Casa do Povo de Amareleja; Grupo Coral e Etnográfico de Vila Nova de São Bento; Grupo Coral Alentejano "Estrelas do Guadiana" de Tires. Apresentado por Fernanda Mestre, José Roque e Artur Mendonça.
· Beja - 17 de Maio de 1997 - Grupo Coral do Sindicato da Ind. Mineira do Sul "Mineiros de Aljustrel"; Associação de Cante Alentejano "Os Ganhões de Castro Verde"; Grupo Coral "Os Ceifeiros de Cuba"; Grupo Coral e Etnográfico "Cantares de Évora"; Grupo Coral e Etnográfico "Os Trabalhadores de Ferreira do Alentejo"; Grupo Coral e Etnográfico "Os Camponeses de Pias"; Grupo Coral e Etnográfico da Casa do Povo de Serpa; Grupo Coral da Caixa Social e Cultural da Câmara Municipal de Beja; Grupo Coral dos CTT de Beja Apresentado por Marta Rosa, Fernanda Mestre, José Roque e Artur Mendonça.
· Évora - 28 de Junho de 1997 - Grupo Coral e Etnográfico "Pastores do Alentejo" de Torre de Coelheiros; Grupo Coral "Os Restauradores" de Santo Aleixo da Restauração; Grupo Coral do MDM de Aljustrel; Grupo Coral, Alentejano, "Unidos do Lavradio"; Grupo Coral "Guadiana" de Mértola; Grupo Coral da Casa do Povo de Reguengos de Monsaraz; Grupo Coral e Instrumental "Afluentes do Sado" de Alvalade do Sado. Apresentado por Artur Mendonça.
· Marinha Grande (Praia da Vieira) - 16 de Agosto de 1997 - Grupo Coral e Etnográfico, Feminino, "As Camponesas" de Castro Verde; Grupo Coral do Centro Republicano de Aljustrel "Os Cigarras"; Grupo Coral "União Alentejana" da Baixa da Banheira; Grupo Coral "COOP" da Cooperativa de Consumo de Grândola. Apresentado por Artur Mendonça.
· Lisboa - 20 de Setembro de 1997 - Dia do Cante Alentejano em Lisboa, onde estiveram representados cerca de 40 Grupos, tendo sido feito um desfile pela Av. da Liberdade e actuação no Pavilhão Carlos Lopes (dentro e fora). Apresentados por José Roque e Artur Mendonça.
· Beja - de 5 a 9 de Novembro de 1997 - Desfiles de Grupos Corais, durante a Feira "Alentejo Alimentar", com uma média de 20 grupos por dia. DEVIDO À CATÁSTROFE QUE ASSOLOU O ALENTEJO NÃO FORAM FEITOS OS DESFILES NOS DIAS 5, 6 E 7 DE NOVEMBRO, tendo-se também reflectido na falta de comparência de alguns Grupos.
· No Centro Cultural de Belém todos os meses de Março a Outubro de 1997, actuaram Grupos Corais: Março - Grupo Coral "Os Ceifeiros" de Cuba; Abril - Grupo Coral, Alentejano da SFRA da Amadora; Maio - Associação de Cante Alentejano "Os Ganhões" de Castro Verde; Junho - Grupo Coral do Sindicato da Indústria Mineira do Sul "Mineiros de Aljustrel"; Julho - Grupo Coral e Etnográfico da Casa do Povo de Serpa; Setembro - Grupo Coral e Etnográfico, Feminino, "Flores do Alentejo" de Cuba; Outubro - Grupo Coral "Cantares de Évora".
FEIRAS e FESTAS
· Durante o "Viver o Alentejo" na Moita, que decorreu de 28 de Junho a 6 de Julho de 1997, foram feitos desfiles e actuações, na Baixa da Banheira e no Pavilhão de Exposições da Moita. O Congresso esteve representado com um Pavilhão.
· Os Encontros de Grupos Corais que se realizaram, no Alentejo e na Grande Lisboa, durante todo o ano, também foram palcos para divulgação do Congresso.
· Na Feira do Melão em Vila Franca de Xira, o Cante Alentejano, esteve representado com os Grupos Mineiros de Aljustrel e Diversos do Alentejo de Pinhal de Frades. O Congresso esteve também representado com o pavilhão.
· Na festa das Colectividades, realizada em Queluz, esteve representado o Grupo Coral "Os Populares do Cacém", com um Pavilhão.
COLÓQUIOS
- Em 31 de Maio de 1997, na Sociedade Filarmónica e Recreio Artístico da Amadora. Participaram: José Pereira, do Grupo Coral Alentejano “Os Populares do Cacém”; Francisco Poeira do Grupo Coral Alentejano da SFRA da Amadora; e, José Pereira Júnior da Casa do Alentejo.
- Em 6 de Julho de 1997, integrado na Feira Cultural e Económica “Viver o Alentejo”, na sala Maestro Lopes Graça da Biblioteca Municipal da Moita é lançado o livro Corais Alentejanos de José Francisco Pereira. A animação ficou a cargo dos Grupos “Modas Campaniças” de Castro Verde; Grupo Coral Alentejano “Os Populares do Cacém”; Grupo Coral Feminino “Cantares do Xarrama”; e Grupo Coral da casa do Povo da Amareleja. Participaram no Colóquio: Joaquim Soares do Grupo Coral Etnográfico “Cantares de Évora”; José Francisco Colaço da CORTIÇOL; José Coelho do Grupo Coral Alentejano “Os Amigos do Barreiro”; José Chitas da Casa do Alentejo; e Eduardo Raposo da associação Alma Alentejana.
- Em 21 de Setembro de 1997, no Pavilhão Carlos Lopes em Lisboa. Participaram: José Pereira, do Grupo Coral Alentejano “Os Populares do Cacém”; e Manuel Geraldo, jornalista.
- Em 17 de Outubro de 1997, no Grupo Recreativo da Quinta da Lomba, no Barreiro. Participam: José Simão Miranda do Grupo Coral da Damaia “Os Alentejanos”; José Coelho do Grupo Coral Alentejano “Os Amigos do Barreiro”; Carlos Botelho do Grupo Coral Alentejano “Os Unidos do Lavradio”; José Pereira do Grupo Coral Alentejano “Os Populares do Cacém; e Manuel Geraldo, jornalista.
- Em 24 de Outubro de 1997, no Auditório Municipal de Grândola. Participaram: Luís Franganito do Grupo Coral Etnográfico “Os Rurais de Figueira de Cavaleiros”; José de Jesus do Grupo Coral “COOP” de Grândola; José Pereira do Grupo Coral Alentejano “Os Populares do Cacém; Fernanda Patrício do Grupo Coral Feminino do MDM de Aljustrel; José Francisco Colaço da CORTIÇOL.
- Em 25 de Outubro de 1997, na Casa da Cultura de Beja, foi apresentado o livro “Corais Alentejanos” de José Francisco Pereira, com a presença de Carlos e Júlio do Trio Odemira e com a animação dos: Grupo Coral da Casa do Povo de Albernôa e Grupo Coral da Freguesia de Cabeça Gorda. O Colóquio: - O Cante Alentejano, foi moderado por Carreira Marques, Presidente da Câmara Municipal de Beja e foram oradores: Henriques Pinheiro, Conservatório Regional do Baixo Alentejo; José Francisco Colaço da CORTIÇOL; João da Palma do Grupo Coral da Caixa Social e Cultural da Câmara Municipal de Beja; Francisco Torrão do Grupo Coral Etnográfico da Casa do Povo de Serpa; António Cartageno do Coro do Carmo de Beja.
- Em 30 de Outubro de 1997, no Museu da Resistência, em Lisboa. Participaram: José Simão Miranda do Grupo Coral da Damaia “Os Alentejanos”; Manuel Geraldo, jornalista; e Vitorino Salomé, cantor.
- Em 31 de Outubro de 1997, no Museu da Resistência de Lisboa. Participaram: José Pereira do Grupo Coral Alentejano “Os Populares do Cacém”; e Júlio e Carlos Costa do Trio Odemira.

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SECRETARIADO
1ª REUNIÃO
CONVOCATÓRIA

Convocamos esse Grupo Coral, para uma Assembleia Geral a realizar na Casa do Alentejo, em Lisboa, dia 6 de Julho de 1997, às 10h00 da manhã.
Da ordem de trabalhos consta:
1. Leitura do relatório do Comissariado;
2. Dia do Canto Alentejano em Lisboa, 20 / 09 / 97;
3. Realização do Congresso em Beja ( Organização );
4. Diversos assuntos.
O Comissário do Congresso,
( José Francisco Pereira )
Lisboa, 23 de Junho de 1997
Nota:
- Deve cada Grupo indicar um ou dois representantes, que deverão confirmar a sua presença até dia 4 de Julho.
- O almoço será servido na Casa do Alentejo após encerramento dos trabalhos, pelo preço de 1.750$00 por pessoa.
- Da parte da tarde será lançado o livro Corais Alentejanos, na Feira da Moita " Viver o Alentejo", seguido do colóquio sobre o Canto Alentejano, pelo que será útil a presença dos representantes.

ACTA DA REUNIÃO DOS GRUPOS CORAIS
Refª.: Acta001/SEC/97
(realizada em 6 de Julho de 1997, na Casa do Alentejo)
Aos seis de Julho de mil novecentos e noventa e sete, pelas dez horas, reuniram-se os grupos corais para deliberarem sobre os pontos da ordem de trabalhos constantes na convocatória, enviada a todos os grupos corais, em devido tempo.
Foi constituída a mesa pelo seguinte elenco:
- José Chitas, (CA - coordenador)
- Luis Jordão, (CA - presidente da direcção)
- António Soares, (CA - vice-presidente da direcção)
- José Pereira, (Comissário do Congresso)
- Artur Mendonça, (Secretário)
- José Roque, (Ceifeiros de Cuba)
- Joaquim Piedade, (Reformados de Ferreira do Alentejo)
Presenças:
Grupo Coral "Os Cigarras" Centro Republicano Aljustrel
Grupo Coral do “Movimento Democrático das Mulheres”
Grupo Coral, Infantil, "Os Grilinhos" de Aljustrel
Grupo Coral, Feminino, de Ervidel
Grupo Coral, Masc., Junta Freguesia São João de Negrilhos
Grupo Coral da Casa do Povo de Albernoa
Grupo Coral do Externato António Sérgio de Beringel
Grupo Coral dos Bombeiros Voluntários de Beja
Grupo Coral da C. S. Cultural Câmara Municipal de Beja
Grupo Coral da Guarda Nacional Republicana
Grupo Coral dos CTT
Grupo Coral da Freguesia de Cabeça Gorda
Grupo Coral da Casa do Povo da Salvada
Grupo Coral do Centro Cultural e Desportivo de São Matias
Associação de Cante Alentejano "Os Ganhões"
Grupo Coral e Etnográfico "Os Carapinhas" Castro Verde
Grupo Coral "Modas Campaniças"
Grupo Coral Etnográfico F. "Camponesas" de Castro Verde
Grupo Coral "Vozes de Casével"
Grupo Coral Cubense "Amigos do Cante"
Grupo Coral "Os Ceifeiros" de Cuba
Grupo Coral Feminino "Flores do Alentejo" de Cuba
Grupo Coral "Os Corticeiros" de Vila Alva
Grupo Coral de Alfundão
Grupo Coral Etnográf. "Os Trabalhadores" de F. Alentejo
Grupo Coral da Assoc. Reformados Concelho de F. Alentejo
Grupo Coral e Etnográfico, Infantil, de F. de Cavaleiros
Grupo Coral e Etnográfico "Os Rurais" de F. de Cavaleiros
Grupo Coral "Guadiana" de Mértola
Grupo Coral da Casa do Povo de S. Aleixo da Restauração
Grupo Coral "Os Restauradores"
Grupo Coral de Santo Amador
Grupo Coral da Casa do Povo de Amareleja
Grupo Coral de Sabóia
Rancho Coral e Etnográfico de Vila Nova de São Bento
Grupo Coral "Ceifeiros de Serpa"
Grupo Coral e Etnográfico da Casa do Povo de Serpa
Grupo Coral "Os Arraianos" de Vila Verde de Ficalho
Grupo Coral e Etnográfico "Os Camponeses de Pias"
Grupo Coral "Os Amigos" da Vidigueira
Grupo Coral "Voz do Alentejo" de Vila de Frades
Grupo Coral Etnog. "Pastores do Alentejo" T. de Coelheiros
Grupo de Cantares Alentejanos B. Territorial nº. 3 G. N. R.
Grupo Coral e Instrumental "Voz Activa" de Santana
Grupo Coral da Casa do Povo de Reguengos de Monsaraz
" Velha Guarda" do Grupo Coral de Viana do Alentejo
Grupo Coral e Etnográfico de Viana do Alentejo
Grupo Coral "COOP" da Coop. de Consumo de Grândola
Grupo Coral Alentejano, Soc. Filarmónica R. A. Amadora
Grupo Coral Alentejano da Brandoa
Grupo Coral Alentejano "Os Amigos do Barreiro"
Grupo Coral Alentejano "Unidos do Lavradio"
Grupo Coral "Estrelas do Guadiana"
Grupo Coral e Instrumental "Ecos do Alentejo"
Grupo Coral "Ausentes do Alentejo"
Grupo Coral Alentejano S. S. . Autarq. Concelho de Seixal
Grupo Coral "Eco do Alentejo"
Grupo Coral Alentejano "Lírio Roxo"
Grupo Coral "Operário Alentejano" C. Cult. Desp. Paivas
Grupo Coral e Musical "Diversos do Alentejo" de P. Frades
Grupo Coral "Voz do Alentejo" da Quinta do Conde
Grupo Coral Alentejano "Os Populares do Cacém"
Da ordem de trabalhos constava:
1 - Leitura do relatório do comissariado;
2 - Dia do “Cante” Alentejano em Lisboa , em 20/09/97;
3 - Realização do Congresso em Beja (Organização);
4 - Diversos assuntos.
Foi lido pelo Comissário do Congresso, o relatório constante da ordem de trabalhos, e que abaixo se junta.
Do ponto 2 da ordem de trabalhos foram feitas algumas intervenções, das quais salientamos as proferidas pelos representantes dos: Amigos do Barreiro; Eco do Alentejo; Estrela do Guadiana; Casa do Povo de Reguengos de Monsaraz; Rurais da Figueira de Cavaleiros; Grupo Coral das Paivas; Unidos do Lavradio; Ecos do Alentejo; Ceifeiros de Serpa; Casa do Povo de Salvada; Cortiçol (representante de 4 grupos ).
De uma maneira geral, todos se pronunciaram favoravelmente, e irão participar com a sua presença. no entanto, foi salientado pelo Grupo Coral das Paivas que não poderia estar presente, uma vez que neste dia realiza o seu Encontro de Grupos, e como tal, os grupos do Seixal também não poderão estar presentes.
Ficou decidido que o secretariado iria enviar uma convocatória a todos os grupos para estarem presentes.
Do Ponto 3 da ordem de trabalhos, ficou informado que o NERBE se propunha a patrocinar a realização do Congresso, integrado na feira “ Alentejo Alimentar “, que se realizará em Beja nos dias 5,6,7,8 e 9 de Novembro de1997. E que o Congresso se faria no Anfiteatro do Complexo nos dias 8 e 9 de Novembro de 1997, e que o dia 7, seria para fazer a recepção dos congressistas e distribuição de documentação. Teceram considerações os representantes dos Grupos : Amigos do Barreiro; Cortiçol e Ganhões, e foi aceite por todos os Grupos presentes.
No Ponto 4 da ordem de trabalhos, foi aceite por todos os presentes que o Comissário do Congresso escolheria os elementos do secretariado, considerando que:
Beja - seja representada por 5 elementos;
Évora - seja representada por 2 elementos;
Setúbal - seja representada por 1 elemento;
Lisboa - seja representada por 3 elementos, incluído o elemento da Casa do Alentejo.
O Comissário logo que tenha escolhido os elementos, convocará uma reunião para tratar da organização do Congresso.
Foram encerrados os trabalhos quando eram doze horas e trinta minutos. Por ser verdade e para que conste se elabora a presente acta, que vai ser assinada pelos elementos da mesa.
Lisboa, 10 de Julho de 1997
Refª.: Acta001/SEC/97

ANEXO I - À ACTA DA REUNIÃO DOS GRUPOS CORAIS
(realizada em 6 de Julho de 1997, na Casa do Alentejo)
Lista de Faltas :
Grupo Coral da Junta de Freguesia de Rio de Moinhos
Associação do Grupo Coral Alentejano de Alvito
Grupo Coral, Infantil, da Escola Primária de Alvito
Grupo Coral Arraianos de Barrancos
Grupo Coral, Infantil, "Sementes do Alentejo"
Grupo Coral e Etnográfico, Infantil, Rebentos do Alentejo
Grupo Coral Etnográfico "Alma Alentejana" de Peroguarda
Grupo Coral da Mina de São Domingos
Grupo de Cantares da Póvoa S. Miguel
Grupo Coral de Vila Nova de Milfontes
Grupo Coral de Odemira
Grupo Coral "Alma Alentejana" de Garvão
Grupo Coral Feminino "Flores de Maio"
Grupo Coral Infantil de Garvão
Grupo Coral e Etnográfico da Casa do Povo de Serpa
Rancho Coral "Os Camponeses" de Vale de Vargo
Grupo Coral, Feminino, de Pedrogão do Alentejo
Grupo Coral "Vindimadores" da Vidigueira
Grupo Coral "Cantares de Évora"
Grupo Coral de Mourão
Grupo Coral de Cantares Regionais de Portel
Grupo Coral Trabalhadores de Montoito
Grupo Coral da Sociedade União Perolivense
Grupo Coral dos Trabalhadores das Alcáçovas
Grupo Coral "Amigos do Alentejo"
Grupo Coral "Os Alentejanos da Damaia"
Grupo Coral Alentejano do Bairro Além das Vinhas
Grupo Coral da Liga dos Amigos da Mina de São Domingos
Grupo Coral União Alentejana da Baixa da Banheira
Grupo Coral Alentejano Academia Recreat. Linda-a-Velha
Grupo Coral Instrumental "Norte Sul"
Grupo Coral os "Os Unidos do Alentejo"
Grupo Coral do Clube de Futebol "Os Sadinos"
Grupo Coral da AFAPS "As Andorinhas"
Grupo Coral "Unidos do Baixo Alentejo"
Grupo Coral Feminino Cantares do Xarrama
Grupo Coral e Instrumental "Os Afluentes do Sado"
Grupo Coral da Casa do Povo de Cercal do Alentejo
Grupo Coral de Sines

ANEXO II À ACTA DA REUNIÃO DOS GRUPOS CORAIS
(realizada em 6 de Julho de 1997, na Casa do Alentejo)
Lista de Faltas Justificadas :
Grupo Coral do Sindicato da Indústria Mineira do Sul" Mineiros de Aljustrel"
Grupo Coral da Casa do Povo de Sobral da Adiça
Rancho de Cantadores de Aldeia Nova de São Bento

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2ª REUNIÃO
CONVOCATÓRIA
Convoco os elementos escolhidos para o secretariado do “Cante” Alentejano, para uma reunião a realizar em Grândola, no dia 03 de Agosto de 1997, pelas 10 horas, na Coop. de Consumo de Grândola.
Ordem de trabalhos:
1 - Distribuição de funções;
2 - Calendarização das actividades;
3 - Diversos.
Será servido um almoço gentilmente oferecido pela Câmara Municipal de Grândola.
O Comissário do Congresso, (José Francisco Pereira)
Lisboa, 31 de Julho de 1997
refª. : Conv.003/SEC/97
Conforme deliberação da reunião dos Grupos Corais de 6 de Julho de 1997, foi proposto o seguinte elenco:
SECRETARIADO :
Casa do Alentejo: (1) - José Pereira
Beja: (5) – Cortiçol. a indicar ); Grupo Ceifeiros Cuba : José Roque; Grupo Camponeses Pias: Manuel Coelho; Grupo Caixa Social Beja: João Palma; Grupo M.D.M. Aljustrel: Fernanda Patrício; G.C. “Os Rurais” F. Cavaleiros: (a indicar).
Évora: (2) - Grupo Cantares de Évora: Joaquim Soares; Grupo Trabalhadores de Alcáçovas: José Inácio.
Setúbal : (1) - Grupo Coop. Grândola: José Jesus
Grande Lisboa : (3) - Grupo Unidos do Lavradio: Carlos Botelho; Grupo Alentejanos da Damaia: José Simão Miranda; G.C.I. “Ecos do Alentejo”: Francisco Simão
ACTA DA REUNIÃO DO SECRETARIADO
DO CONGRESSO DO “CANTE” ALENTEJANO
(realizada em 3 de Agosto de 1997, na sede da Coop. de Grândola
Aos três dias do mês de Agosto de mil novecentos e noventa e sete, pelas dez horas e trinta minutos, reuniu-se o Secretariado do Congresso do “Cante” Alentejano para deliberar sobre os pontos da ordem de trabalhos constantes na convocação, enviada aos respectivos delegados, em devido tempo.
Foi constituída a mesa pelo seguinte elenco:
- Isabel Revez ( C.M. Grândola - Divisão Cultural)
- Pacheco Miranda (Presidente da COOP, de Grândola)
- José Pereira (Comissário do Congresso)
- Artur Mendonça (Secretário)
Presenças:
Casa do Alentejo: (1) José Pereira
Beja : (3) - Grupo Ceifeiros Cuba: José Roque ; Grupo Caixa Social Beja: João Palma; Grupo M.D.M. Aljustrel: Fernanda Patrício
Évora : (1) Grupo Cantares de Évora: Joaquim Soares
Setúbal : (1) Grupo Coop. Grândola: José Jesus
Grande Lisboa : (2) - Grupo Unidos do Lavradio: Carlos Botelho; Grupo da Damaia “Os Alentejanos”: José Simão Miranda
Ausências justificadas:
Representação de Beja (2 Elementos)
- José Francisco (Cortiçol)
- Manuel Coelho (G. Coral Etnog. “Camponeses Pias” )
Representação de Évora (1 Elemento)
- José Inácio (G. Coral de Trabalhadores. de Alcáçovas)
Da ordem de trabalhos constava:
1 - Distribuição de funções;
2 - Calendarização das actividades;
3 - Diversos assuntos.
Foram dadas as boas vindas a Grândola pela representante da Câmara Municipal Drª Isabel Revés. A seguir o comissário do Congresso saudou os presentes e falou sobre alguns tratamentos impróprios dados a Grupos Corais por várias entidades, como foi recentemente o caso dos “Mineiros de Aljustrel” em Monsaraz. A este respeito intervieram J. Soares (Évora) e D. Fernanda (Beja) que falou em Montes Velhos com condições deficientes e no facto do seu Grupo (MDM Aljustrel) ter 10 anos de existência e só neste ano começar a deslocar-se a encontros e festas de corais por só agora ter estrutura para isso.
A seguir, o comissário do Congresso teceu considerações sobre a representatividade do Secretariado (actualmente com 11elementos), e propôs acrescentar mais 2 (dois) elementos a saber: Luís Franganito ou José Horta por Beja ( G.C. “ Os Rurais”, de Figueira de Cavaleiros) e Francisco Simão por Lisboa (G.C.I. “Ecos do Alentejo”, de Odivelas). - Esta proposta foi aprovada por unanimidade.
A seguir, o representante de Évora (J. Soares) informou que não tinha recebido a convocatória escrita para esta reunião. José Pereira disse a seguir que queria ouvir a opinião de todos sobre o modo como deve funcionar o Congresso, uma primeira impressão, tecendo algumas considerações sobre isso. Interveio depois José Miranda (Lisboa - Damaia), opinando que se deveria criar uma pequena brochura com o programa preliminar donde conste Comissão de Honra, Secretariado, objectivos (programação em pormenor, horários, etc. ...) , com um destacável para inscrição, a devolver ao secretariado. Falou também na necessidade de se falar desde já com a comunicação social, entidades oficiais, autarquias, para as sensibilizar para o evento. Nesta altura, o Comissário esclareceu que todas as autarquias com Grupos Corais Alentejanos nas suas áreas seriam da Comissão de Honra, mais o Presidente da República, o 1º Ministro e outros altos dignatários, ainda a contactar para o efeito. Falou depois José Roque (Cuba - Beja) na necessidade de se avançar com a ordem de trabalhos (Comissão de redacção, onde - quem - como - quando), e tentar jogar com o tempo para assuntos com mais ou menos interesse face ao número de inscrições. Carlos Botelho opinou para se partir dos temas pois assim seria mais fácil trabalhar.
João Palma (Beja), disse achar melhor seguir a ordem de trabalhos onde cada tema seria racionalizado com os temas mais importantes com mais tempo para discutir. Joaquim Soares (Évora), disse que seria melhor dar linhas de orientação aos interventores através de guião, lembrou o problema da etnografia das modas por região, dos subsídios e questões a levantar com especialistas qualificados : cita exemplo do Coral da Universidade de Évora (vertente científica). José Jesus (Setúbal - Grândola), concorda com temas propostos e chama a atenção para o problema do trajo: - só “aprumadinhos” não chega. D. Fernanda (Beja - Aljustrel), concorda, mas acha que não se pode ir muito longe assim porque os grupos têm poucos conhecimentos, embora considere que em cada região haja quem dê sugestões; acha que o “Cante” está na alma e lembra que ainda há pouco tempo alguém teria dito que o Cante Alentejano era maldito, não se sabe com que intenção. O Comissário fala a seguir na necessidade de “tomar conta” e “quem”, por regiões. Carlos Botelho, opina que talvez pequenos grupos possam tratar de várias vertentes (exemplo:- científica). José Miranda (Damaia - G. Lisboa), falou em seguida para dizer que se deveria ver primeiro a parte científica e depois a prática. Carlos Botelho (Lavradio- G. Lisboa), aconselha a resolver-se todas as questões internamente. Joaquim Soares (Évora), aborda o tema “Uma coisa é cantar em conjunto, outra coisa é apresentar o Alentejo a outros”, e fala na organização interna que urge fazer nos grupo; refere-se ainda aos “cachets” a apresentar quando se actue, principalmente para organizações “não oficiais”. José Miranda (Damaia- G.Lisboa), fala das melhorias a introduzir na componente etnográfica. A representante da Câmara de Grândola, instada a pronunciar-se, opina que é necessário perpetuar e valorizar o Cante que reflecte cultura e pôr o país alerta: pergunta o que fez o Ministério da Cultura; diz ainda que o Congresso não é um caso acabado, é preciso continuar a valorização, ir às raízes; qualquer cantor de “meia-tijela” pede nas calmas “cachets” de cem e mais contos. E os Grupos Corais? e o seu potencial enorme? Acha que o Congresso surge em altura fundamental. Seguem-se várias intervenções sobre o calendário do Congresso que acaba por ficar assim:
Dia 08/11
- 08h30 - Abertura dos trabalhos
- 09h30/12h30 - 1º tema: Situação actual dos grupos - Perspectivas
- Intervalo de 10 minutos às 10h30.
- 12h30/14h30 - Almoço
- 14h30/16h30 - 2º tema: Associativismo:
- Os Grupos
- Casa do Alentejo
- Federação do “Cante” Alentejano
- Outras Formas
- 17h00/18h00 - 3º tema: Ensino
- do Cante
- Nas escolas
- 18h00/19h00 - 4º tema: Etnografia
Dia 09/11
- 09h00/12h30 - 5º tema: Valorização do “Cante” Alentejano” - Formas de divulgação do “Cante”
Intervalo de 10minutos às 11h00
- 12h30/14h00 - Almoço
- 14h00/16h30 - 6º tema: O “Cante” Alentejano
- 17h00 - Leitura das conclusões e encerramento dos trabalho
- 19h30 - Actuação de Grupos Corais
O Comissário propõe comissão executiva de 5 membros a saber:
1- Casa do Alentejo
1- Beja (João Palma)
1- Évora (Joaquim Sores)
1 - G. Lisboa (Carlos Botelho)
1 - Setúbal (José Jesus)
Fala ainda no facto da última “Revista Alentejana” não fazer nenhuma alusão ao “Cante”. O hino do Congresso, ficará “Alentejo é minha terra”. Na proposta do MEC (Évora) patrocinar 25 CD’s , do dia do “Cante” em Lisboa, (20 de Setembro), da proposta da C.M. Ferreira do Alentejo para homenagear Giacometti, do Congresso do Alentejo em Estremoz (26, 27, e 28 de Setembro). Fica assente a próxima reunião para o Lavradio a 14 de Setembro pelas 10h00 (trata Carlos Botelho).
Foram encerrados os trabalhos quando eram treze horas e trinta minutos.
Por ser verdade e para que conste se elabora a presente acta, que vai ser assinada pelos elementos da mesa.
Lisboa, 03 de Agosto de 1997
Refª.: Acta002/SEC/97

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3ª. REUNIÃO
CONVOCATÓRIA
Lisboa, 05 de Setembro de 1997
Refª : Conv.004 SEC/97
Convoco os elementos escolhidos para o secretariado do “Cante” Alentejano, para uma reunião a realizar em Grândola, no dia 14 de Setembro de 1997, pelas 10 horas, na sede do Grupo Coral Alentejano “Os Unidos do Lavradio”, no Pátio dos Loios, nº1 1º Esq. Lavradio ( 2830 Barreiro) Tel: 203 10 02-
Ordem de trabalhos:
1 - Dia do Cante Alentejano em Lisboa;
2 - Congresso do Alentejo ( Apresentação);
3 - Congresso do Cante Alentejano.
O Comissário do Congresso,
José Francisco Pereira
ACTA DA REUNIÃO DO SECRETARIADO
DO CONGRESSO DO “CANTE” ALENTEJANO
(realizada em 14 de Setembro de 1997, na sede da SFAL - Lavradio
Aos catorze dias do mês de Setembro de mil novecentos e noventa e sete, pelas dez horas e trinta minutos, reuniu-se o Secretariado do Congresso do “Cante” Alentejano para deliberar sobre os pontos da ordem de trabalhos constantes na convocação, enviada aos respectivos delegados, em devido tempo.
Foi constituída a mesa pelo seguinte elenco:
- José Chitas, Pres. Assemb. Ger. Casa do Alentejo;
- Carlos Botelho, Grupo Coral do Lavradio;
- José Pereira, Comissário do Congresso;
- Artur Mendonça, Secretário.
Presenças:
Casa do Alentejo: (1) José Pereira
Beja : (4 ) - Grupo Ceifeiros Cuba: José Roque; Grupo Cxª Social Beja: João Palma; Cortiçol: José F. Colaço; G.C. “Os Rurais”, F. Cavaleiros: Luís Franganito.
Évora : (1) - Grupo Cantares de Évora: Joaquim Soares-
Setúbal : (1) - Grupo Coop. Grândola: José Jesus-
Grande Lisboa : (3 )- Grupo Unidos do Lavradio: Carlos Botelho; Grupo da Damaia ”Os Alentejanos”: .José Simão Miranda; G.C. “Ecos do Alentejo”, de Odivelas: Eurico Domingos.
Ausências justificadas:
Representação de Beja (2) - D. Fernanda Patrício (G.C. MDM, Aljustrel); Manuel Coelho (G. Coral e Etnográfico “ Os Camponeses de Pias” )-
Representação de Évora (1) - José Inácio (G. Coral de Trabalhadores de Alcáçovas)-
Da ordem de trabalhos constava:
1 - Dias do Cante em Lisboa, 20 e 21 / 09;
2 - Congresso do Alentejo em Estremoz (27 e 28 /09 );
3 - Congresso do Cante em Beja (08 e 09 / 11).
Foram dadas as boas vindas ao Lavradio por Carlos Botelho que agradeceu a presença de todos, mostrando-se satisfeito por a reunião decorrer na colectividade mais antiga do concelho.
A seguir falou José Chitas, pedindo a todos a melhor cooperação no sentido de se cumprir a ordem de trabalhos durante toda a manhã.
Em seguida foram aprovados por unanimidade, dois votos de condolências : - À Cortiçol pelo falecimento de Dª Perpétua Maria, uma das maiores intérpretes do “Cante Baldão”; - Ao Grupo Coral Alentejano “Unidos do Lavradio”, pelo falecimento do Sr. Cândido Rosa, elemento daquele Grupo.
Passou-se em seguida ao primeiro ponto da ordem de trabalhos ( Dias do Cante em Lisboa), falando em primeiro lugar, José Pereira, explicando que aquele espectáculo era para ter ocorrido em Maio ou Junho, teria mais “peso” para o Congresso mas tal não foi possível. A C.M. Lisboa ajudou, mas só foi possível marcar para 20 e 21 de Setembro - altura difícil; cita depois falta de apoios, a Casa do Alentejo donde chegaram recados a que não liga, no entanto gostava de mais empenhamento da CA.; pede para registarem em acta. Critica o facto de haver quatro espectáculos no mesmo dia com diversos grupos empenhados, cita caso do Seixal (com 12 grupos ), Évora com os “Cantares de Évora”, empenhados no programa da reunião das cidades património mundial), e ainda, a freguesia de Ourique também ocupando alguns grupos, num encontro local; afirma que se estes dias não correrem bem, os detractores vêm ao de cima, aliás já tem vindo a dizer isso, a última vez em Serpa, está tudo muito difícil, mas há-de fazer-se o melhor possível; fala no orçamento apresentado pela C.P. para os comboios especiais (4.400 contos inicialmente), alterados posteriormente, após reunião para 1750 contos, comunicado na última sexta-feira passada, agora é muito difícil ir junto da câmaras pedir ajuda, terá que dar uma resposta definitiva amanhã.
José Chitas intervém a seguir dizendo sentir-se algo desconfortável pela sua qualidade de representante da C.A.; reitera desconforto e diz ir transmitir amanhã à Direcção da C.A. o que ouviu: julgava que estava tudo estruturado, sente que há qualquer coisa que não funciona.
Joaquim Soares, diz que vai estar presente para diversas realizações na próxima semana em Évora; desconforto acontece sempre para quem anda por dentro dos acontecimentos, agindo mais em termos pessoais; sempre sentiu algo que por dentro não funciona bem; será que o Congresso do Cante não “puxa a carroça” e está a ferir susceptibilidades, levando entidades a fugir (??), podia chamar-se “Fórum”...; não tem havido ligações entre Grupos, há conflitos ( entre aspas ) e há organizações que vão falhar, como por exemplo algumas autarquias.
José Colaço, alertou para as enormes dificuldades que são naturais para pôr a casa em ordem, não é fácil, vão haver choques, a C.A. seria a Entidade “própria”, mas não tem a ansiedade nem o carinho, veremos até onde querem ir, a Direcção da C.A. só ganha com isso, compreende-se os pruridos, mas não há competição com o Congresso do Alentejo; o Dia do Cante Alentejano em Lisboa está em dificuldades porque, por exemplo, Ourique pediu ajudas e foram desaconselhados por muitos grupos, e agora estão comprometidos.
José Pereira esclarece atitude de Garvão, e diz que vêm cinco grupos de Ourique a Lisboa.
Luís Franganito esclarece que já estavam comprometidos para Paio Pires, mas vão deslocar o grupo infantil para Lisboa.
Eurico Domingos, intervém para dizer que tem havido alterações no G. C.”Ecos do Alentejo” e vão deslocar-se a Caneças às 16h00 do dia 20.
José Pereira pede apoio quanto ao caso da C.P.
José Miranda pede atitude positiva, não voltando atrás, quem vier vêm, ou C.P. ou autocarro, é consenso não voltar atrás, atenção com o Congresso.
José Pereira lê faxes da C.P., com preços (1º e 2º) ficando o segundo em 1750 contos.
José Miranda fala em “timing”.
José Pereira diz sentir dificuldades em pedir dinheiro às autarquias locais, fala no caso de utilizar este secretariado, diz ser extremamente difícil, à distância utilizar a Casa do Alentejo.
Carlos Botelho diz que os “Unidos do Lavradio“ estão presentes, também contribuirão para as despesas, ver quanto é que se pode pedir às câmaras, a Casa do Alentejo deve claramente dizer o que faz, ver quem poderá apoiar.
José Pereira só pede que a Casa do Alentejo ao menos não atrapalhe.
Luís Franganito, fala na Feira de Ferreira do Alentejo e no facto da respectiva Câmara Municipal não poder dar transporte, no entanto o grupo infantil deslocar-se-á a Lisboa tomando a responsabilidade total desse facto.
Joaquim Soares pergunta quando a C.P. precisa de receber, alvitrando ver quantas Câmaras podem pagar assumindo o respectivo compromisso.
João da Palma afirma ter dificuldades para vir no sábado 20, a Caixa Social da C.M.B. não pode suportar os custos.
José Pereira, diz que a ideia de Joaquim Soares quanto à C.P. é boa.
José Colaço pergunta quantos grupos estão servidos por estações da C.P. perto, uma vez que há muitos que estão longe.
José Miranda reforça a ideia do apoio das autarquias, alvitrando que se pedisse 100 contos a cada uma.
José Chitas aborda o problema de ajuste de calendário, talvez a data não fosse a melhor, não vêm 80 Grupos, vêm 50. Quanto a apoios logísticos lembra as limitações das autarquias, é preciso dar o primeiro passo, é mais importante, o problema do “Cante”, isto ultrapassa de longe tudo, faltam infra estruturas em cima, devia tudo estar mais adiantado em relação ao “Cante”, está a ser agitado (cita exemplo da Moita), mas ninguém tinha tido a coragem de se meter nesta aventura, é importante juntar para cantar, mas os desfiles, o Congresso do Alentejo, tudo muito polémico, houve realmente discussão na Casa do Alentejo, mas pelos vistos as coisas estão mal, há desconfianças e é preciso mais intervenção da C.A.
José Pereira fala nos princípios normativos com a C.A., nas falhas nos encontros dos Órgãos Sociais da C.A. (chegou a ir a quatro num dia), o Secretariado deve assumir o compromisso com a C.P. (cita a propósito, apoios da C.M. Vidigueira).
Joaquim Soares fala na circular da C.A. dizendo que José Pereira é representante e a C.A. é a promotora.
José Jesus pede esclarecimentos sobre maneira dos comboios virem e mobilização de pessoal, sendo esclarecido por José Chitas.
José Colaço pergunta a J.P. se há orçamento e apoios para as despesas e se C.A., C.M. Lisboa e outras autarquias dão dinheiro.
José Pereira esclarece : despesas feitas (+ - ) 2000 contos, receitas : 300 contos (do NERBE), havendo ainda a hipótese das organizações Fernando Barata cederem lugares em hotéis de Lisboa e Évora; há ainda outras perspectivas de patrocínios (+ - 5000 c.?), questão que passa pelo trabalho de Carlos Botelho.
José Roque, diz-se triste porque os Grupos Corais sabiam há muito do “Cante” em Lisboa, cita caso de Cuba, onde a Câmara avança com duas carrinhas e autocarro.
José Chitas lembra o enquadramento nos comboios especiais, e a recepção (dois dias, duas partes), fica a sugestão.
José Pereira fala na programação de Lisboa exaustivamente, desfile, apresentação, colaborações, colóquios, exposição, dia 21.
Joaquim Soares, a um pedido de José Pereira para a “ocharia” dos “Cantares de Évora”, estar em exposição no Pavilhão Carlos Lopes nos dias do “Cante” em Lisboa, disse que tal não era possível; falou no problema do desfile poder agrupar vários grupos, constituindo-se, talvez, por regiões, por maneiras de cantar, provocando impacto imediato na assistência.
José Colaço, diz da dificuldade do “Cante Baldão” vir a Lisboa; considera a ideia do desfile de Lisboa, um passo em frente, a dispersão dá união, mesmo que agora não resulte é de tentar mais vezes.
Luís Franganito, considera para já difícil a ideia do “grupo grande”, mas preparando vai-se lá.
José Jesus, também acha, para já, difícil...
Segue-se um pequeno ensaio com a moda “Rosa Branca Desmaiada” e intervalo para almoço, considerando a comissão de elaboração do programa que quem puder vir à tarde, vem.
Após almoço passou-se ao segundo ponto da ordem de trabalhos (Congresso do Alentejo, em Estremoz), falando em primeiro lugar José Pereira, mais para ver que Grupos lá poderão ir no Domingo 28, a partir da 9h30, com desfile, acompanhamento e almoço; é importante que do Secretariado do Congresso fosse feita uma intervenção (J.P. vai ler uma comunicação naquele Congresso).
José Miranda acha que a comunicação deve ser individual.
Joaquim Soares, fala em anteriores congressos ( Portalegre ? ), com impacto quase nulo, como que atirado para um canto.
José Chitas, diz que este ano, em Estremoz, talvez não seja assim.
José Pereira acha que só os corais estão organizados.
Carlos Botelho, diz não estar bem a questão de José Pereira ir fazer comunicação a titulo pessoal, e não percebe outro modo: acha que há duas posições, uns pró e outros contra.
José Pereira fala na questão de ser ou não vinculativa; o que se vai fazer é ou não assunto polémico ?; faz passar a mensagem por todos os elementos do Secretariado.
Encerrando o ponto 2 da agenda, fica assente que J.P. fará apenas uma comunicação ao Congresso.
Antes do último ponto da agenda, passaram-se em revista alguns PONTOS PRÉVIOS: sobre os elementos do Secretariado, Manuel Coelho ( “Camponeses de Pias”), enviou comunicação dizendo não poder estar presente; idem, Dª Fernanda Patrício (“M.D.M.”, Aljustrel). José Inácio (“Trabalhadores de Alcáçovas”) está indisponível: José Pereira sugere a sua substituição por outro elemento de Alcáçovas, ou por um de Portel, ganhando consenso a segunda hipótese.
José Pereira fala na colaboração para o Boletim, na publicidade para o mesmo e na necessidade de abrir campanha de recolha de fundos.
Carlos Botelho, diz que vai organizar a publicidade.
Próximas reuniões:
1ª - Évora - 04/10 às 10h00 (com hipótese de prolongamento para dia 5), possivelmente no Hotel D. Fernando, das organizações Fernando Barata.
2ª - Castro Verde - 18/10, às 9h00 (organização - Cortiçol).
3ª - Beja - 01e 02 /11, a definir, com a intervenção de João da Palma, da C.M. Beja.
Passou-se por fim ao ponto 3 da ordem de trabalhos (Congresso do “Cante em Beja).
Falou em primeiro lugar José Miranda para definição de linhas mestras sobre o programa, ver o que se pretende e elaborar o respectivo regulamento; para cada tema uma mesa com secretariado e convidados; ver painéis.
Seguiu-se uma discussão aberta com intervenções entre outros de José Roque, José Miranda; Carlos Botelho, Joaquim Soares, etc., chegando-se aos seguintes consensos:
A) É necessário pôr os Grupos a reflectir;
B) Cada tema deve ser moderado por um especialista (s);
C) Cada inscrição deve custar 2500$00;
D) Deve ser elaborada uma colectânea das intervenções;
E) Devem ser escolhidos grupos de trabalho para todas as vertentes (ex.: escolha da Comissão de Honra);
F) Distribuição de tarefas :
1) Publicidade: Carlos Botelho e C.M. Barreiro;
2) Comissão de Honra: José Pereira, João Palma e C.M. Beja;
3) Auscultação dos Grupos Corais: José Roque e C.M. Cuba;
4) Elaboração de Mesas: (C.M. Évora)
5) Elaboração de Regulamento: José Miranda, António Galvão e C.M. Amadora;
6) Convites a Personalidades: C.M. Ferreira do Alentejo;
7) Divulgação: C.M. Castro Verde;
8) Apoios para o desfile: C.M. Grândola;
9) Próxima missão a distribuir: C.M. Aljustrel.
Falta tratar do problema da alimentação (fornecimento e pagamento).
José Roque propõe mais um tema a incluir na “etnografia”: espólios, gastronomia e usos e costumes.
Foram encerrados os trabalhos quando eram cerca de 16h00-
Por ser verdade e para que conste se elabora a presente acta que foi por mim, Artur Mendonça, secretário em exercício, escrita e vai ser assinada por todos os elementos da mesa.
Lisboa, 14 de Setembro de 1997
Refª.: Acta003/SEC/97

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4ª. REUNIÃO
CONVOCATÓRIA
Lisboa, 29 de Setembro de 1997
Refª : Conv.005 SEC/97
Convoco os elementos escolhidos para o secretariado do “Cante” Alentejano, para uma reunião a realizar em Évora, nos dias 04 e 05 de Outubro de 1997. Sendo a concentração no dia 4, junto à Câmara Municipal de Évora pela 10h00.
Neste momento aguardamos resposta desta Câmara no que respeita ao pedido de apoio dos encargos com deslocação, alimentação e acomodação dos elementos do secretariado.
Ordem de trabalhos: - Congresso do Cante Alentejano.
O Comissário
José Francisco Pereira
ACTA DA REUNIÃO DO SECRETARIADO
DO CONGRESSO DO “CANTE” ALENTEJANO
(realizada em 04 de Outubro de 1997, na J.F. da Sé, em Évora
Aos quatro dias do mês de Outubro de mil novecentos e noventa e sete, pelas onze horas, reuniu-se o Secretariado do Congresso do “Cante” Alentejano para deliberar sobre o ponto único da ordem de trabalhos constante na convocação, enviada aos respectivos delegados, em devido tempo.
Foi constituída a mesa pelo seguinte elenco:
- Pereira Júnior, Casa do Alentejo;
- Joaquim Soares, Grupo Coral e Etnog. ”Cantares de Évora”;
- José Pereira, Comissário do Congresso;
- Artur Mendonça, Secretário.
Presenças:
Casa do Alentejo: (1) - José Pereira;
Beja : (5) - Grupo Ceifeiros Cuba : José Roque e Ermelindo Galinha; Grupo Cxª. Social Beja : João Palma; Cortiçol : José F. Colaço; G.C. “Os Rurais”, F. Caval.: Luís Franganito; G.C.”MDM”, Aljustrel: Dª Fernanda Patrício e Dª Graciete);
Évora : (1) - Grupo Cantares de Évora : Joaquim Soares e António Rosário;
Setúbal : (1) - Grupo Coop. Grândola : José Jesus);
Grande Lisboa : (2) - Grupo Unidos do Lavradio : Carlos Botelho; Grupo Alentejanos da Damaia : Miguel Soeiro.
Ausências:
Representação de Beja (1) - Manuel Coelho ( G. Coral e Etnográfico “Os Camponeses de Pias” );
Representação de Évora (1) - a indicar;
Representação da Grande Lisboa (1) - Eurico Domingos (G.C. “Ecos do Alentejo”, de Odivelas).
Da ordem de trabalhos constava:
1 - Congresso do Cante em Beja (08 e 09 / 11).
Foram dadas as boas vindas a Évora Joaquim Soares, que fez uma breve resenha sobre a freguesia da Sé e outros aspectos curiosos do Concelho de Évora, dizendo também dos motivos porque houve necessidade de alterar o local da reunião inicialmente prevista para a Soc. Recreativa Joaquim António de Aguiar.
De seguida procedeu-se à distribuição de cópias das duas últimas actas das reuniões do Secretariado (Grândola e Lavradio).
José Pereira falou dos próximos colóquios sobre “Cante” Alentejano, dando várias informações úteis; Carlos Botelho pediu documentação do Secretariado susceptível de publicar no Jornal do Barreiro.
Passou-se de seguida ao ponto único da agenda, O Congresso do “Cante” Alentejano, a realizar em Beja: Falou primeiro José Pereira dando conta do programa provisório englobado na feira “Alentejo Alimentar”, organizado pelo NERBE, incluindo desfiles dos grupos corais a 5;6;7;8 e 9 /11/97, sendo que os primeiros grupos a actuar serão da zona de Beja e os últimos da região da Grande Lisboa; pede para todos os grupos corais se pronunciarem sobre este caso.
João da Palma fala de algumas dificuldades na iluminação do desfile, alvitrando alteração do percurso.
José Pereira diz para o caso da iluminação e outros assuntos serão tratados em reunião com o Presidente da Câmara de Beja, já agendada.
Votado o início dos desfiles, chegou-se a um consenso. Terem início às 20h00, (de 5 a 7 inclusive), e 16h30 em 8 e 9 /11, tudo isto a propor ao NERBE.
José Pereira fala no encerramento do Congresso (9/11) poder vir a ter presenças de grupos estrangeiros (Tunísia, Angola, etc.).
Carlos Botelho alvitra também a presença de um G. C. Alentejano de preferência etnográfico, a sortear para não ferir susceptibilidades.
Pereira Júnior, propõe por ordem alfabética em vez de sortear.
Joaquim Soares propõe para o encerramento a presença “em força” do Cante, juntando três grupos em palco, o que em princípio pode ser complicado...
José Francisco Colaço considera poder ficar o espectáculo final muito longo, mas acha desejável com os grupos estrangeiros os grupos corais, talvez três como diz J. Soares, com actuações mais pequenas e a intercalar os estrangeiros.
Seguem-se várias intervenções e J. Pereira apela à hipótese dos grupos mais velhos ( 1-”Mineiros de Aljustrel”; 2- “Casa do Povo de Serpa”; e 3- “Ceifeiros de Cuba”), assumindo o secretariado este critério.
Pereira Júnior propõe desfile curto (como em Estremoz), com fanfarra a abrir. Dr. Colaço discorda.
Luís Franganito opina sem fanfarra e sem foguetes ( alguém tinha sugerido esta ultima modalidade ), dizendo não ser preciso chamar a atenção pois até está a decorrer nessa altura uma feira.
Carlos Botelho acha talvez com fanfarra um bocado antes e com foguetes.
José Roque propõe sem fanfarra e com foguetes e João da Palma corrobora e fala na necessidade de uma boa divulgação nas rádios locais.
Dª Fernanda Patrício e José Jesus propõem sem foguetes e sem fanfarra.
Critério assumido pelo Secretariado é sem fanfarra e sem foguetes.
O espectáculo de encerramento começará às 20h00. José Pereira fala na hipótese na presença de uma cantora da Córsega.
Luís Franganito pede que os grupos corais arranjem uma identificação pessoal (cada um faz a sua).
Consenso do Secretariado é ser da responsabilidade dos grupos arranjarem jovens que ostentem as placas identificativas uniformizadas.
José Pereira diz que há necessidade de elaborar constituição das mesas, comissão de honra, desdobrável, fazer ponto da situação das tarefas de cada um e apresenta esboço de regulamento e de cartaz.
José Francisco Colaço lê o esboço de regulamento do Congresso e é distribuída cópia a todos.
José Pereira fala da comunicação que leu em Estremoz no Congresso do Alentejo, e pede que se fale no colóquio ocorrido em Ferreira do Alentejo: sobre este último item Dª Fernanda Patrício opina terem sido atingidos os objectivos e é corroborada pelo Dr. Colaço, embora este último ache que as intervenções foram pouco desenvolvidas, com algumas “alfinetadas” à mistura ( Padre Alcobia versus Dr. Pinheiro); também acha que nos trabalhos do Congresso deviam estar mais explícitas as origens do “Cante”, os grupos têm o dever de se fazer alguma luz sobre esta temática (em Ferreira do Alentejo foi distribuído um documento sobre a matéria pelo grupo coral da G.N.R.), as pessoas estão preocupadas com os Grupos Corais, é necessário mais organização, mais dinâmica, só todos juntos seremos capazes de levar os grupos corais a alterar o rumo, há preocupações no ar sobre a militarização (?) do “Cante” com a criação de uma federação, mas há consenso de que algo tem de mudar; também fala no património da “moda”, preservado, classificando, é urgente ultrapassar o estado dos “coitadinhos” do Cante, algo de muito importante no Alentejo e no país.
José Pereira fala da necessidade de pormenorizar melhor os temas.
José Francisco Colaço diz que por se tratar do primeiro Congresso é mais generalista.
José Pereira analisa em pormenor o esboço de regulamento, diz ser necessário procurar um slogan e propõe as seguintes alterações : Nº 4 para “Casa do Alentejo e Grupos Corais”; Nº 10 passa prazo para 25 de Outubro; Nº 13 passa prazo para 30 de Outubro; Nº 07 inscrição colectiva até 3 pessoas (para grupos corais)- 5.000$00; inscrição colectiva (outros)- 7.500$00; inscrição individual--2.500$00.
Na Comissão de Honra acrescenta “Universidade de Évora” e “ Diário do Alentejo”.
Não altera ficha de inscrição.
Todas estas alterações colhem consenso do colectivo.
No que concerne a “temas para o Congresso” Dr. Colaço alvitra convites a interessados e estudiosos do “Cante”, e outra arrumação mais lógica dos temas; mais propõe para primeiro tema (Origem do “Cante”) a intervenção dos “teóricos” e para segundo tema “ A situação actual dos grupos”.
Por consenso fica a seguinte ordem dos temas, por dias e por constituição de mesas:
Dia 8/11/97 - sábado,
9h00 - sessão de abertura
9h30 - raízes e estudo do “Cante” Alentejano
Constituição da mesa:
Padre José A. Alegria
António Delfino
Dr. Pinheiro
Representante da Universidade de Évora
Representante da Universidade Nova
Do Secretariado: Dr. José Miranda
11h00 - Intervalo
11h15 - Situação actual do “Cante”
Constituição da mesa:
Dr. Francisco Torrão
Padre Cartageno
Representante da Universidade de Évora
Do Secretariado: José Pereira
13h00 – Almoço
14h30 - Associativismo: Perspectivas Futuras do “Cante”
Constituição da mesa:
Dr. Horta
José Coelho
Representante do Inatel
Representante da Federação Portuguesa de Folclore
Representante do Conservatório de Música de Beja
Pereira Júnior
Do Secretariado: Carlos Botelho
(José Pereira apresenta uma comunicação)
16h30 - Intervalo
16h40 - Perspectivas futuras do “Cante” (continuação)
Dia 9/11/97 - domingo,
9h00 - Valorização do Cante:- Ensino, etnografia e outros
Constituição da mesa:
Representante do Museu do Traje
Representante do INATEL
Representante da Universidade de Évora
Dr. Palminha da Silva
Francisco Manso
Maria do Amparo
Vivaldo Quintans
Do Secretariado: Joaquim Soares
11h00 - intervalo
11h15 - Valorização do Cante:- Formas de divulgação
Constituição da mesa:
Luís Jordão
Manuel Geraldo
Representante do Sindicato dos Jornalistas
Do Secretariado: Luís Franganito
A reunião foi interrompida para almoço sendo reatada às 15h25.
José Roque interveio para dar conta da auscultação aos grupos corais, no mínimo com respostas curiosas, vide “Ausentes“ de Palmela, mas ainda com poucas respostas recebidas, logo não é de fazer para já o balanço da situação.
Pereira Júnior intervém em relação à acção actual dos grupos.
José Francisco Colaço propõe que logo que acabe o Congresso se realize uma reunião geral dos grupos corais para criar uma entidade, legitimada no Congresso, em funções até à criação da Federação: - esta proposta foi aprovada por unanimidade.
Postas à consideração geral várias ideias para slogan do Congresso foi aprovada por maioria a frase “ Que Modas? Que Modos?», proposta pelos representantes de Cuba.
José Pereira anunciou reuniões em princípios da próxima semana com ele, João da Palma, C.M. Beja, NERBE, Junta de Turismo de Beja, etc., para se avançar com o processo e disse ser necessário que os grupos corais começassem a solicitar os convites para o evento.
Carlos Botelho falou a seguir nos apoios dizendo ser pouco animador o panorama actual; reuniu com o Dr. Mealha titular de empresa de publicidade que normalmente trabalha com a Casa do Alentejo, e embora haja perspectivas em aberto, já há muitas respostas negativas; opina que a Casa do Alentejo com a envergadura que tem não deveria ter intermediários a tratar destes assuntos, antes formas de contactos directos afirmando de que da reunião já citada resulta que da maioria dos contactados disse não; falou depois em contactos em aberto com a SIC, Antena 1, Antena 2, bem encaminhados, com spot’s nas duas rádios durante uma semana e hipóteses no programa matinal da Simone; faltam ainda muitas respostas; foi enviada carta a todos os grupos corais no sentido de fazerem contactos locais tendo sido recebidas até ao momento 5 respostas; o Grupo Coral do Lavradio apresenta cerca de 40 contactos para patrocínio; em seguida distribuiu pelos presentes cópia da carta enviada aos grupos corais; o grupo coral do Lavradio vai comparticipar com 10.000$00, apelando desde já a todos os grupos corais para participarem nos donativos; a Casa do Alentejo vai enviar cartas a todas as Câmaras Municipais e Juntas de Freguesia do sul pedindo participação financeira; seguiu-se um pequeno diálogo com Pereira Júnior, com este último a explicar as dificuldades financeiras actuais da Casa do Alentejo. José Pereira intervém para falar das dificuldades da “máquina” pesada de apoio da Casa do Alentejo, trabalhando com deficiências, embora não considere isto uma crítica.
José Francisco Colaço diz ter ficado preocupado quando ouviu dizer que era preciso arranjar (+ -) 10.000.000$00, para o Congresso : pela parte da sua organização vai contribuir, já contactou com o comércio local onde há pouca aceitação, nas Juntas de Freguesia há mais aderência, mas aí pensa que a Casa do Alentejo deve intervir; gostava de saber se há outras hipóteses de apoios.
José Pereira diz não ter utilizado as Câmaras Municipais para já, considera contactos com o Dr. Mealha longe de atingir os objectivos, pensa que a Casa do Alentejo deve agora fazer um esforço suplementar, lembra já estar aberta “campanha de fundos” no Boletim, todos devem empenhar-se, o Ministério da Cultura não apoia, a Direcção Regional do Alentejo talvez apoie, ou monetariamente ou de outro modo (por exemplo nos CDs a editar), lembra haver grupos corais com fundos avultados, alguns com (+ - ) 4.000 c. no activo (ex.: G.C. de Linda-a-Velha), vai ver se o Grupo do Cacém dá (+ - ) 100c., continua latente o problema da representatividade.
Luís Franganito afirma fazer tudo para que o respectivo grupo coral tome sempre a iniciativa, deram 1500 c. à igreja mas ainda dispõem de verba, não sabe exactamente quanto; o G.C. de Figueira de Cavaleiros é considerado uma “força viva” no concelho.
José Pereira disse que ia ser feita carta a todos os grupos corais onde será ponto forte a questão dos fundos e dos contactos com as firmas locais (extra -Dr. Mealha).
Carlos Botelho vai reunir na próxima segunda-feira com a Direcção da Casa do Alentejo para assentar verbas com a elaboração de orçamento para garantir os mínimos ao Congresso.
José Pereira gostaria de ver na Comissão de Honra os embaixadores dos países do norte de África e das antigas colónias, todas as C. M. da Grande Lisboa e Alentejo, e outras personalidades a indicar pelos grupos corais; também têm de ser feitas pastas para os participantes, cartões de acesso e livro de recibos para as inscrições dos oradores; também deve ser fornecida à Comissão de Honra uma agenda do Congresso; disse ainda que a França e a Espanha muito possivelmente iriam mandar especialistas sem encargos para a organização; falou ainda na jornada do NERBE em Lisboa (23; 24 e 25/10 - Praça da Figueira) e da necessidade de arranjar um casal - modelo ( ceifeira/o) e um grupo coral da Grande Lisboa, sendo indicado por consenso “Os Amigos do Barreiro”.
A próxima reunião terá lugar pelas 9h00 de 18/10 em Castro Verde.
Foram encerrados os trabalhos quando eram cerca de 18h15.
Por ser verdade e para que conste se elabora a presente acta que foi por mim, Artur Mendonça, secretário em exercício, escrita e vai ser assinada por todos os elementos da mesa.
Lisboa, 6 de Outubro de 1997
Refª.: Acta004/SEC/97


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5ª. REUNIÃO
CONVOCATÓRIA
Lisboa, 15 de Outubro de 1997
Refª : Conv.006 SEC/97
Convoco os elementos escolhidos para o secretariado do “Cante” Alentejano, para uma reunião a realizar em Castro Verde, no dia 18 de Outubro de 1997. Sendo a concentração junto à Biblioteca Municipal de Castro Verde, pelas 9h00.
Ordem de trabalhos:
1 - Congresso do Cante Alentejano.
O Comissário
José Francisco Pereira
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ACTA DA REUNIÃO DO SECRETARIADO
DO CONGRESSO DO CANTE ALENTEJANO
Realizada em 18 de Outubro de 1997, na Biblioteca Municipal de Castro Verde
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Aos dezoito dias do mês de Outubro de mil novecentos e noventa e sete, pelas dez horas e quarenta minutos, reuniu-se o Secretariado do Congresso do "Cante Alentejano" para deliberar sobre o ponto único da ordem de trabalhos constante na convocação, enviada aos respectivos delegados, em devido tempo.
Foi constituída a mesa pelo seguinte elenco:
- Pereira Júnior Casa do Alentejo
- José F. Colaço Coop. Cortiçol
- José Pereira Comissário do Congresso
- Artur Mendonça Secretário
Presenças:
Casa do Alentejo: José Pereira
Beja: (3)
CORTIÇOL: José F. Colaço e Milena
G.C."MDM", Aljustrel Fernanda Patrício e Domitíla Gil
G. C."Camponeses Pias" Manuel Coelho
Setúbal: (1)
G. Coop.Grândola José Jesus
Grande Lisboa: (2)
G. C.Unidos do Lavradio Joaquim Martins
G.C. D "Os Alentejanos" José Miranda
Ausências:
Beja: (3)
Ceifeiros de Cuba José Roque
G. C. Cx. Soc. C. Beja João da Palma
G. C."Os Rurais" Fig. C. Luís Franganito
Évora (1)
G. Cantares de Évora Joaquim Soares
Grande Lisboa (1 elemento)
-G. C."Ecos do Alentejo" Eurico Domingos
Da ordem dos trabalhos constava:
- Congresso do Cante em Beja (08 e 9/11)
Pelas 10h40 foram dadas as boas vindas a Castro Verde pelo Dr. Fernando Caeiros, Presidente da Câmara local, que assistiu apenas ao início dos trabalhos e fez votos de bom trabalho, e atribuiu 200 contos da edilidade para subsídio ao Congresso; falou depois, pelas 10h55, o Dr. Colaço, representante da "Cortiçol", dizendo da honra em receber a reunião do secretariado, em seu nome pessoal e da entidade que representa, desejando uma boa sessão de trabalho e achando que as ausências estão justificadas; a seguir José Pereira pediu uma intervenção de Pereira Júnior, da direcção da Casa do Alentejo, o qual disse guardar-se para depois do Congresso, após reunião com a Direcção da Casa do Alentejo; José Pereira fala depois na reunião efectivada na última 2ª. feira com a presença de toda a direcção da Casa do Alentejo, e todos os presidentes dos órgãos sociais daquele organismo e dele próprio, onde se constatou da preocupação de (quase) todos com o prejuízo que vai resultar por força da efectivação do Congresso do Cante, o orçamento respectivo está feito (e bem feito) e aí as receitas ficam aquém das despesas; depois a direcção propôs cortes a que José Pereira contrapôs um esforço a desenvolver para encontrar outras receitas; entretanto todos assumiram o prejuízo, calculado entre 3.000 a 6.000 contos, considerando a melhor e a pior das hipóteses, de qualquer modo a directoria da Casa do Alentejo far-se-á representar no Congresso ao mais alto nível. Congratularam-se com estas posições várias membros do secretariado (Dr. Colaço, J. Jesus, José Miranda e D. Fernanda Patrício). Pereira Júnior intervém para dizer que as finanças na Casa do Alentejo não estão famosas, são precisas obras de reparação, não se contava com isto, a campanha publicitária terá falhado, melhor aguardar os acontecimentos. José Pereira propõe seguidamente que o Boletim do Cante continue além dos 5 números previstos, pelo menos até suplantar os prejuízos da Casa do Alentejo, com periodicidade mensal: - Todos os elementos do secretariado presentes concordam com 2 achegas, primeiro do Dr. Colaço que faz questão de achar que o boletim é um veículo de comunicação imprescindível, e de D. Fernanda Patrício pedindo esclarecimento se passa a ser pago, sendo consenso geral que a distribuição deverá manter-se gratuita. José Pereira, ainda em relação ao boletim, informa que o próximo nº. dará saldo positivo e considera uma boa saída para o problema do saldo negativo da Casa Alentejo, considerando ainda que, se houver dividendos, serão distribuídos por todos; Dr. Colaço convida todos para assistirem à noite, pelas 20h00, ao espectáculo de canto baldão e despique, a ter lugar numa taberna típica de Castro Verde, tradição antiga por altura da feira agora a decorrer, já na 8ª. edição, cantos antigos que não se ensinam, antes são espontâneos. José Pereira falou no colóquio de ontem no Barreiro, com a presença de Julian del Valle, Alda Gois, José Miranda e José Coelho, que achou curioso, não conclusivo, com pistas novas em aberto para discutir no Congresso; fala noutro colóquio, a ter lugar em Grândola no próximo dia 24, pelas 19h00 na Biblioteca Municipal, pedindo a presença dos elementos do secretariado (Dr. Colaço informa que vai estar presente falando da componente etnográfica); também a 25 em Beja haverá colóquio e lançamento do livro sobre o Cante, da autoria de José Pereira, com início às 15h00, na Casa da Cultura. Também informa que a 30 e 31 em Lisboa, no Museu República e Resistência, pelas 18h30, terá lugar um ciclo de "Cante" alentejano e enumera a respectiva agenda. Sobre o Congresso, José Pereira informa ir reunir-se com o Presidente da Câmara Municipal de Beja na próxima 4ª. feira, pedir que a exposição itinerante do Museu Verdades de Faria sobre Giacometti e Lopes Graça esteja patente em Beja aquando do Congresso, e junto do pintor António Galvão também a presença dos seus quadros sobre modas (40) em Beja, talvez enriquecida com mais 2 inéditos; também fará diligências para exibições de filmes sobre temática do Alentejo, igualmente durante o Congresso, lembrando que há um filme sobre Giacometti feito por um realizador da Córsega; diligenciará também junto da Câmara Municipal de Beja que assegure recepção de convidados e congressistas participando ainda, se possível, na ajuda do pagamento dos jantares dos Grupos Corais, de 5 a 9/11: - pretende tudo definido na próxima reunião, a ter lugar em Beja a 1 e 2/11; Nerbe dará apoio logístico (som, fotocópias, etc.) e na questão de funcionários para coadjuvarem Artur Mendonça na comissão de redacção, de molde a que todas as intervenções dos diversos painéis possam ser trabalhadas e as respectivas conclusões serem lidas pelo já citado elemento. Seguem-se diversas intervenções (J. Miranda, D. Fernanda Patrício, Dr. Colaço) sobre esta última matéria sendo consenso que todos os interventores deverão entregar à Comissão de Redacção resumos escritos das respectivas comunicações, presença indispensável nas mesas de gravador. José Pereira apresenta programa final do Congresso, com temas, desfiles, etc., com 20 a 22 Grupos Corais por dia, sendo necessário não alterar as datas de actuação, salvo motivo de força maior, sendo urgente que todos respondam até dia 25, próximo; é também abordada a maneira como decorrerá o jantar volante dos Grupos Corais. J. Miranda pede esclarecimentos sobre a ordem dos desfiles, contestando a falta de ordem dos Grupos no que concerne principalmente à componente etnográfica (atenção principalmente a 8 e 9); Dr. Colaço diz que não há muitos Grupos com a parte etnográfica conseguida, há necessidade de reajustamentos e ordem, levar em conta nos desfiles o problema dos mais próximos e mais longe de Beja. José Pereira diz da celeuma levantada sobre a antiguidade dos grupos, mas considera o secretariado ter assumido a posição correcta; J. Jesus pergunta se o Grupo Coral de Mértola é o mais antigo, J. Miranda pensa não ser significativo, Pereira Júnior garante ser Mértola mais antigo e pode provar com documentação, J. Pereira diz faltar só consenso e tal é conseguido. J. Pereira aborda o problema da constituição das mesas pensando cada uma ter que englobar um elemento do secretariado e outro da universidade, analisar ainda quem deve moderar; Dr. Colaço pensa ser de estudar caso a caso, mesa a mesa. J. Pereira informa estar assegurado o alto patrocínio do Presidente da República; depois propõe a constituição da comissão promotora (Casa do Alentejo, representada por José Chitas, Presidente da Assembleia Geral e Pereira Júnior, vice- presidente da direcção, mais todo o secretariado actual), da comissão organizadora (todos os grupos corais, actualmente III) e da comissão de honra (Casa do Alentejo, Associações Culturais do Alentejo, Governos Civis dos distritos do Alentejo, todas as Câmaras Municipais também do Alentejo, Juntas de Freguesia da região de Beja, Associação Cultural "Alma Alentejana" de Almada, embaixadas dos Palop's, Tunísia, Argélia, Marrocos, Itália, etc., artistas interessados no Congresso, Escolas Superiores de Música, Museu de Etnologia, Museu do Traje, Direcções escolares de Beja e Évora, casas do Alentejo de Toronto, Luxemburgo e Faro, Grupos Corais Alentejanos no estrangeiro e no norte do país, Federação Nacional de Municípios, Federação Nacional do Folclore Português, Federação Portuguesa das Colectividades de Recreio e Associação Portuguesa da Imprensa Regional); todos os membros do secretariado deverão indicar para estas comissões outros nomes que lhes ocorram e deverão tentar contactos com grupos no exterior (Paris? Luxemburgo?); por via de dúvidas é lida, ainda por José Pereira; a actual constituição do secretariado; mais informa que os "desdobráveis" vão hoje ser entregues na Casa do Alentejo, comentando que António Galvão se esmerou, não sendo possível terem sido feitos em Beja (5.000 exemplares); os cartazes também ficarão prontos e vai ser contactada a Federação Portuguesa das Colectividades de recreio no sentido de colaborar na divulgação do Congresso; são prestados ainda alguns esclarecimentos adicionais ao representante de Pias. De seguida é feita uma análise à constituição das mesas tendo intervindo José Miranda sobre o "timing" das comunicações; na próxima reunião o secretariado irá debruçar-se sobre o tempo para os oradores, por consenso pensa-se em 10 minutos para cada, sem excepções; feita ainda uma 1ª. análise à constituição das mesas, a definir em próxima reunião; Dr. Colaço oferece de seguida lembranças a todos os presentes - a próxima reunião terá lugar pelas 10h00 de 1 a 2/11, em Beja. Foram encerrados os trabalhos pelas 13h00.
Por ser verdade e para que conste se elabora a presente acta que foi por mim, Artur Mendonça, Secretário em exercício, escrita e vai ser assinada por todos os elementos da Mesa.
Lisboa, 20 de Outubro de 1997
Refª.: Acta 005/SEC/97


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6ª. REUNIÃO
CONVOCATÓRIA
Lisboa, 27 de Outubro de 1997
Refª : Conv.007 SEC/97
Convoco os elementos escolhidos para o secretariado do “Cante” Alentejano, para uma reunião a realizar em Beja, nos dias 1 e 2 de Novembro de 1997, pelas 10h00 na Casa da Cultura.
Ordem de trabalhos:
- Congresso do Cante Alentejano.
a) Apreciação das inscrições.
b) Ratificação do programa
c) Diversos
Nota:
dia 1 - Almoço oferecido pela Região de Turismo Planície Dourada. Jantar e estadia oferecido pela C.M. Cuba.
dia 2 - Almoço oferecido pela Pousada de São Francisco, Beja.
O Comissário
José Francisco Pereira
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ACTA DA REUNIÃO DO SECRETARIADO
DO CONGRESSO DO CANTE ALENTEJANO
Realizada em 1 e 2 de Novembro de 1997, na Casa da Cultura de Beja (1/11) e na Sede do Sporting de Cuba (2/11)
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Aos um e dois dias de Novembro de mil novecentos e noventa e sete, reuniu-se o Secretariado do Congresso do "Cante Alentejano" para deliberar sobre a ordem de trabalhos constante na convocatória, enviada aos respectivos delegados, em devido tempo.
Foi constituída a mesa pelo seguinte elenco:
Em Beja (1/11/97):
- João da Palma G.C. Cx. Social da CM de Beja
- José Pereira Comissário do Congresso
- Artur Mendonça Secretário
Em Cuba (2/11/97):
- José Roque G.C. Ceifeiros de Cuba
- José Pereira Comissário do Congresso
- Artur Mendonça Secretário
Presenças:
Casa do Alentejo: José Pereira
Beja: (5 elementos)
CORTIÇOL: José F. Colaço
G.C."MDM", AljustrelFernanda Patrício e Domitíla Gil
G.C. Cx. Social C. M.Beja João da Palma
G.C. Et. Rurais F. Cavaleiros Luis Franganito
G. C. Ceifeiros de Cuba José Roque, Ermelindo Galinha
Évora: ( 1 elemento)
G. Coral Cantares de Évora Joaq. Soares, António Rosado
Setúbal: (1 elemento)
G. Coop.Grândola José Jesus
Grande Lisboa: (2 elementos)
G. C.Unidos do Lavradio António Horta
G.C. Damaia "Os Alentejanos" José Miranda
Ausências:
Beja: (1 elemento)
G.C. Et. Os Camponeses de Pias
Grande Lisboa (1 elemento)
-G.C. "Ecos do Alentejo"
Da ordem dos trabalhos constava:
1- Congresso do Cante em Beja (08 e 9/11).
a. Apreciação das Inscrições;
b. Ratificação do Programa;
c. Diversos.
João da Palma apresenta as boas vindas, eram decorridas onze horas e trinta minutos, lamentando a ausência de um representante da Câmara Municipal de Beja e pedindo desculpa pelo atraso no início dos trabalhos.
Previamente foram tecidas algumas considerações sobre as refeições e dormidas, em 1 e 2 de Novembro, dependente do andamento dos trabalhos, considerando-se a hipótese de algumas ausências, especialmente nos trabalhos do dia 2/11.
Passando-se à Ordem dos Trabalhos, foi lida por José Pereira a listagem dos inscritos, apreciando-se as mesmas, esclarecendo algumas dúvidas e ordenando por painéis, com a ajuda de José Miranda, ficando provisoriamente a seguinte ordem:
Dr. Rafael Rodrigues Painel C
Dr. Henriques Pinheiro Painel A
G. C. Os Ganhões de C. Verde Painel C/D
Julian del Valle Painel A
A. Alma Alentejana Painel ?
G.C. Populares Cacém Painel B
Alda Vitória Baltazar Só inscrição
G.C. Damaia "Os Alentejanos" Painel B
G.C. Amigos do Alentejo - Feijó Painel B
Carlos Godinho - Évora Painel B
Artur Mendonça Painel D
Rui Bebiano Painel D
C.M. da Moita Só inscrição
José Pereira Painel D
Joaquim Soares Painel D
Por consenso fica assente que só se receberão mais inscrições (congressistas e comunicações) até quarta feira.
José Francisco Colaço sugere que se faça uma listagem definitiva, sujeita ainda a ajustamentos, como é lógico, sendo aprovada, ficando como segue abaixo:
Painel A - Dr. Henriques Pinheiro
- Julian del Valle
- José Pereira (Sec)
Painel B - G.C. Damaia "Os Alentejanos"
- G.C. Populares do Cacém
-G.C. Amigos do Alentejo - Feijó
- Joaquim Soares (Sec)
Painel C - Rafael Rodrigues
- G.C. Amigos do Barreiro
- G.C. Os Ganhões- C. Verde
- G.C. Ceifeiros - Cuba
- Carlos Botelho (Sec)
Painel D - Rui Bebiano
- José Francisco Colaço
- Casa do Alentejo
- Artur Mendonça
- Fernanda Patrício (Sec)
Os trabalhos foram interrompidos entre as treze e as quinze e trinta, período durante o qual decorreu o almoço, gentilmente oferecido pela Região de Turismo Planície Dourada.
Retomando os trabalhos procedeu-se à confirmação das constituições das mesas, com tempos para os oradores, ficando como segue:
MESA A
Intervenções: Cónego José A. Alegria 20'
António Delfino 20'
Alma Alentejana 15'
Comunicações: Dr. Henriques Pinheiro 10'
Julian del Valle 10'
José Pereira (Sec) 10'
Coordenação: José Miranda Sec
José Roque Sec
Nota: Serão dados 10' para debates.
MESA B
Intervenções: Cónego A. Aparício e
Padre Cartageno 20'
Dr. Domingos Morais 15'
Comunicações: G. C. D."Os Alentej.nos"10'
G.C. Pop. do Cacém 10'
G. C. Am.Alentejo 10'
Joaquim Soares (Sec) 10'
Coordenação: José Pereira Sec
Fernanda Patrício Sec
Nota: Serão dados 10' para debates.
MESA C
Intervenções: Dr. António Lacerda 15'
Fed. Port. C.. C. Recreio 15'
Dr. Marcos Olímpio 15'
Prof. Dr. Franc. Ramos 15'
Comunicações: Rafael Rodrigues 10'
G.C. Am. do Barreiro 10'
G.C. Os Ganhões -C.V. 10'
G. C. Ceifeiros 10'
C. Botelho (Sec) 10'
Coordenação: José F. Colaço Sec
Carlos Botelho Sec
Notas: - Serão dados 5' para debate.
- Possivelmente haverá necessidade de dividir os intervenientes por duas mesas.
MESA D
Intervenções: Drª. Alda Góes 15'
Dr. Joaquim P. Silva 20'
Dr. José Orta 20'
Drª. Maria José Barriga 15'
Profª. Maria do Amparo 15'
Dr. António Gavela 20'
Francisco Manso 15'
Comunicações: Rui Bebiano 10'
Cortiçol 10'
Casa do Alentejo 10'
Artur Mendonça 10'
Fernanda Patrício (Sec) 10'
Coordenação: Joaquim Soares Sec
Luis Franganito Sec
Nota: - Serão dados 5' para debate após cada intervenção.
Por consenso convencionou-se que a ordem de trabalhos seria:
1º. Intervenções 15' a 20' conforme os casos.
2º. Perguntas Após cada intervenção, no máximo de 5'.
3º. Comunicações 10' cada.
É necessário que todos os oradores entreguem os respectivos currículos aos coordenadores.
José Pereira fala na questão do apoio, funcionando com secretariado permanente e o patrocínio do NERBE; na questão das identificações, fazendo listagens dos elementos do secretariado, dos oradores (intervenções e comunicações) e dos grupos corais (2 por grupo); necessário apreciar o programa, constituição da Comissão de Honra, donativos, relação por dias, por grupos corais que desfilam.
João da Palma fala no problema dos desfiles, das refeições que serão necessariamente, "volantes" e na estadia/ alimentação a garantir aos Congressistas.
José Pereira corrobora que vai tentar resolver as dúvidas de João da Palma agora esplanadas, questões que tem consenso do Secretariado.
Finalmente é enquadrada na Mesa A, por consenso, a comunicação da "Alma Alentejana".
Os trabalhos foram interrompidos pelas dezoito horas e trinta minutos.
A sessão foi retomada em Cuba, na sede do Sporting Clube, local, no dia 2 de Novembro de 1997, pelas dez horas e cinquenta minutos, começando por o José Roque que deu as boas vindas, fez uma pequena intervenção/resenha útil sobre Cuba e ofereceu medalhas do concelho a todos os participantes.
José Pereira fez o ponto da situação informando que na próxima Sexta feira pelas dezoito horas e trinta minutos, nas instalações do NERBE se procederá à distribuição das brochuras do Congresso e outros elementos que na altura se julguem necessários (exemplo: cartões de acesso); informou também que talvez ainda se possa fazer a exposição dos quadros de António Galvão, na casa da Cultura de Beja, isto se a respectiva Câmara se mostrar disponível para o efeito; falou na questão da decoração, com cartazes, slogans e outros motivos, no anfiteatro onde decorrerá o Congresso; falou na comunicação que pensa fazer homenageando os grandes homens do cante, falando nas origens (letras, músicas, etc.); João da Palma e José Pereira asseguram as montagens, nos pavilhões do NERBE; a questão da alimentação está garantida e João da Palma insistirá junto dos Grupos Corais para se saber o mais certo possível, o número de participantes (cantadores + acompanhantes, estes últimos pagando mil e quinhentos escudos por refeição).
José Pereira volta a referir os apoios ao Congresso (NERBE e Câmara Municipal de Beja), a colagem de cartazes em Beja (necessário arranjar equipa nesse sentido) e a questão "vídeo" sendo que Luís Franganito vai tentar arranjar um técnico para o efeito.
José Pereira passa depois em revista toda a agenda para 8 e 9 de Novembro (Eurico Domingos dos Ecos do Alentejo de Odivelas, não se poderá deslocar por afazeres profissionais inadiáveis).
Vai fazer-se convocatória a todos os elementos do Secretariado para estarem, pelas oito horas e trinta minutos de 8/11, nas instalações do NERBE.
Passou-se em revista exaustivamente todos os Painéis, fazendo-se ligeiras alterações.
João da Palma fala no festival de encerramento, estando o Grupo Coral e Etnográfico da Casa do Povo de Serpa já confirmado, ficando por consenso estabelecida a ordem de actuação, começando pelo mais moderno (Ceifeiros de Cuba, Casa do Povo de Serpa e Mineiros de Aljustrel).
José Pereira e João da Palma confirmam em pormenor os Grupos Corais que já confirmaram a sua presença nos desfiles.
José Pereira pergunta a seguir o que se vai fazer após o Congresso, propondo o José Roque de seguida, que se faça uma Assembleia Geral na Casa do Alentejo, 15 dias depois.
João da Palma propõe a data de 23 de Novembro pelas 9 horas, para a realização da citada Assembleia.
José Francisco Colaço diz ir focar esta situação na comunicação a fazer no Congresso, "Organizar para Fortalecer" é o lema, tem questões que não são pacíficas e diz haver duas hipóteses, Associação ou Federação, levando em conta o problema se só entram os Grupos Corais tradicionais ficando os musicais de fora, opinando ser melhor uma associação; fala no espaço vazio entre o Congresso e esta nova criação, pensa que deve mediar entre uma coisa e outra mais ou menos um ano, mas nesse ano haverá muito para fazer com a necessidade absoluta de um secretariado permanente já a fazer coisas, e a eleger na tal reunião passado um mês do Congresso; é necessário elaborar os estatutos, fazer a escritura, tudo isto durante o tal ano, após o que se faria uma reunião geral para eleição dos Corpos Gerentes.
Seguiram-se várias intervenções, na maioria concordantes com o abordado por José Francisco Colaço.
Por consenso, foi marcada a reunião geral para 30 de Novembro, pelas 10 horas, na Casa do Alentejo em Lisboa.
Também por consenso fica a ideia de se criar prioritariamente uma Federação.
José Pereira pergunta que questões deve colocar no programa Praça da Alegria da RTP Porto, na próxima terça feira, concordando o colectivo para que se fale na história do Cante e no porquê do Congresso, fazendo um discurso optimista, género "tudo na maior".
Foram encerrados os trabalhos quando eram treze horas.
Por ser verdade e para que conste se elabora a presente acta que foi por mim, Artur Mendonça, Secretário em exercício, escrita e vai ser assinada por todos os elementos da mesa.
Lisboa, 4 de Novembro de 1997
Refª.: Acta 006/SEC/97

REGULAMENTO
1 - A 1ª edição do Congresso do “Cante” Alentejano é subordinada ao tema “que modas? ...que modos?“
2 - O Congresso realiza-se em Beja, nos dias 8 e 9 de Novembro, nas instalações do NERBE (Núcleo Empresarial da Região de Beja), e integrado na feira “Alentejo Alimentar”.
3 - O I Congresso do “Cante” Alentejano, tem o Alto Patrocínio de Sua Excelência o Senhor Presidente da República, Dr. Jorge de Sampaio.
4 - O Secretariado do Congresso é composto pela Casa do Alentejo e os 108 Grupos Corais.
5 - O Secretariado do Congresso funciona na Casa do Alentejo de Lisboa.
6 - As inscrições dos congressistas é realizada mediante entrega ou envio de boletim próprio para o efeito, acompanhado de cheque no valor da inscrição, endossado à Casa do Alentejo de Lisboa.
7 - A inscrição é de:
a. Individuais - esc:-2.500$00 (dois mil e quinhentos escudos) e dá direito ao livro de actas;
b. Grupos Corais (até TRÊS elementos) - esc:-5.000$00 (cinco mil escudos) e dá direito ao livro de actas;
c. Outras instituições colectivas ( até DOIS elementos) - esc:-7.500$00 e dá direito ao livro de actas;
8 - Por cada inscrição é devido recibo que será enviado aos congressistas pelo Secretariado.
9 - A participação nos trabalhos do Congresso está condicionada a inscrição prévia, excepto os convidados e membros da Comunicação Social.
10 - O prazo de inscrições decorre até ao dia 25 de Outubro de 1997.
11 - Os congressistas podem apresentar comunicações individuais ou colectivas, mediante menção expressa no boletim de inscrição.
12 - Os comunicantes ficam obrigados a enviar um resumo da mesma, no espaço máximo de 1 folha A4 dactilografada ou, se possível, em disquete. (A disquete será devolvida).
13 - A aceitação da comunicação fica condicionada à recepção do resumo da mesma até dia 30 de Outubro de 1997.
14 - As comunicações podem ser entregues no Secretariado até dia 30 de Outubro de 1997, no espaço máximo de 15 páginas A4 dactilografadas.
15 - Findo este prazo, o Secretariado não se responsabiliza pela inclusão das comunicações no livro de actas a publicar depois do Congresso.
16 - As Comunicações que não forem proferidas durante o Congresso, não serão incluídas no livro de actas.
17 - O Secretariado colocará à disposição dos congressistas um conjunto de documentação da qual fará parte uma brochura com o resumo das comunicações. A documentação será entregue na recepção, presente nas instalações do NERBE.


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1º. CONGRESSO DO CANTE ALENTEJANO
SOB O TEMA que modas? ...que modos?
LOCAL BEJA Auditório do NERBE
Datas 8 E 9 DE NOVEMBRO DE 1997
PAINÉIS:
PAINEL A RAÍZES E ESTUDO DO CANTE
PAINEL B SITUAÇÃO ACTUAL DO CANTE
PAINEL C PERSPECTIVAS FUTURAS DO
CANTE
PAINEL D VALORIZAÇÃO DO CANTE
Ensino e Etnografia
Formas de divulgação
DIA 5 DE NOVEMBRO DE 1997 - QUARTA FEIRA
18H30 Inauguração da Feira Alentejo Alimentar
- Pavilhão do Congresso do Cante Alentejano
Desfile de Grupos Corais:
Concentração: Junto às Piscinas Municipais 19H30
Desfile: Início (Percurso a indicar, no local) 20H00
Grupos a desfilar, de:
Beja: (10)
- Grupo Coral da Casa do Povo de Albernôa
- Grupo Coral do Externato António Sérgio de Beringel
- Grupo Coral Feminino, de Beringel
- Grupo Coral dos Bombeiros Voluntários de Beja
- Grupo Coral da Caixa S. Cultural da Câmara M. de Beja
- Grupo Coral dos CTT, de Beja
- Grupo Coral da Freguesia de Cabeça Gorda
- Grupo Coral da Casa do Povo da Salvada
- Grupo Coral do Centro Cult.e Desportivo de S. Matias
Aljustrel: (2)
- Grupo Coral "Os Cigarras" do Centro Rep. de Aljustrel
- Grupo Coral do Movimento D. das Mulheres
Castro Verde: (1)
- Grupo Coral e E. F. "As Camponesas", de Castro Verde
Cuba: (2)
- Grupo Coral Cubense "Amigos do Cante"
- Grupo Coral "Os Corticeiros" de Vila Alva
Ferreira do Alentejo: (2)
- Grupo Coral e E. "Os Trabalhadores" de F. do Alentejo
- Grupo Coral da A. Reformados Concelho de F. Alentejo
Moura: (2)
- Grupo Coral da Casa Povo de S. Aleixo da Restauração
- Grupo Coral Ateneu Mourense
Serpa: (2)
- Rancho de Cantadores de Aldeia Nova de São Bento
- Rancho Coral e Etnográfico de Vila Nova de São Bento
Vidigueira: (1)
- Grupo Coral "Os Amigos da Vidigueira"
NOTA: No final do desfile será servido o jantar nas instalações da OVIBEJA
DIA 6 DE NOVEMBRO DE 1997 - QUINTA FEIRA
10HOO Abertura da feira
- Pavilhão do Congresso do Cante Alentejano
Desfile de Grupos Corais:
Concentração: Junto às Piscinas Municipais 19H30
Desfile: Início (Percurso a indicar, no local) 20H00
Grupos a desfilar, de:
Aljustrel: (2)
- Grupo Coral, Feminino, de Ervidel
- Grupo Coral da Junta de Freguesia de Rio de Moinhos
Alvito: (2)
- Associação do Grupo Coral Alentejano de Alvito
- Grupo Coral, Infantil, da Escola Primária de Alvito
Castro Verde: (2)
- Grupo Coral e Etnográfico "Os Carapinhas" de C. Verde
- Grupo Coral "Vozes de Casével"
Cuba: (1)
- Grupo Coral Feminino "Flores do Alentejo" de Cuba
F. do Alentejo: (2)
- Grupo Coral e Etnográfico, Infantil, de F. de Cavaleiros
- Grupo Coral e Etnog. "Os Rurais", de F. de Cavaleiros
Mértola: (1)
- Grupo Coral "Guadiana" de Mértola
Moura: (2)
- Grupo Coral de Santo Amador
- Grupo Coral da Casa do Povo de Sobral da Adiça
Serpa: (2)
- Grupo Coral e Etnográfico "Os Camponeses de Pias"
- Rancho Coral "Os Camponeses" de Vale de Vargo
Vidigueira: (2)
- Grupo Coral "Vindimadores" da Vidigueira
- Grupo Coral "Voz do Alentejo" de Vila de Frades
Évora: (2)
- Grupo Coral E. "Pastores do Alentejo", da T. Coelheiros
- Grupo de Cantares Alentejanos da B. T. nº. 3, da G.N.R.
Portel: (1)
- Grupo Coral e Instrumental "Voz Activa" de Santana
Viana do Alentejo: (1)
- Grupo Coral dos Trabalhadores das Alcáçovas
NOTA: No final do desfile será servido o jantar nas instalações da OVIBEJA
DIA 7 DE NOVEMBRO DE 1997 - SEXTA FEIRA
10HOO Abertura da feira
Desfile de Grupos Corais:
Concentração: Junto às Piscinas Municipais 19H30
Desfile: Início (Percurso a indicar, no local) 20H00
Grupos a desfilar, de:
Évora: (1)
- Grupo Coral "Cantares de Évora"
Mourão: (1)
- Grupo Coral de Mourão
Portel: (2)
- Grupo Coral de Cantares Regionais de Portel
- Grupo Coral “Os Trabalhadores” S B. de Outeiro, Portel
Redondo: (1)
- Grupo Coral Trabalhadores de Montoito
Reguengos de Monsaraz: (1)
- Grupo Coral da casa do Povo de Reguengos de Monsaraz
Viana do Alentejo: (2)
- " Velha Guarda" do Grupo Coral de Viana do Alentejo
- Grupo Coral e Etnográfico de Viana do Alentejo
Aljustrel: (2)
- Grupo Coral, Infantil, "Os Grilinhos" de Aljustrel
- Grupo Coral, M., da Junta Freguesia de S. J. de Negrilhos
Barrancos: (1)
- Grupo Coral Arraianos de Barrancos
Castro Verde: (2)
- Associação de Cante Alentejano "Os Ganhões"
- Grupo Coral "Modas Campaniças"
Ferreira do Alentejo: (2)
- Grupo Coral, Infantil, "Sementes do Alentejo", de Alfundão
- Grupo Coral “Raízes de Alfundão”
Mértola: (1)
- Grupo Coral da Mina de São Domingos
Moura: (2)
- Grupo Coral da Casa do Povo de Amareleja
- Grupo Coral de Póvoa de São Miguel
Ourique: (2)
- Grupo Coral Feminino "Flores de Maio"
- Grupo Coral Infantil de Garvão
Serpa: (1)
- Grupo Coral "Ceifeiros de Serpa"
NOTA: No final do desfile será servido o jantar nas instalações da OVIBEJA
DIA 8 DE NOVEMBRO DE 1997 - SÁBADO
Desfile de Grupos Corais:
Concentração: Junto às Piscinas Municipais 16H00
Desfile: Início (Percurso a indicar, no local) 16H30
Grupos a desfilar, de:
Ferreira do Alentejo: (2)
- Grupo Coral “ Os Unidos de Alfundão”
- Grupo Coral "Os Rurais" de Santa Margarida do Sado
Moura: (1)
- Grupo Coral "Os Restauradores"
Odemira: (2)
- Grupo Coral de Vila Nova de Milfontes
- Grupo Coral de Odemira
Serpa: (1)
- Grupo Coral "Os Arraianos" de Vila Verde de Ficalho
Reguengos de Monsaraz: (1)
- Grupo Coral da Sociedade União Perolivense
Amadora: (2)
- Grupo Coral, Alentejano, da Soc. Filarmónica Recreio Artístico da Amadora
- Grupo Coral Alentejano da Brandoa
Loures: (2)
- Grupo Coral da Liga dos Amigos Mina de S. Domingos
- Grupo Coral e Instrumental "Ecos do Alentejo"
Oeiras: (2)
- Grupo Coral Alentejano da A. Rec. de Linda-a-Velha
- Grupo Coral Instrumental "Norte Sul", de Linda-a-Velha
Seixal: (2)
- Grupo Coral Alentejano S.S. Autarquias do C. de Seixal
- Grupo Coral e M. "Diversos do Alentejo", de P. Frades
Sesimbra: (1)
- Grupo Coral "Voz do Alentejo" da Quinta do Conde
Alcácer do Sal: (1)
- Grupo Coral F. “Cantares do Xarrama”, do Torrão

Grândola: (1)
- Grupo Coral "COOP" da Coop. de Consumo de Grândola
Santiago do Cacém: (1)
- Grupo Coral e Instrumental de Alvalade do Sado
Sines: (1)
- Grupo Coral de Sines
NOTA: No final do desfile será servido o jantar nas instalações da OVIBEJA
DIA 9 DE NOVEMBRO DE 1997 – DOMINGO
Desfile de Grupos Corais:
Concentração: Junto às Piscinas Municipais 16H00
Desfile: Início (Percurso a indicar, no local) 16H30
Grupos a desfilar, de:
Ferreira do Alentejo: (2)
- Grupo Coral e Etnográfico, I., “Rebentos do Alentejo”
- Grupo Coral e E. "Alma Alentejana" de Peroguarda
Odemira: (1)
- Grupo Coral de Sabóia
Santiago do Cacém: (2)
- Grupo Coral e I. "Os Afluentes do Sado", de E. do Sado
- Grupo Coral da Casa do Povo de Cercal do Alentejo
Almada: (1)
- Grupo Coral "Amigos do Alentejo", do Feijó
Amadora: (1)
- Grupo Coral da Damaia " Os Alentejanos "
Barreiro: (2)
- Grupo Coral Alentejano "Amigos do Barreiro"
- Grupo Coral Alentejano "Unidos do Lavradio"
Cascais: (2)
- Grupo Coral "Estrelas do Guadiana"
- Grupo Coral Alentejano do Bairro Além das Vinhas
Moita: (1)
- Grupo Coral União Alentejana da Baixa da Banheira
Palmela: (1)
- Grupo Coral "Ausentes do Alentejo", de Palmela
Seixal: (3)
- Grupo Coral "Eco do Alentejo", de Corroios
- Grupo Coral Alentejano "Lírio Roxo", de Paio Pires
- Grupo Coral "Operário Alentejano", das Paivas
Setúbal: (2)
- Grupo Coral os "Os Unidos do Alentejo", do Faralhão
- Grupo Coral do Clube de Futebol "Os Sadinos"
Sintra: (2)
- Grupo Coral Alentejano "Os Populares do Cacém"
- Grupo Coral da AFAPS "As Andorinhas", de R. Mouro
Vila Franca de Xira: (2)
- Grupo Coral "Unidos do Baixo Alentejo", A. do Ribatejo
NOTA: No final do desfile será servido o jantar nas instalações da OVIBEJA
21H00 ESPECTÁCULO DE ENCERRAMENTO DO CONGRESSO
NO AUDITÓRIO DO NERBE:
- Grupo Coral do S. da I. M. do Sul "Mineiros de Aljustrel"
- Grupo Coral e Etnográfico da Casa do Povo de Serpa
- Grupo Coral "Os Ceifeiros" de Cuba

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1º. CONGRESSO DO CANTE ALENTEJANO
SOB O TEMA que modas? ...que modos?
LOCAL BEJA Auditório do NERBE
Datas 8 E 9 DE NOVEMBRO DE 1997
PAINÉIS:
PAINEL A RAÍZES E ESTUDO DO CANTE
PAINEL B SITUAÇÃO ACTUAL DO CANTE
PAINEL C PERSPECTIVAS FUTURAS DO
CANTE
PAINEL D VALORIZAÇÃO DO CANTE
- Ensino e Etnografia
- Formas de divulgação
PROGRAMA:
DIA 8 DE NOVEMBRO DE 1997 - SÁBADO
09H00 SESSÃO DE ABERTURA
Prof. José Chitas
José Pereira
09H30 PAINEL A RAÍZES E ESTUDO DO CANTE
Mesa: José Simão Miranda
José Roque
Oradores: Dr. Henriques Pinheiro
Drª. Salwa Castelo-Branco
Comunicações: Julián del Valle
Associação Alma Alentejana
11H00 Pausa
11H15 PAINEL B SITUAÇÃO ACTUAL DO
Mesa: José Francisco Pereira
Fernanda Patrício
Oradores: Pe. António Cartageno
Dr. Domingos Morais
Comunicações: Gr. C. Etnográfico da C. P. Serpa
Gr. C. A. do Alentejo do Feijó
Gr. C. Cantares de Évora
13H00 ALMOÇO

14H30 PAINEL C PERSPECTIVAS FUTURAS DO
CANTE
Mesa: José Francisco Colaço
Carlos Botelho
Oradores: Dr. António Lacerda
Dr. Marcos Olímpio
Dr. Luis Maçarico
Comunicações: As. de Cante A. "Os Ganhões"
Grupo Coral "Os A. do Barreiro"
Grupo Coral D. "Os Alentejanos"
16H30 Pausa
16H45 PRESPECTIVAS FUTURAS DO
CANTE (cont.)
DIA 9 DE NOVEMBRO DE 1997 - DOMINGO
09H00 PAINEL D VALORIZAÇÃO DO CANTE
- Ensino e Etnografia
Mesa: Joaquim Soares
Luis Franganito
Oradores: Dr. José Rabaça Gaspar
Dr. José Orta
Drª. Maria José Barriga
Comunicações: CORTIÇOL
Grupo Coral "Os U. do Lavradio"
Grupo Coral Ceifeiros de Cuba
Cónego António Aparício
11H00 Pausa
11H15 PAINEL D VALORIZAÇÃO DO CANTE
- Formas de divulgação
Mesa: Luís Franganito
Joaquim Soares
Oradores: José Pereira Jr.
Drª. Alda Gois
Comunicações: Rui Bebiano
Artur Mendonça
13H00 ALMOÇO

15H30 LEITURA DAS CONCLUSÕES DO CONGRESSO
Artur Mendonça

21H00 ESPECTÁCULO DE ENCERRAMENTO DO
CONGRESSO