quinta-feira, março 31, 2016

TRATADO DO CANTE - Registos fonográficos:

Cota FaiAlentejo: FF CA K7-0118
1989 (K7): Recordação das Festas do Povo 1989.


- Edição: Lusosom.

                                  Temas: Festas do Povo; Os beijos; Cantigas de oito pontos; Quadras soltas; Uma abelha veio poisar na minha flor de papel; Coração faz-me a vontade; Eu sei que sou culpado; Porque cantamos o fado; A nossa sina.

João Luís.

quarta-feira, março 30, 2016

TRATADO DO CANTE - Subsídio:

Congresso do Cante Alentejano
Realizado em Beja em Novembro de 1997, este congresso organizado pela Casa do Alentejo, ocorreu numa altura terrível e penosa para o Povo alentejano. Mas realizou-se! Como prova disso e para que conste, foi feito um livro que se chama: Que modas? Que modos? - 1º. Congresso do Cante – Actas -, editado pela Faialentejo, em 2005. Foi lançado na ilha do Pico e em Évora.



RESUMO DAS CONCLUSÕES:
Podemos sintetizar em seis pontos as grandes conclusões deste Congresso:
1. O incentivo à investigação da génese, ainda desconhecida, em certa medida, do cante alentejano, havendo quem sustente a sua origem gregoriana, eclesiástica ou cristã e quem advogue a sua origem arábica ou islâmica.
2. O desenvolvimento de esforços no sentido da constituição de um organismo que seja depositário da memória da idiossincrasia do cante alentejano - um arquivo audiovisual do Alentejo. Neste deverão figurar as gravações sonoras (comerciais ou de campo); os registos visuais dos grupos de cante entoando as melodias, narrando estórias da vida, etc.; os livros e diverso material iconográfico; os trajes; os objectos de artesanato, de trabalho, mineiro, rural, etc.; a colaboração com as Universidades ou outras escolas, onde leccionem especialistas do cante, poderá e deverá existir. Poderá este arquivo estar incluído num futuro Instituto Alentejano da Cultura / Desenvolvimento.
3. A inserção da teoria e da prática do cante alentejano nos programas escolares, havendo quem sustente essa incorporação nas escolas de ensino público e quem defenda a criação de escolas de cante independentes do poder do Estado. 
4. A preservação da etnomusicologia alentejana como um todo (o cante, o despique, o baldão a viola campaniça), nesta matéria as opiniões dividem-se, os mais fixistas sustentam que os espectáculos de cante se devem realizar com o traje a rigor tradicional; outros evolucionistas advogam que o cante deve manter a sua genuinidade musical, mas as letras das canções e os trajes podem evoluir e ser adaptados a este final do século XX e a inclusão no cante da voz feminina. 
5. A vinculação das autarquias em todos os concelhos alentejanos, na defesa e propagação do cante. As câmaras municipais deverão dar apoio logístico (transporte, sedes para grupos corais, imprensa, etc.) e financeiro aos grupos e escolas de cante, sem que estas caiam no domínio da política partidária. 
6. A formação de uma federação de folclore alentejana - a Federação de Grupos Corais Alentejanos que poderá ser a força motriz da formação do arquivo audiovisual do cante alentejano e dos próximos Congressos do cante alentejano. 


Beja, 9 de Novembro de 1997.

TRATADO DO CANTE - Registos fonográficos:

Cota FaiAlentejo: FF  CA K7-0117
1997 (K7): S/T


- Edição: Interfase.

                                  Modas: Venha vinha; Os teus olhos; Bate o pé; Cantiga de embalar; Dança das ciganas; Vejam bem; Brincadeiras; Marinheiro; Terra do meu coração; Ó minha rosinha; Erva doce erva cidreira; Laurindinha.

Grupo Vozes do Monte

terça-feira, março 29, 2016

TRATADO DO CANTE - Almanaque:

A tradição do Espírito Santo ao Sul



"O Domingo do Pentecostes (palavra derivada do grego que nos chegou pelo latim e quer dizer 50º dia depois da Páscoa) lembra a descida da chamada terceira pessoa da Santíssima Trindade, o Espírito Santo, sobre os Apóstolos que, segundo os Actos dos Apóstolos, "veio do céu e encheu a casa de um ruído semelhante a um sopro de vento impetuoso que encheu toda a casa onde eles habitavam. E apareceram-lhes línguas divididas à maneira de fogo, e pousou uma sobre cada um deles; e ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito Santo lhes concedia que se exprimissem."
Com base na ideia de que o Espírito Santo é o que traz a criatividade, o inesperado, há uma tradição que preconiza que haverá no mundo uma Idade ou uma Era em que todos terão o devido sustento e as condições necessárias para viverem.
Joaquim de Flora, um frade cisterciense italiano, já no século XII profetizava que a Nova Idade, que os franciscanos denominavam do Espírito Santo, deveria substituir, em futuro próximo, a Igreja decadente que ao longo dos séculos se afastara dos princípios sãos e simples pregados pelo Salvador.
A partir desta ideia de Joaquim de Flora, a Rainha Santa Isabel e o Rei Dom Dinis criaram o culto do Espírito Santo em Alenquer, sentando à mesa uma série de pobres.
Jaime Cortesão dedicou-se ao estudo deste culto e acha, no entanto, que o culto deve ter sido criado pelos franciscanos em Alenquer em 1323, com a criação da Igreja e Hospital de Alenquer. Jaime Cortesão refere que até ao fim do século dezasseis, havia setenta e cinco vilas e cidades com templos da sua invocação, oitenta hospitais e albergues com as suas capelas respectivas, cerca de um milhar de igrejas, conventos e principalmente ermidas que possuía, na sua maioria, Confrarias do Espírito Santo e que realizavam procissões, festas e romarias alusivas ao Império e à coroação do Imperador.
Podem-se destacar dentre as vilas e cidades onde se radicou este culto: Portalegre, Marvão, Niza, Santiago do Cacém, Mercês e Penedo (próximo de Colares), Alcabideche, Marmelete, Alte, Aljezur, Bordeira, Odeceiche, Bansafrim, Barão de S. João, Eiras, Trofa, Guimarães, Paul, Monsanto da Beira e Tomar. Em muitos destes sítios as manifestações deste culto desapareceram e noutros encontram-se ainda mas com significativas alterações.
A Festa dos Imperadores passou do Continente às Ilhas da Madeira e Açores com os primeiros povoadores e daqui irradiou para o Brasil, a África Portuguesa e a Índia, e mais tarde, para os Estados Unidos da América e Canadá, onde ainda se encontra bem viva. No Brasil, por exemplo, chamam-lhes as Festas ao Divino.
Estas festas são acompanhadas de rituais cantados acompanhados por foliões com bombos e pandeiretas. Há quem veja nessas melodias vestígios da música norte africana
De seguida, vamos ouvir uma cantiga que é cantada na mesma freguesia, a da Praia do Norte, na ilha do Faial, depois da comida, ainda sentados à mesa.
Uma das figuras de destaque da cultura portuguesa dos últimos cinquenta anos que deu uma particular importância a este culto foi o Professor Agostinho da Silva. Dele é o texto que vou ler a seguir intitulado: "Dez notas sobre o culto popular do Espírito Santo", onde está nítida a importância que o Professor Agostinho da Silva dava a Portugal como fazedor de um novo mundo em que, simbolicamente a criança seria a imperatriz do mundo."
 MER


Fui pagar uma promessa
Ao Divino Espírito Santo
A Montoito, e não te esqueça
Que eu por ti sofro tanto.

In: Cancioneiro Alentejano, compilado por Vítor Santos, p. 107.


TRATADO DO CANTE - Registos fonográficos:

Cota FaiAlentejo: FF CA K7-0116

1991 (K7): “Álvaro Cunhal comunista eterno”.



- Edição: Sorte.

                                  Modas: Álvaro Cunhal, comunista eterno; Trabalhar e produzir; Pirolito ai lé ai lé; Cabelo entrançado; Acorda Maria acorda; A Nossa santinha d’Aires; Disse a laranja ao limão; Palminhas, palminhas; O lampião da esquina; Meu lírio roxo do campo.

Joaquim Piedade, Ferreira do Alentejo.

segunda-feira, março 28, 2016

TRATADO DO CANTE - Escrito:

COMUNICAR ATRAVÉS DAS MODAS
A relação médico - doente é fundamental para um bem estar físico, psíquico e emocional do doente.


Em situações graves em que os doentes estão em perigo de vida, nomeadamente, nas Unidades de Cuidados Intensivos, onde existe um arsenal de equipamento médico que de alguma maneira torna um espaço mais mecanizado levando a situações de maior “stress” emocional, quer ao doente, quer ao médico. Esta situação é minorada quando a empatia médico - doente se torna uma realidade.
 É a propósito de um caso de um doente internado numa Unidade de Cuidados Intensivos cuja relação entre o médico e o doente foi útil para um melhor bem estar físico, emocional e biológico deste.
Trata-se do Sr. José Paixão de 80 anos de idade, natural da Salvada (Beja) que após viuvez, iniciou um quadro clínico sugestivo de doença oncológica (cancerosa). Para um melhor esclarecimento da sua doença e acompanhamento familiar, foi trazido para Lisboa,  onde foi submetido a intervenção cirúrgica complicada sendo por isso internado numa Unidade de Cuidados Intensivos de um Hospital Central.
É do conhecimento da classe médica de que os doentes alentejanos são em regra geral, pacientes colaborantes e com uma grande capacidade de sofrimento, por vezes “estóica”.
O “tio” Zé Paixão não fugindo a esta regra, no entanto e  perante o internamento do qual não fora avisado estando permanentemente sob vigilância médica, conectado ao ventilador e monotorização cardíaca, envolvido por sistemas “complicados” para um doente que nunca tinha sido internado mostrou - se inicialmente pouco receptivo e com um negativismo marcado por má aceitação da “agressividade” a que fora submetido na tentativa de lhe prolongar a vida.
O médico que o tratava na Unidade de Cuidados Intensivos, também ele alentejano, conhecedor das vivências e da cultura alentejana cedo se apercebeu de que se tratava de uma situação grave, desta forma, adoptou a mesma forma de falar, a mesma pronúncia e expressividade características da sua região (Beja). Assim se iniciou o diálogo:- “ Atão “ti Zéi” vamos até ao Alentejo?”
Este respondeu com os seus olhos expressivos uma vez que não podia falar dado que se encontrava entubado e ligado ao ventilador. O olhar foi a forma mais prática de comunicar entre os dois intervenientes. Perante tal encontro, o ti Zé apercebeu-se  que estava com a sua gente, tornando-se por isso mais colaborante, e receptivo aos tratamentos aplicados.
Na hora do silêncio, um novo diálogo surge;
-Atão ti Zéi, cantamos a moda?
- Ao que o tio Zé responde com um leve brilho no olhar.
- O médico começa numa toada baixinha, muito baixinha, a moda :
                   Alentejo, é nossa terra
                   Oh quem nos dera, lá estarmos agora
                   Prà` a mocidade, com saudade,
                   Ouvir cantar, como ouviu outrora...

O tio Zé com a emoção, olhos razados de lágrimas, agarra a mão do médico com força como que estivesse pela última vez ouvindo o mais belo cante da planície. Da mesma forma o médico não teve mais palavras, senão um desvio de olhar com a lágrima ao canto do olho. Ao presencear tamanho acto de solidariedade humana, a enfermeira sente-se sensibilizada e comenta... “ Só mesmo os alentejanos !!” “Só mesmo eles!!!”
Como é habitual em Unidade de Cuidados Intensivos, os doentes necessitam de ambiente anti-stress, pelo que é utilizado música clássica ou outra como forma de bem estar assim juntamente com “Fellinni”, “Bethoven”, “Verdi”, “Pavarotti”, juntou-se um especial CD “É Tão Grande o Alentejo” cantado pelo Grupo Coral os “Ganhões” de Castro Verde, tendo o tio Zé Paixão tido a oportunidade de ouvir o profundo cante do Sul até á sua “última” viagem. Pena é que não tenha sido tocado também um CD do Grupo Coral da Salvada.
Em homenagem ao alentejano...
Que se cante à alentejana!!!  

José Simão Miranda (médico)

In: Boletim do Cante de Outubro de 1997.

TRATADO DO CANTE - Registos fonográficos:

Cota FaiAlentejo: FF  CA K7-0115
1993 (K7): “Minha Aldeia – Vol. 3”.


- Edição: Metro-Som.

                                  Modas: Minha Aldeia; Mértola vila museu; Rio Guadiana; Erva cidreira; Menina bonita; Português emigrante; Moça morena; Ó linda.

Trio Alentejo 

domingo, março 27, 2016

TRATADO DO CANTE - Almanaque:

MINHA MÃE AMASSA O PÃO




"(...)
Minha mãe amassa o dia,
No alguidar, sobre o banco,
E do forno da alegria
O pão loiro sai tão branco.

Minha mãe amassa a tarde ,
Duma leveza sem par –
Brando, o sol quase não arde
Quando ela vai amassar.

Minha mãe amassa a noite,
(Não acreditas? Eu juro!)
E põe-lhe luar de leite

Para o pão não ser tão escuro.
(...)"

De: António Simões

Nota: Fotos tiradas da Internet.

TRATADO DO CANTE - Escrito:

"Modas": Canções regionais alentejanas.




"Tal como procedemos para as cantigas (Quadras populares), deixamos registada na base de cada "moda" a localidade ou localidades onde foi recolhida e, portanto, se conhece e canta. Do facto de certa "moda" levar apenas um registo, não se deve inferir que só aí seja conhecida. Não, as mais delas são comuns a outras localidades e regiões do Baixo Alentejo onde igualmente são conhecidas, embora com ligeiras variantes na letra (versos) e no próprio estilo, isto é, na música que as constituem.

A verdadeira origem ou procedência de muitas delas nem sempre é fácil saber-se, posto que, se há "modas" restritas a certas localidades, só aí sendo conhecidas, outras há, porém, que, tendo maior área de circulação, se conhecem em todo o Alentejo, onde vão sofrendo as suas variações.

Criada a "moda", quero dizer, depois que surge, logo se espalha e divulga numa área de cada vez mais larga, dada a facilidade com que o homem se desloca de uma para outras localidades, de uma para outras regiões.

As "modas" registadas nesta colecção de mais de três centenas, creio-as alentejanas e do Baixo Alentejo. Há, todavia, nas "modas" certas e determinadas características que nos levam a afirmar peremptoriamente da sua verdadeira origem alentejana. Convém esclarecer, pois, aos menos entendidos, nesta matéria a que é que nós chamamos "modas" alentejanas e quais as suas características.

A razão desta denominação baseia-se no facto de passar a ser cantado por toda a gente, como uma coisa nova, isto é, como moda, qualquer cantar que apareça no folclore da região. É, portanto, a esse novo cantar que, andando tanto em voga, e passando a ser moda, chamamos "moda". Rapidamente o Povo dele se apropria (e tanto mais quando lhe agrada), espalhando-o e divulgando-o de boca em boca numa área de cada vez mais vasta. (...)"

(in "Subsídio para o Cancioneiro Popular do BAIXO ALENTEJO")
do Professor Manuel Joaquim Delgado

Manuel Joaquim Delgado nasceu em Beja, no ano de 1910 e faleceu na cidade de Lisboa, no ano de 1990. Poeta, e um dos nossos mais distintos filólogos e etnógrafos. Filho de Pedro José Delgado, lavrador alentejano e de Carolina das Dores Delgado, doméstica.  Foi  o  4º  filho  de  12  irmãos todos naturais de Beja. As suas habilitações académicas correspondem ao curso de professor primário e ao 7º ano de Letras do Liceu. Como professor, exerceu funções docentes cerca de 18 anos e durante mais de 21, desempenhou funções administrativas de direção, orientação pedagógica e inspeção do distrito escolar de Beja. Sempre se mostrou avesso à sem-razão, ao falso espírito crítico, ao comentário tendencioso e injusto. Teve sempre manifesta tendência a sentir, de modo especial e muito seu, a influência de diversos agentes, quer do meio ambiente, quer do meio social e humano em que viveu. Os seus livros mostram isso mesmo, com especial relevo na sua obra poética. Das suas obras de carácter dialectal, linguístico, etnográfico, folclórico e monográfico destacam-se;  O Cancioneiro Popular do Baixo AlentejoA Linguagem Popular do Baixo Alentejo e o Dialecto Barranquenho, A Etnografia e o Folclore do Baixo Alentejo, Estudos Linguísticos, Ensaio Monográfico. Os seus estudos, considerados de grande rigor ciêntífico, foram inseridos em diversas publicações especializadas.
(nota da Biblioteca Municipal José Saramago de Beja)

TRATADO DO CANTE - Registos fonográficos:

Cota FaiAlentejo: FF CA K7-0114

1995 (K7): “Alentejo”



- Edição: Riso e Ritmo Discos, S.A.

                                  Modas:        Ao romper da bela aurora; Por esses campos fora; Ó lindo pavão; Grândola Vila Morena; Linda jovem era pastora; Cantarinhas de Aljustrel; Mondadeira Alentejana; Rua abaixo; Resolvi; Meninas d’Elvas; Alentejo e o seu povo; Ó Baleizão, Baleizão; Triste Alentejo; Cabelo à Lua.

Vários

TRATADO DO CANTE - Registos fonográficos:

Cota FaiAlentejo: FF CA CD 0114

2012 – (CD) “Francisco Naia e A Ronda Campaniça”




- Edição: Francisco Naia.

- Arranjos e direção musical: Ricardo Fonseca, assistido por Marco Rodrigues.

- Temas: Gosto de olhar os lírios; Atasca do Encalha; Ó Estação de Ourique-Gare; Se fores ao Alentejo; A moda do Chegadinho; Tira o Capotinho; Rosa linda, linda, linda; Atira caçador, atira; Rapsódia Campaniça; O Homem da campaniça; Meninas de Castro; Barreiro.

Francisco Naia.