sábado, outubro 01, 2016

TRATADO DO CANTE - Votos:

O Cante, expressão monumental do Ser Alentejano.
Al-Zéi
AO CANTE DOS CEIFEIROS DE CUBA (75º Aniversário)
Declaração de votos (75):
a. (…) Em linha, à borda do trigo, distanciados seis metros uns dos outros, começaram a terrível faina da ceifa (…)[1]

 

01. que com nobreza de carácter dignifiquemos os Ceifeiros;
02. que o seu exemplo por demais vivido seja reposto demasiadamente;
03. que conste do nascer ao pôr do sol no eterno da nossa alma;
04. que no pão que comemos os entendamos;
05. que da sua árdua tarefa nos eleve ao silêncio melancólico do seu sentir;
06. que vá bem longe o seu relato;
07. que respeitosamente os admiremos;
b. “(...) - Vai chamar os Homens da ceifa. (...) Os Ceifeiros pareciam estar sozinhos; faziam um círculo (...) e iam desfiando quadras(...) A toada foi ecoando (...)”[2]
08. que ao romper da bela aurora se padeça;
09. que de ai solidão, solidão, nos confundamos;
10. que na barrinha do meu lenço nos apostemos;
11. que de quando abalei para os Açores nos glorifiquemos;
12. que da Margarida nos ensinem a pescar;
13. que quem há-de, senhor, quem há-de?;
14. que Portugal seja o nosso espaço;
15. que do ser Ser se alcance o ritmo certo;
c. “A terra dói-se. E tu canta, companheiro, a tua estrofe rebelde, à nascença de um rio! Não violes as gruas do silêncio, implantadas ao rés das choupanas dos zagais. Acende a tua voz de profeta, ergue novamente a tua mão, cheira, ao longe, o vulto das papoilas, mas canta. Estás no teu país Alentejano, e a tua voz é esforço, é esperança, é sangue, é poesia!”[3]
16. que seja a terra amada;
17. que a melhor melodia seja dedicada à nossa terra;
18. que no sabor da terra nos confundamos;
19. que o poeta escreva bem a terra para melhor ser cantada;
20. que passe muita água por baixo das pontes;
21. que as vozes ressoem;
22. que os silêncios sejam cumpridos;
23. que o Ser alentejano cante;
d. “(...) braço no braço/ a cantar/ pelos caminhos/ do sol,/ a voz enlaçam/ na voz/ misturando/ eu/ e nós.”[4]
24. que o grupo seja doce;
25. que as vozes se harmonizem;
26. que as modas sejam moda;
27. que o cante seja enlevo;
28. que os ouvintes apreciem;
29. que o som seja um ruído bom;
30. que no conjunto sejamos dignos;
e.”(...) Cantar é o seu destino! (...) Ó Príncipes da Melancolia (...)”[5]
31. que o cante tenha força criadora;
32. que a escola de cante seja forte;
33. que os exemplos de cante sejam soberbos;
34. que a tradição de cantar se mantenha forte e duradoira
35. que sejam sãos os requisitos do cante;
36. que lá longe sejam bem ouvidos;
37. que o resultado seja demonstrativo;
f. “(...) Lá dentro, como capítulo de monges, uma fila de homens sentados num banco, rígidos e quase hieráticos, arrastavam um entoado e magoado canto, tão repassado de acentos melancólicos, que mais parecia salmodiar que entreter profano. Eram os homens nas adegas cantando! (...)”[6]
38. que os locais de culto do cante sejam preservados;
39. que prespasse o sentir o cante como acontecia quando os homens se juntavam nas "vendas";
40. que aconteça sempre cante nas tabernas do Baixo Alentejo;
41. que a vila de Cuba mantenha as suas tabernas de forma a que se cante sempre e bem conforme o vem fazendo;
42. que a vontade se mantenha pura e nobre na defesa dos valores do cante e do seu património;
43. Que se beba um copo aos cantadores dos Ceifeiros de Cuba;
44. Que se beba outro copo ao Povo Cubense;
45. Que ainda se beba um copo à saúde do nosso cante;
g. “É assim o Alentejo que não vem de nenhum lado, que não vai para nenhum lado, «como um meio sem pontas». Tal é a definição de infinito dada por um filho analfabeto desta planície. É este «meio sem pontas» que vibra nos cantares alentejanos. Cantares de circunstância, a partida de um amigo, o adeus de um emigrante, a falta de chuva, que tomam forma quando meia dúzía de homens concertam as vozes e erguem uma catedral de sons. (...)”[7]
46. que o alentejano use sempre a capacidade de se identificar com o cante nas suas atitudes reflectindo-as nas letras das suas modas;
47. que se garanta sempre a genuinidade intrínseca do cante;
48. que a bandeira alentejana seja desfraldada ao sabor dos melhores cantes e dos melhores motivos;
49. que se reveja no grupo de cantadores a forma de ser alentejano;
50. que o Alentejo seja glorificado pela forma de o cantar;
51. que se fortaleçam os laços que ligam os alentejanos;
52. que na circunstância se alberguem os verdadeiros valores do cante;
53. que se erga a catedral dos sons do cante;
h.  Sendo o cante a grande paixão de qualquer alentejano que se preze. Não consigo descortinar até aonde é o Grupo Ceifeiros de Cuba o causador deste embevecimento.
54. que Cuba seja reconhecida aos  seus Ceifeiros;
55. que os Ceifeiros de Cuba sejam enormes nos grandes palcos;
56. que os cantadores dos Ceifeiros de Cuba sejam distintos;
57. que as modas dos Ceifeiros sejam sementes do porvir;
58. que no falsete das modas se regulamente a verdade do cante dos Ceifeiros;
59. que os pontos dos Ceifeiros sejam os provocadores de boas modas;
60. que quando cantam os Ceifeiros se viva por inteiro o cante;
i. “Hoje, socorremo-nos da “escola” de Cuba, fundamentada na alma daquele enorme cubense, o mestre António Luís Fialho, que fundou o Grupo Coral “Os Ceifeiros de Cuba”, em 1933, e a quem o Alentejo muito deve. Com ele queremos também recordar todos os que com o mestre fizeram do grupo “Os Ceifeiros de Cuba” um ex-libris do cante alentejano.”[8]
61. que se fomente a boa prática do cante nos mais novos;
62. que se reforce a ideia de “cantar à moda de Cuba”;
63. que se ensine o cante nas escolas de Cuba;
64. que se faça a escola do cante em Cuba;
65. que se procure na memória colectiva de Cuba e se identifiquem as melhores referências do cante;
66. que se reforce, na continuidade, o exercício de cantar;
67. Que os Ceifeiros de Cuba sejam sempre uma boa lição de cante;
j. Certezas não tenho. Mas considerando o percurso deste grupo muito provavelmente ficará como um dos maiores do Cante Alentejano para todo o sempre.
68. que o Alentejo seja ainda maior reconhecendo o cante como seu Património;
69. que o Alentejo seja ainda mais nobre aquém e além Tejo pelos seus majestosos cantares;
70. que o Alentejo seja ainda mais admirado quando se identifica no cante;
71. que o Alentejo seja ainda mais forte quando se entende a cantar;
72. que o Alentejo seja ainda mais belo na introdução das suas cantigas;
73. que o Alentejo seja ainda mais responsável na cadência das suas modas;
74. que o Alentejo seja ainda mais digno quando se revive no cante;
75. que o Alentejo seja ainda mais Alentejo quando Os Ceifeiros se põem a cantar.


Bem Hajam!
Junho de 2008
José Francisco Pereira





[1]ALMEIDA, Fialho de - Ceifeiros
[2] FONSECA, Manuel da – Cerromaior, “Coro de Ceifeiros”
[3] SILVA, Antunes da – Alentejo é sangue, in “Prece”
[4] MAÇARICO, Luís Filipe – do poema Polifonia, Beja 9/11/97
[5] BEIRÃO, Mário - Do texto O Canto Alentejano, publicado no Diário de Lisboa de 15-III-1952. Na ida a Lisboa dos ranchos do Baixo Alentejo, para cantarem na Casa do Alentejo e no Pavilhão dos Desportos.
[6] RIBEIRO, Manuel – A Batalha nas Sombras (1928).
[7] CORREIA, Natália – in Contos inéditos e crónicas de viagem, Parceria A. M. Pereira, 2005
[8] ROSA PEREIRA - “Os mestres do cante”, in Diário do Alentejo, 3 de Julho de 1998

sexta-feira, setembro 30, 2016

TRATADO DO CANTE - Almanaque:

MINHA MÃE AMASSA O PÃO



"(...)
Minha mãe amassa a ladra
Que é a fugidia hora,
Que nesta terrena quadra,
Pouco tempo nos demora.

Minha mãe amassa a ladra
Que é esta breve passagem,
Que nos rouba e nos esmaga
Longe do fim da viagem.

Minha mãe amassa sempre
Para nos matar a fome –
Pão nosso da nossa gente,
Bendito seja o teu nome.

(...)"
de António Simões

terça-feira, setembro 27, 2016

TRATADO DO CANTE - Grupos Corais:

VALE DE VARGO - SERPA:
Rancho Coral "Os Camponeses" de Vale de Vargo
Rua do M. F. A., 17 - 7830 Vale de Vargo




Ficha Técnica:

- O Rancho foi fundado em 1961.

- Ensaiam às Sextas feiras, à noite, na sede do Clube de Futebol de Vale de Vargo.

- Realizam o seu Encontro de Grupos Corais em Maio.

- O Rancho é composto por  20 elementos.

- Trajo: (1º.) - Camisa quadrejada (azul e branco); Calça preta; Lenço quadrejado (várias cores); Chapéu preto. (2º.) Etnográfico.

- Histórico: Tem uma média de 20 desempenhos por ano, em todo o País, com participações em Encontros de Grupos Corais, no Alentejo e na zona da grande Lisboa, onde a comunidade de Alentejanos é representativa. Destacamos: Actuações em todas as freguesias do concelho. Fora do concelho tem actuações em: Beja; Castro Verde; Vidigueira; Cuba; Évora; Mourão; Monsaraz; Portalegre; Lisboa (Casa do Alentejo); Monte da Caparica; Tires; Brandôa; Baixa da Banheira; Barreiro; Alverca; Seixal; Cacém; Braga; Porto; Castro D'Aire. Em França "Marly", durante 3 dias, em 1987.

- Registos Fonográficos:
. 1982 (K7): MODAS POPULARES DO CONCELHO DE SERPA
Edição: Câmara Municipal de Serpa. Fon. Faialentejo: cota: FF CA K7-0056
Gravaram uma cassete audio em 1989.

- Repertório: Cantam as "modas" representativas da zona, com as letras adaptadas ao momento actual e à vida da sua terra.

In: “Corais Alentejanos” (em actualização), de JFP.

domingo, setembro 25, 2016

TRATADO DO CANTE - Grupos Corais:

SERPA:
Grupo Coral Etnográfico "Os Arraianos"
de Vila Verde de  Ficalho, Serpa.
Sociedade Recreativa 1º. de Dezembro
Largo Amílcar Pinto, 10 - 7830 Vila Verde de Ficalho


          

Ficha Técnica:
          
- O Grupo foi fundado em 1937.

- Ensaiam às Terças e Sextas-feiras, à noite, na Sociedade Recreativa 1º. de Dezembro.

-  Realizam o seu Encontro de Grupos Corais em Agosto.

- O Grupo é composto por 25 elementos.

- Trajo: Calça azul, escura; Colete preto; Camisa branca; Lenço vermelho; Chapéu preto, de aba direita.

- Histórico: Tem feito demonstrações de "cante" por todo o país, merecendo referência as actuações em: Matosinhos; Aveiro; Lisboa; Águeda; Mamarosa (Oliveira do Bairro); Braga. No Estrangeiro já actuaram em: Strasbourg (Parlamento Europeu). Participam em Encontros de Grupos Corais, Desfiles e Festas, no Alentejo e na zona da grande Lisboa.

- Repertório: Cantam as modas mais representativas da sua região, sendo de salientar o conjunto de modas que fazem parte da K7 de 1996: Povo de Ficalho; Abre-te campa sagrada; Barragem do Alqueva; Fui ao jardim passear; Pelo toque da viola; As nuvens que andam no ar; Silva que estás enleada; Vamos apanhar a rosa; Ó Águia que vais tão alto; Subi um dia ao alto de um rochedo; Que inveja tens tu da rosa; É linda a Primavera; Olha o passarinho; Malmequer; Uma flor que abriu em Maio; A Primeira que eu disse adeus; Castelo de Beja; Esta noite sem fim; A ribeira quando enche; Senta-te aqui ó António; Rosa branca desmaiada; Lindas são as rosas; Vou passar a ribeirinha; É tão grande o Alentejo; Maria da Castanheira; Vou colher a silva; Tenho no quintal um limoeiro; Rosa enjeitada; Trabalhei a vida inteira; Alentejo nossa terra; Ó minha pombinha branca; Dá-me uma pinguinha de água. 

- Registos Fonográficos: Gravaram um "single", com as modas: Ó Águia que vais tão alto e Marianita és baixinha. Em1982 - (K7): Modas Populares do Concelho de Serpa (registo sonoro)ed.: Câmara Municipal de Serpa. Fonoteca Faialentejo: cota: FF  CA K7-0056. Em 1996 – (K7)Os Arraianos (Registo Sonoro), ed. SONOVOX, SA. Fonoteca Faialentejo: cota: FF  CA K7-0061

in: "Corais Alentejanos", de JFP. Edições Margem. 1997.

Nota: Fotografia tirada em Amareleja, durante um Encontro de Grupos Corais em 24/6/1995.