sábado, maio 28, 2016

TRATADO DO CANTE - Almanaque: Minha mãe amassa o pão

TRATADO DO CANTE - Escrito:

“(…) 

Brevíssimo panorama da música árabe actual.

Países do Golfo (Arábia Saudita, Kuwait, Bahrain, Omã, Qatar, Emirados Árabes Unidos).
Nestes países existe uma grande identidade do ponto de vista musical. A par da música de extracção beduína, da religiosa, a de carácter popular começa agora a afirmar-se. A grande tradição é o canto colectivo com acompanhamento instrumental mais ou menos sóbrio e reduzido. As canções de trabalho, pesca e colheitas, ou os cantos guerreiros acompanhados, por vezes, com palmas e coreografados, são de uma grande beleza. Os do Kuwait em particular, pela sua dolência e lirismo, sugerem não raro a «respiração» do cante alentejano.
(…)”

In: “Arabesco da música Árabe e da Música Portuguesa”, de Adalberto Alves. Edição Assírio & Alvim. Outubro de 1989. Pág. 87.


ADALBERTO ALVES (18 de Julho de 1939) é poeta, escritor, ensaísta, arabista, historiador, conferencista e jurista português.
Foi premiado com o Prémio Internacional Sharjah para a Cultura Árabe em 2008, da UNESCO.
Antes da Revolução dos Cravos em 25 de Abril de 1974, fez activa oposição ao regime salazarista e advogou no Tribunal Plenário, em defesa de presos políticos, tendo-lhe sido vedado, até ao 25 de Abril, o acesso à Função Pública.

In: https://pt.wikipedia.org

TRATADO DO CANTE - Grupos Corais:

Grupo Coral da Adega Cooperativa da Vidigueira, Cuba e Alvito

Composto por 25 elementos.

Participaram na quinta-feira passada (26/5/2016) no convívio dos participantes da "Escalada do Mendro", na Vidigueira, onde cantaram as seguintes modas:

"Ora Viva" - ponto: José Luís; alto: Inácio.
"Vidigueira tem bom vinho" - Pontos: José Arrojado e Manuel Bacalhau; Alto: Inácio.
"Adeus ó Baixo Alentejo, adeus minha Vidigueira" - Pontos: José Arrojado e Manuel Bacalhau; Alto: Inácio.
"Conde da Vidigueira" - Pontos: José Arrojado e Manuel Bacalhau; Alto: Inácio.





Nota: Este Grupo estará nos Açores (Faial e Pico), de 1 a 4 de Julho de 2016, onde participará no Encontro de Folclore "Ilha Azul".

quarta-feira, maio 25, 2016

TRATADO DO CANTE - Registos fonográficos:

1975 (Maio) (EP) vinil “Folclore” (registo sonoro).



- Edição: Arnaldo Trindade & Cª. Lda.

- Temas: Lado A: Os olhos da Marianita; o ladrão do meu amor. Lado B: Ó Laurindinha; A mulher da fava rica

Florência

Cota FaiAlentejo: FF CA LP-029 

terça-feira, maio 24, 2016

TRATADO DO CANTE - Escrito:

"ABNEGAÇÃO DE UMA ALDEÃ


(…)
Ambos felizes e radiantes rodopiaram nos braços um do outro, cantaram umas décimas e repicaram as saias alentejanas obrigatórias nestes bailes (Entrudo). Quando atiraram ao ar o seu cantar mimosearam-se mutuamente com versos ternos, apaixonados, de derriço amoroso tão sólido e opulento como os sobreiros do campo onde ambos trabalhavam, regando a terra com o seu suor bendito, essa terra que os antepassados regaram com sangue libertador da independência alentejana.
É acusada de rude e muito seca de espírito a gente alentejana. É sem razão. O Alentejano é, até, bastante sensível, sentimental, amorudo. Bem o dizem as suas canções, dolentes exactamente por serem sentimentais; o seu falar lento, arrastado; os seus olhos profundos, mouros, sonhadores; os desenhos que gravam nos tarros e nas cornas, onde o coração aparece quase sempre como motive principal, o que também figura nos lenços de assoar e nas roupas que as raparigas bordam; nos barros lustrosos e empedrados lá está, também, o coração, como primordial motive de decoração, quase sempre; nos quadros e outros adornos recortados em cortiça figuram o Pombo e a rola, símbolos do amor e da ternura; no papel com que os namorados se carteiam aparece, no alto, o pombo arrulhando, o coração atravessado pela seta, a sangrar; na feira é preferido a loiça fina que pintura alusiva ao amor, ao casamento; os postais ilustrados que ornam as casas humildes versam sempre o tema eterno do amor; nos quadros encaixilhados que vestem as paredes da habitação popular lá está o amor, o namoro, o casamento, o bambino a ensaiar os primeiros passos; quando more um parente ninguém sente mais do que um alentejano, o que bem se revela no seu carpir; acompanha-se logo a família enojada e o cadáver ao cemitério.
(…)”

Conto de Casimiro Mourato


In: “Almanaque Alentejano – 1955”. Edição da Casa do Alentejo, Lisboa. Pág. 213 a 220.

segunda-feira, maio 23, 2016

TRATADO DO CANTE - Colóquios:

““GÉNESE E EVOLUÇÃO DO CANTE ALENTEJANO”

O Cante alentejano e o Gregoriano têm a mesma génese, a mesma raiz. É meu entendimento sobre o folclore cantado do Baixo Alentejo – origens e evolução – como tendo escrito em vários jornais, o seguinte: O Alentejo, em virtude da sua situação geográfica, foi das últimas regiões a ser conquistada aos mouros. Dadas as grandes extensões de terras, e pouca população, a sua divisão foi atribuída em regime de latifúndio, primeiramente às Ordens Militares de Santiago de Espada e de Aviz e, posteriormente às Ordens Monásticas. As primeiras tinham por finalidade a manutenção e defesa dos territórios conquistados, as segundas, o arroteamento das terras e a evangelização das populações que à volta dos conventos se iam aglomerando, formando freguesias.
(…) O canto ocupava lugar de relevo na liturgia dentro dos conventos, mosteiros e também nos diversos lugares de culto que nas freguesias iam aparecendo. O que se ensinava e cantava não era já o Cantochão, mas sim o Gregoriano saído da reforma feita pelo Papa Gregório VII e o Fá-bordão, que nos aparece nos primórdios do século XII, penetra lentamente nos conventos e mosteiros. O Fá-bordão é uma espécie de polifonia simples e rudimentar, a duas e três vozes, introduzida por um recitativo gregoriano cantado por um só elemento do grupo, a que responde outro elemento num tom mais acima, dando entrada às segundas e terceiras vozes. É nesta polifonia simples e rudimentar que radica o nosso belo canto alentejano, velhinho, mas sempre belo e único em toda a Europa.
(…)”
Padre José de Alcobia




In: “Michel Giacometti e Cante Alentejano” Ferreira do Alentejo. Colóquio: "O Cante Alentejano". 27 de Setembro de 1997. Pág. 9.

domingo, maio 22, 2016

TRATADO DO CANTE - Almanaque:

MINHA MÃE AMASSA O PÃO



"(...)
Minha mãe amassa o touro
Correndo pela planura –
Vindo do curro do forno,
Esse pão ninguém segura.

Minha mãe amassa o rio,
Que é a sua mente inquieta –
Comeu desse pão, sorriu,
Seu filho ficou poeta.

Minha mãe amassa o grande
E o mais pequeno também –
E o pão se encolhe e se expande,
Ao sabor da minha mãe.
(...)"

de: António Simões.