sexta-feira, novembro 27, 2015

TRATADO DO CANTE - Registos fonográficos:

Cantos tradicionais do Distrito de Évora


FF CA EP 001
                                 - S/D (single em vinil): Cantos tradicionais do Distrito de Évora
                                 - Recolha feita por Michel Giacometti (registo sonoro)
                                 - Ed.: Arquivos Sonoros Portugueses e Junta Distrital de Évora
- Modas: Quando eu estava de abalada (Grupo Coral de Reguengos de Monsaraz); Ó pavão, lindo pavão (recolhida em Granja, Mourão. Informadoras: Joaquina Maria Mendes e Vicência Maria Mendes); Tralhoada (recolhida em Nossa Senhora de Machede, Évora. Informadores: José António Passinhas e Francisco Marques Pato); Auto da criação do Mundo (Informadores: António Joaquim Talhinhas, Maria Guiomar Raminhos Lopes, Jacinta Joaquina Talhinhas, Miguela Maria Talhinhas, Beatriz Celeste Talhinhas, Maria Felícia Sepão e Manuel Francisco Jaleca); Levanta a cruz, Madalena (Foi recolhido em Campinho. Informadora: Maria Godinho); Ó Elvas, ó Elvas (Recolhido em Vila Viçosa. Informadores: Isidro Anmtónio Canelhas e Francisco Luís Canhoto Lourinho); O Lavrador da arada (Recolhido no Monte da Varzea, Santiago de Rio de Moinhos, Borba. Informadora: Cristina da Encarnação Fusco Granadeiro); Ó Baleizão, Baleizão (Recolhido na Granja, Mourão. Cantado pelo Grupo Coral da Cooperativa Agrícola da Granja).

                                           (oferecido por António Simões).

quinta-feira, novembro 26, 2015

TRATADO DO CANTE - Livros

Natal Português. CHAVES, Luis. Livraria Clássica Editora. 1942.


"- Semeia-se o Pão Divino/Nas entranhas da Senhora:/ Nasceu uma só espiga,/ Que sustenta toda a gente.
Essa espiga, quando nasce,/ É na noite de Natal:/ Entre as onze e a meia.noite,/ Antes do Galo cantar."
(Vidigueira)
"(...) A família reúne-se porque a festa continua.São três as partes principais: - Natal. - Ano-Bom ou Ano Novo. - e Reis.(...)".
pag. 77.

TRATADO DO CANTE - Livros:

"Tesouros da Poesia Portuguesa". VIANA, António Manuel Couto.(Selecção, Prefácio e Notas). Editorial Verbo, Lisboa, 1984. In-4.º de 393-VII pp. Encadernação editorial com arranjo gráfico de Sebastião Rodrigues. Ilustrações de Lima de Freitas.

Testemunho de Conde de Monsaraz: As Mondadeiras



quarta-feira, novembro 25, 2015

TRATADO DO CANTE - Figuras do Cante

TRATADO DO CANTE - Figuras do Cante:
Visconde de Vila-Moura


"Onde Cantares mais belos?
...Belos até à exaustão!"

"E quão desconhecido é ainda esse trecho maravilhoso do Mundo, ostensor magnífico da cor; de céus extremos: por vezes tremendos; chão de estevas, searas formidáveis, com a graça, o movimento das grandes massas de água; planura de pastores e ascetas; paisagem de contemplativos, de cantores: de gente que dá à voz as tremulinas mareantes, enlevadas, dos cantores do chão, quando o palpitar, do estremecer da planície, à música de certas tardes...

- Quando há anos, revelámos, num trabalho quase esquecido (Terras do Sul - Cantares Alentejanos - in Revista "Águia" - Porto 1916/17) a extraordinária fonte lírica, notável sob os pontos de vista mais exigentes, que são os Cantos Alentejanos, corrigindo uma informação leve, gratuita, de Oliveira Martins, que algures, havia afirmado que o Alentejo não sabia cantar, - escreviamos sob a impressão do orfeão mais vivo, natural e maravilhoso, que em terras portuguesas, nos fora dado ouvir!

Ah, o orfeão alentejano é bem o transporte, o êxtase, do homem em canto; sua expressão mais alta e mais funda, como só a encontramos no habitante da estepe Eslava; alguma vez, no coral da gente misteriosa dos Alpes!

E, contudo, é clara sua sugestão: a sugestão da Terra; daquelas tremulinas, vivas e transparentes às horas cruas do dia; das músicas sombrias, lutuosas, pelas noites; da harmonia ascencional, incenso da voz, por vezes, que os alentejanos recebem do mistério da charneca; e o chão parece subir, filtrar religiosamente para eles...

Temos para nós que o Mistério é o maior elemento de Arte, porque é na razão mais íntima e forte da Vida. Pelo que inteiramente se enganam os falsos artistas que toda a obra pretendem tornar precisa, nítida. Se a vida o não é!

O Canto Alentejano é belo no seu escuro ou suave tumulto, tal como vem, se despega da índole: se é do génio nativo, do instinto!

Em sua razão a graça abstracta, ausente, da planura; uma crepitação viva, natural e fatal, como a do lume. Umas vezes em seu sonido, - as músicas perturbantes de um ressoar tremendo, como de caudal de sangue; outras - uma voz de brisa; e, em todo este expressionismo profundo - um ritual grave, alando-se à distância, supremo de religiosa agonia; a alma em alumbramento, em estado de dor, a dor em estado de sonho!

E, contudo, doce terra a despeito de inóspita, apartada e selvática - onde os homens cantam como estevas rezinam"...
(in " O Poeta da Ausência")

"Misteriosos cantos! Como Oliveira Martins, quase sempre o cronista do sonho, como dos nossos pesadelos, errou desta vez a figura do alentejano, ao informar-nos, na sua História de Portugal, de que ele só rarissimamente cantava! Bem pelo contrário, podemos afoutadamente dizer, o alentejano, e sobretudo o natural do Baixo Alentejo, rarissimamente deixa de cantar.

Ali o ouvimos sempre, estranho no seu imemorial lirismo, e tão singular e entranhadamente dramático como jamais o sentimos!

O coro alentejano é ainda e, sobretudo, a composição do homem no ermo, o canto da soledade que parece voar-lhe da boca verdadeiros ecos da terra.

Também por ventura daí a impressão da sua maneira, duma bizarria inigualavelmente evocativa.

É claro que isto não é lembrança aos empresários de orfeãos e editores de quadros populares que, de quando em quando, se dão a transplantar o que jamais pode dar-se fora das terras em que foi criado.

Aqueles orfeãos soariam entre os farrapos e a silharia dos nossos teatros com a mesma verosimilhança que lá usam as tempestades da cena, de facto, tempestades de lata.

Nem os cantores da pastoral alentejana, cremos, se sujeitariam à especulação.

De igual arte o apanhado de quadras, tal como geralmente se pratica, a esmo, sem atenção pela sua vida regional - feito com a leveza que usam as crianças nas colecções de selos - é, no melhor dos casos, um trabalho inútil, muitas vezes um erro de síntese, de molde a atenuar a expressão da alma do Povo, que importa ouvir na sua verdade, sem desfalque.

A obra do povo de tal maneira toma vulto nos seus cantos que estes não sofrem outra designação que não seja a do seu nome ou da obra anónima, o que vale o mesmo.

Ora com que direito há-de a especulação contrafazê-la? E, entretanto, esta contrafacção tem-se realizado em nome da Arte, tal a compreensão que dela, geralmente, se tem.

Como quer que seja, o que importa assinalar é que mais artista do que o que cria Arte é ainda aquele que se defende do crime de a contrafazer.

Ora o respeio pela lenda, como por tudo o que entende com a sua herança d'alma, usa-o instintivamente o Povo, talvez pela mesma superstição da sua ignorância admirável.

Exactamente porque não tem a pretensão de corrigir a obra anónima, sabe acrescentá-la; e o mais que usa é esquecer o que não lhe quadra à alma, que é também por via de regra, o que não tem beleza.

Pois que a vida é para o artista o aspecto delicado das coisas como quer que sejam e onde quer que existam, de boa alma importa que ele se lhes dê inteiramente. Ora, assim o compreende o supremo artista - O Povo, e designadamente o Povo do Alentejo, tão estranho na maneira de sentir a frenologia da sua paisagem como na razão rítmica e imaginativa das suas canções que de bom grado sobrepomos ao mais do lirismo e modulações corais da música popular portuguesa.

Com efeito, bem ao contrário do que afirmava Oliveira Martins, no Baixo Alentejo tudo canta, e, o que é mais, todos sabem cantar.

Velhos e moços nós ouvimos tardes inteiras, as raparigas ensombrando do seu canto as caras redondas, estranhos globos de luz, - a luz ambar da sua raça; Eles, velhos e moços, abstractos na atitude recolhida das coisas; e todos, de olhos longe, perdidos na mesma razão originária do seu lirismo, como fracções dum convento disperso, ecoando, religiosos, a onda triste da sua grande alma!

Porque onde o grande historiador tem razão é na afirmação absoluta da sua tristeza. Aí sim! No Alentejo, pode dizer-se, quase não há alegria. E daí o facto do alentejano, principalmente o mais meridional, cantar sobretudo a sua tristeza. Ao contrário dos seus vizinhos algarvios, o canto é para os pastores do Alentejo, uma das suas manifestações mais tristes, como também a mais constante às suas horas de ócio.

Esta tristeza é do seu génio lírico, cujas composições prendem, em geral à terra ou ao amor.

Compilam na sua canção queixas amorosas, duma ternura sem esperança e uma espécie de geografia da alma expressa na lembrança da terra, ou mais designadamente, dos lugares em que nasceram.

Estes os motivos, a bem dizer, únicos, do seu trecho lírico, e que tão fundamentalmente se casam ao estilo, como eles dizem, dos seus coros.

É ver a quadra seguinte, que tantas vezes lhes ouvimos:

Comparo Beja com Évora,
Baleizão com a Salvada,
Alvito com Vila Nova,
Alfundão com Peroguarda.

Aos moços da Margem Esquerda do Guadiana e que passam por ser, como os de Serpa, os melhores cantadores do Distrito, ouvi a seguinte canção, tristíssima, da maior melancolia:
A SOLIDÃO:
Quem parte, parte sem vida,
Quem fica nem alma tem,
Não tem alma, não tem vida
Quem se aparta do seu bem.

Foram sempre os povos das pastorais os melhores cantores, colhendo o seu lirismo dos montes, na soledade e mór recolhimento quando mais próximos estão da terra ou de si próprios.

Ora entre nós quase não tem sido cuidado o seu estudo. Os nossos cancioneiros em lugar de serem coleccionados segundo a província ou o agregado de origem, de forma a darem a geografia da alma portuguesa, quer no seu conjunto, quer nas suas cambiantes e indicações de nuance - são, pelo contrário, formados de quadras dispersas, em regra de geneologia desconhecida e desapropriada.

Como quer que sejam, o que é facto é que não podem passar espercebidos aos menos curiosos dos nossos artistas, os cantos alentejanos tais como, ali, são cantados, uma vez que procurem ouvi-los ou o acaso lhos depare.

É como já notámos, dum carácter sempre distante a gente alentejana, mas é ali, nos seus cantos, que por ventura ela mais, naturalmente, se revela e onde portanto melhor importa senti-la.

E não se imagine que o Povo cante unicamente meras composições de velha colheita, os cantos em definitivo já tratados pelo tempo. A gente alentejana forma um povo que tem como nenhum outro em Portugal, o culto da canção que improvisa a momento. Em cada passo da sua tristeza, como da sua remomeração tranquila, encontra ele o espiritual de novas canções. Há ainda ali a viola de arame, viola campaniça, como lá dizem, que ouvi à porta de uma taberna, tangida por um cego."
(in "Revista "Águia" - Porto 1916/17")
De Visconde de Vila Moura
((Desenho de António Carneiro, publicado em Doentes da Beleza, 1913)

terça-feira, novembro 24, 2015

segunda-feira, novembro 23, 2015

TRATADO DO CANTE - Grupos Corais:

Grupo Coral Feminino de Casével
Casével - Castro Verde


Provavelmente o primeiro grupo feminino constituído.
NOTA: Não tenho dados sobre este grupo. No entanto e por informações, sujeitas a confirmação, este grupo também era conhecido por "Mondadeiras de Casével". Sei que o grupo foi reactivado como "As Antigas Mondadeiras de Casével"Tem um cd gravado em conjunto com o Grupo Coral e Etngráfico "Vozes de Casével". Nesta altura encontra-se desactivado.

TRATADO DO CANTE - Grupos Corais:

Grupo Coral da Casa do Povo de Cercal do Alentejo
Casa do Povo de Cercal do Alentejo
7555 Cercal do Alentejo



Ficha Técnica:
- O Grupo foi fundado em 1 de Maio de 1974.
- Ensaiam à Sexta feira, à noite.
- O Grupo é composto por 23 elementos:
- Trajo: Camisa branca; Calças pretas; Colete preto, com distintivo da Casa do Povo do Cercal do Alentejo; Lenço garrido de cores vermelhas, verdes e brancas.
- Histórico: Tem desempenhos de Norte a Sul do País, com especial significado, para as actuações, no Alentejo e na zona da grande Lisboa, onde normalmente participam em Encontros de Grupos Corais.
- Têm uma média de 15 a 20 actuações por ano.
- Repertório: Do seu reportório fazem parte as "modas" que se cantam por esse Alentejo, com a influência, natural, da zona onde estão inseridos e o momento actual.
in: Corais Alentejanos, de JFP. Edições Margem. 1997.
NOTA: Grupo em actividade.
Mais informação deste grupo em: http://grupocoralcercaldoalentejo.blogspot.pt/

domingo, novembro 22, 2015

TRATADO DO CANTE: Grupos Corais:
Grupo Coral Alentejano da Amadora
2700 Amadora



Ficha Técnica:
- As origens do grupo remontam aos primórdios da década de 50, quando alguns dos seus elementos fundadores (ainda fazem parte do actual grupo, alguns desses elementos) actuavam na antiga Cozinha Alentejana, localizada na Avenida Gago Coutinho, junto ao Aeroporto da Portela, em Lisboa. No início dos anos 60, esses mesmos elementos dinamizaram o futuro grupo coral representativo da Casa do Alentejo, mas em 1972, o grupo transitou para a Casa do grande impulsionador e amigo do "cante" Alentejano - ALEXANDRE FELIZARDO, na Rua Pedro Franco, 6-A, na Amadora. 
- Em 1997, comemoraram as, suas, Bodas de Prata.
- Ensaiam às Sextas feiras, à noite, na SFRA.
O Grupo é formado por 24 elementos.
Trajo: Camisa branca; Calça castanha; Colete castanho; Lenço grená ao pescoço.
Tem uma média de 25 a 30 actuações por ano.
- Ao longo da sua existência actuaram: ao vivo em programas de rádio e de televisão. Em todo o território nacional, em Encontros de Grupos Corais, Desfiles e Festas, em todo o Alentejo e na zona da grande Lisboa.
- Registos Fonográficos:
                                 1985 (K7): Cante Alentejano (registo sonoro)
                                           ed.: Casa do Alentejo
                                           Fonoteca Faialentejo: cota: FF  CA K7-0030
                                 S.D. (K7): Grupo Coral Alentejano S.F.R.A. Amadora
                                           (registo sonoro)
                                           ed.: Grupo Coral Alentejano S.F.R.A. Amadora
                                           Fonoteca Faialentejo: cota: FF  CA K7-0019
                                 S.D. (K7): Grupo Coral Alentejano S.F.R.A. Amadora
                                                         (registo sonoro) ed.: Cristina Pereira
                                           Fonoteca Faialentejo: cota: FF  CA K7-0026
                                 1994 (Cassete): GRUPO CORAL S.F.R.A.A. 1989
                                           (registo sonoro) ed.:Maria L. S. H. Matos:
                                           Fonoteca Faialentejo: cota: FF  CA K7-0001
- Repertório: Cantam as "modas" que conseguiram resistir ao tempo, mantendo-se actualizadas, embora, algumas delas, com novas letras (grande parte, são da autoria do Senhor Francisco Poeira), que se reportam ao tempo actual e à zona onde o grupo está inserido, mas nunca esquecendo as suas raízes. Destacam-se: O meu Alentejo; O Alentejo em Lisboa; Sempre que canto esta moda; Alentejo és invejado; Pelo toque da viola; Ó linda pombinha branca; Lavoura antiga; Que lindas donzelas; Alqueva do Alentejo; Quando eu vim para Lisboa; Morrem as aves voando; Ó-ai-li-lari-ló-lé. Hino do Mineiro; Alentejo, terra do pão; Jardim florido; Lavoura nova; Cantarinhas de Beringel; Minha linda mocidade; Ao partir da minha terra; Pombinha branca.
in: "Corais Alentejanos", de JFP. Edições Margem. 1997.
NOTA: Este grupo foi o primeiro a actuar no Centro Cultural de Belém.