sexta-feira, abril 19, 2019

TRATADO DO CANTE - Almanaque:


ALENTEJANO

Ó planície vermelha amada
Eu sou filho d’ alvorada
Tenho a força do meu chão
Sou cidadão alentejano

Sou árabe, sou trigueiro
Tenho a cor da minha terra
Sou celta, sou quempis
Sou aquilo que quiseram
Meus avós andaluzes
Com um cavalo à desfilada
Com uma espada, uma flor
Um trigal de Granada

Eu sou moreno, sou do Sul
Sou cidadão alentejano
Sou a alma transtagana
Que meus avós me quiseram
Sou alentejano, sou minha pátria revoltada
Eu sou filho d’ alvorada.



In: “Meu Alentejo Total”, de Manuel Geraldo. Capa e ilustrações de H. Mourato. Foto da contra-capa de Leonardo Dinis. Edições Margem. 1998. Pág. 21.

quinta-feira, abril 18, 2019

TRATADO DO CANTE – À minha moda:

CASTELO DE BEJA



Do livro “BEJA – Olhares sobre a cidade”, de Joaquim Figueira Mestre. Edição de Câmara Municipal de Beja. Capa de Manuel Palma. Editado em 1991, páginas 131 a 133, registámos:

A TORRE DE MENAGEM
Castelo de Beja
Voando lá vais
Tu fazes inveja
Às águias reais

(Mário Beirão)

Vários foram os motivos que nos levaram a deixar para o fim a Torre de Menagem do Castelo de Beja. Por um lado porque foi certamente aí que se ergueu o primitivo castro romano e à sua volta se estruturou a milenária Pax-Júlia. (…)
Percorremos a cintura de muralhas quebrada de quando em quando por velhos torreões. Localizamos igrejas, conventos e palácios. Passeamos o nosso olhar pelas ruas estreitas e tortuosas do Centro Histórico. (...) Mais ao longe a planície, onde o nosso último olhar se perde num poente de ouro.”

Demos uma espreitadela ao poema de Mário Beirão:

"Castelo de Beja

Castelo de Beja,
No plaino sem fim;
Já morto que eu seja,
Lembra-te de mim!

Castelo de Beja,
De nuvens toucado;
A luz que te beija
É sol do Passado!

Castelo de Beja,
Espiando o inimigo;
Te veja ou não veja,
Sempre estou contigo!

Castelo de Beja,
Feito de epopeias;
Um sonho flameja,
Nas tuas ameias!

Castelo de Beja,
Subindo, lá vais…
Tu fazes inveja
Às águias reais!

Castelo de Beja,
Lembra-te de mim:
Saudade que adeja,
No plaino sem fim…"

Mário Beirão
(Beja -1890 \1965)

E agora o que se canta como Moda popular:

Castelo de Beja


Eu hei de ir, hei de ir,
Eu hei de ir andando.
Tu hás de ficar,
Tu hás de ficar,
Em casa chorando.

Castelo de Beja,
Subindo lá vais.
Tu metes inveja,
Castelo de Beja,
Às águias reais.

Às águias reais,
Tu metes inveja.
Subindo lá vais,
Subindo lá vais,
Castelo de Beja.



Minha terra é Beja,
Não posso negar.
Todos me conhecem,
Todos me conhecem,
Pelo meu cantar.”

Grupo "Mocinhos em Cante"