sábado, fevereiro 13, 2016

TRATADO DO CANTE - Destaque-se:

VICENTE RODRIGUES



Personalidade incontornável do Nosso Cante. Quem não se lembra das "Cantarinhas de Beringel"? de "As flores da minha terra"?  Criações suas!

Nasceu a 2 de Novembro de 1910 e faleceu em 12 de Janeiro de 1982. Natural de Alcáçovas, residiu deste tenra idade até ao fim dos seus dias, na Vila do Torrão. Comerciante, proprietário de uma loja situada na rua dos Cardins, onde se podia comprar do azeite as chitas, riscados ou tecidos de la, Vicente Rodrigues mantinha nesse espaço privilegiado internos contactos humanos. Muitos se recordarão ainda mesmo aqueles para quem se torna necessário recorrer a memórias de infância, da figura roliça, Calva de cara redonda, por detrás do velho balcão corrido, aviando o azeite a medida dos tostões da cliente ou medindo pano: bem disposto e comunicativo. O seu discurso deixava contudo transparecer uma certa ironia amarga mal disfarçada nas suas frequentes "mangações". Foi como dramaturgo e sobretudo encenador que primeiramente conquistou o apreço e admiração da população do Torrão que hoje lhe presta sentida homenagem. As suas peças de teatro fornecem do mundo uma visão maniqueísta: o bem sai vencedor e o mal punido. A pureza feminina, o casamento por amor, a vida no campo (em oposição á na cidade) são valores exaltados. A linguagem é simples e directa e a simbologia utilizada possui carácter vincadamente popular; rosa-donzela, cravo-homem jovem, branco-pureza, etc. Num meio de grande pobreza cultural, Vicente Rodrigues, persistentemente, todos os anos, montava o espectáculo teatral, muitas vezes depois de ter escrito a peça, preparado actores e cenário e vencido as mais diversas dificuldades. "Na Páscoa havia teatro do Vicente". Esse espectáculo iria lançar as canções que durante o ano seriam trauteadas por crianças e velhos e, sobretudo, acordava na consciência de cada uma consciência colectiva que Vicente Rodrigues guardava ano após ano mantinha viva. Foi sem dúvida como animador cultural espantoso bem inserido no meio, por ser filho e a ele dedicou tanto amor, Vicente Rodrigues conquistou um lugar muito especial no coração da população do torrão. A produção poética de Vicente Rodrigues, em grande parte destinada a ser cantada, é diversificada e reflecte quer as preocupações existenciais do autor quer problemas de cariz local.

Nota: Este texto é da página da Junta de Freguesia do Torrão.


Cantarinhas de Beringel


Cantarinha de Beringel
de fresco barro encarnado
da água doce fazes mel
da fresca doce gelado
ai e essa tua esbelteza
que uma tal graça encerra
foi roubá-la a Natureza
prás moças da minha terra.
Cantarinha de Beringel
minha linda cantarinha
pequenina graciosa
delicada donairosa
ai toda tão maneirinha
as moças da minha terra
modeladas a cinzel
pequeninas delicadas
são como tu engraçadas
cantarinhas de Beringel.

Quando o sol no horizonte
vai morrendo p’la tardinha
lá vai a moça prá fonte
à cabeça a cantarinha
ai a moça é tão formosa
qual bonequita de louça
mas não sei qual mais airosa
se a cantarinha se a moça.

As flores da minha terra

Ouvi dizer que a Cidade
Ia à praça vender flores
Vender flores é maldade
É maldade, sim, senhores!
É maldade, sim, senhores
Vender um amor-perfeito
Só pode vender amores
Quem não traga amor no peito!
Um raminho de violetas
À minha terra chamaram
As gentes das mais selectas
Que às suas portas passaram
Que às suas portas passaram
Perfumadas e selectas
E ainda mais o ficaram
P’lo perfume das violetas!
Ai, ai!
Ai, olhai!
Olhai, meus senhores
Minha terra linda
Mais linda é ainda
Por não vender flores!
Não vende, ela, as rosas
Cravos, também não
Que os lírios dão lírios
E os tristes martírios
Té saudades, dão!

TRATADO DO CANTE - Registos fonográficos:

Cota FaiAlentejo: FF  CA C7-0071         

1994 – (K7) CANTANDO O ALENTEJO (Registo Sonoro).



- Edição:  DUALSOM – Sacavém.

- Modas: O Alentejo dá pão; Já lá vem rompendo aurora; Ceifeira, linda ceifeira; Lírio roxo; as nuvens que andam no ar; Camponesa alentejana; Jovem pastorinha; Maria estás à janela; Almocreve; Ó minha pombinha branca; Mas que noite tão serena; Ao romper da madrugada; Ó águia que vais tão alta; Alentejo, terra sagrada.

Grupo de Cantares Alentejanos da Brigada Territorial nº. 3 da GNR – Évora

TRATADO DO CANTE - Registos fonográficos:

Cota FaiAlentejo: FF CA CD0071

2006 – (CD) “Casével é nossa terra”.



- Edição:  Cortiçol.

- Modas: Casével é nossa terra; Nasce o Sol no Alentejo; Cabelo entrançado; A seara está no campo; Ouvi, mil vezes, ouvi; A mondadeira cantando; Eu passei à beira mar; As nuvens que andam no ar; Igreja da nossa terra; Meu lindo Alentejo; O pastor vive contente; A passarada; Andorinha vem das lhas; Casével do Alentejo; Abalei tarde do monte; Minha terra, minha terra.

Grupo Coral As Vozes de Casével e Grupo Coral Feminino As Antigas Mondadeiras de Casével, Castro Verde.

sexta-feira, fevereiro 12, 2016

TRATADO DO CANTE - Escrito:

P. S. do poema “Carta com Post Scriptum”, de Artur Goulart do livro No fio das palavras, pág. 76 a 78. Edição da Santa Casa da Misericórdia de Velas, S. Jorge. 2010.

 “…
P. S.

Tu conheces avô, um coro alentejano? 
Rostos marcados, queimados
Braço no braço
Cadência no passo
Os olhos lançados longe
Do espaço do horizonte
E o coro baloiça firme
Ritmado e a voz que se agita
Que galga aflita a onda
Redonda e o som que dobra
Redobra ecoa retoma
O compasso atordoa
E enche o corpo dum grito
Que nasce do fundo do tempo
Da esperança do mundo…

É este o mar destas paragens!

Évora, Março de 1982”




"No fio das palavras
Um sopro insular atlântico percorre a planície alentejana, a Europa-outra: afectos e fascínios, ausências, distâncias. Magia do poeta e da sua palavra. Não vi melhor para transmitir o que senti e sinto ao (re)ler No fio das palavras, de Artur Goulart. E quem o diz é Urbano Bettencourt, poeta do Pico, em abraço do tempo ao Amigo e Mestre, de São Jorge.

No fio das palavras é um dos melhores livros de poesia que li em toda a minha vida, porque na palavra vejo o cais onde posso amarrar o barco da minha angústia e sinto ainda a pessoa do seu autor e a grande influência que teve em mim, nos quase seis anos (1962-1968) em que o tive como Professor, no Seminário de Angra.

(...)"

de: Santos Narciso
Jornalista. Diretor-Adjunto do Correio dos Açores,com grande sensibilidade e sabedoria, assina Leitura Atlânticas, no Atlântico Expresso, de Ponta Delgada, Ilha de São Miguel.


Artur Goulart homenageado em Évora em 29/6/2012 (foto de Olegário Paz).

"Nascido na Vila das Velas, de São Jorge, em 1937, Artur Goulart de Melo Borges (...), Coordenador do Inventário do Património Cultural Móvel da Arquidiocese de Évora, licenciado em arqueologia pelo Pontificio Instituto di Archeologia Cristiana. Fez Pós-graduação em Museologia e História da Arte, e é também formado em Teologia e Estudos Árabes. Técnico superior do Museu de Évora entre 1979 a 1992, desempenhou funções de director entre 1992 a 1999."


TRATADO DO CANTE - Registos fonográficos:

Cota FaiAlentejo: FF CA CD0070

2007 – (CD) “Memórias 2”.



- Edição: Grupo de Cantares de Évora.

- Modas: Nasce o Sol no Alentejo; Saudades são martírios; A moda do assobio; Não quero que vás à monda; Fui-te ver estavas lavando; Rapsódia; Olha a noiva se vai linda; Passarada; Ceifeira; Dá-me uma gotinha de água; Vou-me embora para Lisboa; Rosa branca desmaiada.

Grupo Cantares de Évora. 

TRATADO DO CANTE - Registos fonográficos:

Cota FaiAlentejo: FF  CA K7-0070

1995 (K7): Passarinho do campo (registo sonoro)



- Edição: DUALSOM.

- Modas: Passarinho do campo; Princesa do Sado; Flor de Amendoeira; Alentejo tem; O pequeno agricultor; Quanto mais linda é a rosa; Alentejo é terra linda; Quero deixar a cidade.

Grupo de Cantares Regionais "Os Afluentes do Sado", Alvalade do Sado, Santiago do Cacém.

quinta-feira, fevereiro 11, 2016

TRATADO DO CANTE - Almanaque:

“ÀS CAVALITAS DO TEMPO – mini-crónicas”, De Eduardo Olímpio. Coleção Cacto. Edição de Prelo Editora, SARL. De Maio de 1974.


 “(…) Na planície, a gente vê o horizonte no seu tamanho natural. Não admira que amemos as pequenas coisas – o orvalho na erva, um botão de rosa num craveiro de monte, as papoilas enfeitando rastos de cobras e abetardas. E embora não tenhamos aqui, nas nossas faces, o sol radioso do Alentejo, a gente alimenta-se muito do espírito de saudade, pois se não fosse ela não aguentaríamos a noite de pesadume que climatiza o nosso desterro involuntário…
(…)
Do prefácio (pág. 12) de Antunes da Silva


“O sofá-coma

quando o homem abalou, lá para as alemanhas, alguma coisa a avisava desgraça. era a modos que uma pessoa cá dentro, no coração a falar, a falar, lenga-lenga de mau agoiro. embora isso, não chorou. já se esquecera da cor das lágrimas, tantas secara nas costas da mão, filhos mortos, filhos idos, animais caindo de doença. por isso ali estava, cinco anos passados desde o dia da abalada do seu homem, a olhar a casa vazia de tudo: filhos, marido, trastes e mobílias.

apenas o velho baú forrado a pele, pele roçada e o velho sofá-cama, que a filha trouxera numa das poucas visitas, lá de lisboa. – para eu ficar quando cá estiver, dissera. – quando cá estiver: metera-se naquilo das danças e perdera-se por sabe-se lá que marrocos, diziam.

- resolveu-se. uma voz gritava-lhe que ainda tinha direito a viver (viver ou qualquer coisa parecida) mais uns dias. e a voz insistia: venda o sofá: coma!”

In: pág. 39.

TRATADO DO CANTE - Registos fonográficos:

Cota FaiAlentejo: FF CA K7-0069

1994 (K7): Rio Sado (registo sonoro)



- Edição: DUALSOM.

- Modas: Rio Sado; Vêem-se grandes trigais; Caçador (cão apanha o pato); Rosa encarnada; Pastorinha alentejana; Pediste uma laranja; Já nada é como era; Linda Rita; Cigano Alentejano.

Grupo de Cantares Regionais "Os Afluentes do Sado", Alvalade do Sado, Santiago do Cacém.

TRATADO DO CANTE - Registos fonográficos:

Cota FaiAlentejo: FF CA CD0069

2007 – (CD) “O Ninho”



- Edição: Grupo Coral 1º. De Maio do Bairro Alentejano de Palmela.

- Modas: A cegonha; Bairro Alentejano; O nosso lindo Alentejo; Velha vila de Palmela; É tão lindo o Alentejo; Linda vila alentejana; Ó meu lindo Portugal; Linda vila de Palmela; Venham ver o Alentejo; Verão; Quando eu era ganhão; Na planície Alentejana; Mineiro.

Grupo Coral 1º. De Maio do Bairro Alentejano de Palmela. 

quarta-feira, fevereiro 10, 2016

TRATADO DO CANTE - Registos fonográficos:

Cota FaiAlentejo: FF CA K7-0068

1993 (K7): Toda a vida fui pastor (registo sonoro)



- Edição: DUALSOM

- Modas: Toda a vida fui pastor; Jardim da Primavera; Barragem do Alqueva; Praias do Sul; Moça bonita; o Emigrante; Portugal és pequenino; Tenho um corpo semeado.

Grupo de Cantares Regionais "Os Afluentes do Sado", Alvalade do Sado, Santiago do Cacém.

TRATADO DO CANTE - Registos fonográficos:

Cota FaiAlentejo: FF CA CD0068

2007 – (CD) Grupo Coral Feminino “Alma Nova”.



- Ed.:  DISCOTONI.

- Modas: Ferreira do Alentejo, Às vezes lá no meu monte, É tão linda a Primavera, Sou português emigrante, Alentejo canta, Linda vila de Ferreira, Ó minha pombinha branca, Eu sou português, Linda camponesa, Baixo Alentejo, Ó águia que vais tão alta, Nasce o Sol no Alentejo, Os lírios são lírios,Adeus ó linda ceifeira.

Grupo Coral Feminino “Alma Nova”, Ferreira do Alentejo.

terça-feira, fevereiro 09, 2016

TRATADO DO CANTE - Trajes:

Ceifeira:
A roupa das ceifeiras é constituída por dois fatos: roupas do campo roupa de portas. 




Roupa do Campo – composta por botas altas, meias grossas pretas, saias dos calções (é uma saia de riscado muito franzida, apanhando- -se esta depois, aos joelhos com uns cordões que se chamam “orelos” e entre as pernas prega-se com alfinetes de dama), uma blusa velhas, um chapéu preto chamado “aguadeiro” no Inverno, no Verão chapéus de palha, um lenço com riscas pretas e brancas. É o fato de trabalho. 

Roupa de Portas – composta por uma saia feita de um tecido chamado “gorgorina” franzido ou não, uma blusa do mesmo tecido, ou de fazenda no Inverno. A blusa de Verão tem um folho quadrado, o avental era bordado à máquina, ou com folho por baixo, o lenço azul-escuro de seda. É o fato que as ceifeiras vestiam depois do trabalho nos campos.

TRATADO DO CANTE - Registos fonográficos:

Cota FaiAlentejo: FF CA CD0067                                                                                 

1997 – (CD) Voix du Portugal c/ livro explicativo.



- Ed.: CITÉ DE LA MUSIQUE/ ACTES SUD.

- Seleção: Salwa El-Shawan Castelo-Branco.

- Modas: Sobe acima ó laranjinha; Não é tarde nem é cedo, ao romper da Bela Aurora (...)

- Grupos: Grupo Coral e Etnográfico da Casa do Povo de Serpa e Grupo Coral Alentejano Amigos do Barreiro (...)

TRATADO DO CANTE - Registos fonográficos:

Cota FaiAlentejo: FF CA K7-0067

1989 (K7): Canta, canta passarinho (registo sonoro).



- Edição: DUALSOM

- Modas: Canta, canta passarinho; Já lá vem rompendo aurora; Alvalade é nossa terra; Passarinho do Alentejo; Vejam bem os passarinhos; Sou um jovem pastorinho; Passarinhos não falam mas cantam; Alentejo, casas brancas.

Grupo Coral e Instrumental de Alvalade do Sado

segunda-feira, fevereiro 08, 2016

TRATADO DO CANTE - Registos fonográficos:

Cota FaiAlentejo: FF CA K7-0066
1988 – (K7) S/T (Registo Sonoro).


- Edição: Edições Carlino

- ModasÓ Xarrama; Ai que o sol já vai a pino; Trigueirinha; Chegou a Primavera;A flor do rosmaninho; Olha tu ó poeta; Onde estás tu, Primavera; Ó Xarrama dos Penedos; O Tomilho; As Leiteirinhas.

Grupo Coral Feminino Cantares do Xarrama, Torrão, Alcácer do Sal.

TRATADO DO CANTE - Registos fonográficos:

Cota FaiAlentejo: FF CA CD0066

2004 – (CD) “Descantes”.



- Edição: HMC – Produção e Edição de Som e Imagem, Lda.

- Modas: O meu coração fechou-se; Machadinha; Canção de Natal (Alpalhão); Descante de casamento; Chica; Cantiga de S. João; Senhora da Graça; Cravo Roxo; Saias das Sortes; Canção de Natal (Arronches); Saias de Arronches; Catarina; Giesteira.

Grupo de Cantares de Portalegre “O Semeador”.

domingo, fevereiro 07, 2016

TRATADO DO CANTE - Almanaque:

“Estancias d’Arte e de Saudade”, de Fialho d’Almeida. Edição de Livraria Clássica Editora de A. M. Teixeira. 1921.



(…)
TERRA ALEMTEJANA

(…)
Sou um pobre vindimador do Meio-Dia, tostado, cheio de diabos vermelhos, de requintes d’arte pura, um tanto briac-à-braquista, com projectos de milionário e rendas de lazzaroni; por forma que resido sob um sol de Kabylia, n’uma das mais ignorantes e pobres aldeias do Alemtejo.
(…)

In: Pág. 154.

TRATADO DO CANTE - Registos fonográficos:

Cota FaiAlentejo: FF CA CD0065

2003 – (CD) “Vale de Vargo a Cantar”.



- Edição: Rancho Coral os Camponeses de Vale de Vargo.

- Modas: Vale de Vargo é minha terra; Que bonito não seria; É lindo na Primavera; Portugal é pequenino; Levantei-me um dia cedo; Que inveja tens tu das rosas; Alentejo não quer; Já morreu quem me lavava; Trabalhei a vida inteira; Menina Florentina; Francisquinha; A moda da Lavoura.

Rancho Coral Os Camponeses de Vale de Vargo, Serpa.

TRATADO DO CANTE - Registos fonográficos:

Cota FaiAlentejo: FF CA K7-0065

1994 (K7): Associação do Grupo Coral Alentejano de Alvito (registo sonoro).



- Edição de Maria L. S. H. Matos

- Modas: Alvito és nossa terra; Ceifeira, linda ceifeira; Erva cidreira; Camponesa, linda; Era triste ver partir; Alentejo têm; Velhinha e velha és Vila Nova; Ainda agora aqui cheguei; Já lá vem no alto mar; Linda jovem era pastora; Alvito, meu lindo Alvito; Estava de abalada; Alvito, Baixo Alentejo; Vou partir para o Canadá; Só uma pena me existe; Trigueirinha Alentejana.

Associação do Grupo Coral Alentejano de Alvito