sexta-feira, dezembro 09, 2016

TRATADO DO CANTE - É Natal:

1996 (CD): Colecção de Folclore Alentejano (registo sonoro, com livreto)
- Edição: Câmara Municipal de Portel



- Cânticos: O Deus-menino (Aljustrel); O menino (Vidigueira); O Deus-menino (Aldeia Nova de São Bento); O Deus-menino (Aljustrel); As janeiras (Vila de Frades); Os Reis (Castro Verde); Os três cavaleiros (Aldeia Nova de São Bento); Os três cavalheiros (Peroguarda); O canto das almas (Peroguarda). 
(...)
FF CA CD-0034 - FaiAlentejo

quarta-feira, dezembro 07, 2016

TRATADO DO CANTE - Almanaque:

"o universo é como que um meio sem pontas…"





“(…)
A saudosa Natália Correia que tanto amava o Alentejo, contou-me um dia um episódio passado com ela (…). Eis essa história, mais tarde recordada pela pena de seu marido o poeta Dórdio de Guimarães (na comunicação apresentada no “Encontro Outono Poético”, realizado em Monsaraz de 18 a 20 de Novembro de 1994):
Numa dessas tardes então percorríamos nós uma estrada que, vinde de Évora, se embrenhava numa famosa zona onde abundavam preciosidades megalíticas como antas, dolmens e menires, quando deparámos com um vagabundo, maltês típico, saindo estremunhado da gruta de uma anta. Natália, surpreendida, pediu que o automóvel parasse com o intuito de interpelar a singular criatura. Trocadas as primeiras palavras, o nosso maltês, sábio e pachorrento, esclareceu-nos que, como era evidente, a sua profissão era andar de terra em terra, comendo o que apanhava ou lhe davam e dormindo onde calhava. Daí, ter-se acolhido na noite anterior nessa anta, tardiamente, ter-se deitado de costas no chão, olhando as estrelas, ficando a meditar nelas, como era seu uso, até adormecer. Agora acordara e ia meter-se ao caminho. Natália pergunta-lhe: Então gosta de olhar as estrelas, pensar nelas, tentar percebê-las. O senhor é um filósofo, é um poeta. Diga-me uma coisa: Como definiria, o que é para si o firmamento, o universo?
O maltês coçou os queixos de pelos ralos, fixou Natália, penetrantemente, numa lenta cogitação e, ao fim de um minuto, saiu-se com este conceito que nos estarreceu, pois tratava-se de um analfabeto: Olhe minha senhora, o universo é como que um meio sem pontas
(…)”


In: “As Sandálias do Mestre”, de Adalberto Alves. Edição Ésquilo. Outubro de 2009. Pág. 192.

segunda-feira, dezembro 05, 2016

TRATADO DO CANTE - Escrito:

“A CRIAÇÃO DA POESIA POPULAR PORTUGUESA


(…)
Havendo selecionado as cantigas deste livro em dezenas de cancioneiros regionais ou locais e em cerca de sessenta mil trovas, mais ou menos diferentes, tivemos ocasião de constatar que o acervo das mais belas quadras, das que em si guardam mais sabor e expressão popular, se canta de norte a sul e leste a oeste, em todos os cantos de Portugal. Constitui uma espécie de Bíblia lírica, de Evangelho do amor, adotado e aperfeiçoado por todo o povo português.
Duas outras razões nos convenceram dessa predominante origem e genuinidade popular das trovas cantadas pelo povo. Primeiramente, o talha e a fragância rústica dessas pequenas flores. Dalgumas a beleza e o primitivismo formal são inseparáveis da linguagem do povo. Ouça-se esta quadra alentejana que reproduzimos, sem alteração de sinal gráfico, do “Cancioneiro Alentejano” de Victor Santos, tão pura de forma, tão cheia de côr e pitoresco desgarre:

S’és galo alivanta a crista,
S’és frango larga a pinuge;
S’o desafio é comigo,
At’os sapatos e fuge.

A beleza plástica da quadra é, como se vê, inseparável da prosódia popular, como nesta outra, reproduzida das “Cantigas Populares Alentejanas”, de Pombinho Júnior, onde abundam casos semelhantes:

Água clara não se turva
Sem haver quem a ennode;
Amor firme não se muda:
Ainda que queira não pode.

E esta outra ainda:

Contrabandista valente,
Corri campinas e vais;
E os guardas na minha frente
Com pistolas e punhais.

Outras vezes, sente-se na pequena trova uma maneira tão simples e direta, tão isenta de todo o artifício literário e, por isso mesmo, tão empolgante, de exprimir o sentimento, que, só por si, exclue toda a ideia da origem culta. Ouça-se:

Já os atalhos tem erva
Depois que aui não vieste;
Dize-me, amor da minh’alma,
Que agravo de mim tiveste?!

Ou:

A minha amada morreu,
Eu já não a torno a ver;
A flor no campo renasce,
Ela não torna a nescer!

(…)”

 In: “O que o povo canta em Portugal”, de Jaime Cortesão. Coleção Clássicos e contemporâneos. Edição de Livros de Portugal, Lda. Agosto de 1942. Págs. 21 a 30.

TRATADO DO CANTE - Registos fonográficos:

 CÂNTICOS DE NATAL



2014 – (CD) “Monsaraz do Natal aos Reis”
- Edição: Grupo Coral da Freguesia de Monsaraz.
- Coordenação de Joaquim Cardoso.
- Temas/Cânticos: Romance; Menino Jesus; Virgem Santa Maria; Natal, luz e cante; Meia-noite dada; Entrai, pastores, entrai; Anúncio; Deus Menino de Aldeia Nova de São Bento; Natal de Elvas (Arre burriquito); Virgem Santa Maria; Para o Menino Jesus o Cante; Quando o Menino Nasceu; Natal da Vila; Deus Menino de Aljustrel; Natal de Évora (Menino está dormindo); Menino Jesus; Quais são os três cavalheiros; Deus Menino de Peroguarda; Natal da Vila; Boas festas; Deus Menino de Safara; Desce daí; Esta noite é de Janeiras; Cante de Reis de Monsaraz; Noite Feliz.

Grupo Coral da Freguesia de Monsaraz; Grupo À Capela; Manuel Sérgio e José Farinha; Quarteto de Cordas Baccus.
Cota FaiAlentejo: FF CA CD 0111

"Presépio" em basalto. Por Al-Zéi.

domingo, dezembro 04, 2016

TRATADO DO CANTE - Registos fonográficos:

CÂNTICOS DE NATAL:
CORAIS POLIFÓNICOS ALENTEJANOS


1995 (CD): Cante de Natal e Ano Novo (registo sonoro)
. Edição de ImagemImenso, Lda.
. Grupos: Os Vindimadores da Vidigueira; Cubenses Amigos do Cante; As Camponesas de Castro Verde; Alma Alentejana de Peroguarda; Os Ceifeiros de Cuba.
. Cânticos: O Menino I; O Menino II; O Menino III; Os Bons Anos I; Os Bons Anos II; Os Bons Anos III; Quais São os Três Cavalheiros I; Quais São os Três Cavalheiros II; Boas Festas.
Fonoteca Faialentejo: cota: FF  CA CD-0024

"Presépio". Em basalto (bp). De Al-Zéi.