quinta-feira, outubro 27, 2016

TRATADO DO CANTE - Almanaque:

"IMAGENS DO ALENTEJO" 




“Da colecção “Amanhã” aos seus leitores

“Desejando estimular o mercado livresco e tornar conhecidos alguns valores novos, ofuscados pela densa neblina onde gravita um punhado de astros sem luz própria, e cujo brilho é devido apenas aos reflexos reverberantes de velas acesas em Capelinhas do Elogio Mútuo, deliberou esta colecção pôr o seu esforço e boa vontade ao serviço de uma causa elevada, tentando arejar a mentalidade portuguesa a rajadas de luz, emitidas por novos sóis, com vida e brilho próprios.

(…)

Este volume, "Imagens do Alentejo", documentário vivo e calcinante, sem grandes preocupações literárias, da fecundante região dos grandes senhores e dos grandes escravos, é uma obra essencialmente regionalista, onde são cantadas as belezas do seu solo, e as grandezas e misérias do seu povo, pelo jovem alentejano Henrique Zarco.

Este novel escritor, ao delinear esta obra, quis chamar a atenção dos homens de letras, artistas e governantes da nossa terra para essa fecundante região que se estende ao longo duma planície tam vasta, que se perde de vista na imensidade do dourado das espigas trazidas à superfície pelo esforço hercúleo dos seus filhos e … que não lhes garante o pão para o seu sustento.

É pois, para esse manancial de beleza ardente e artística, em cujo solo escaldante se abrasa e esquece este nobre povo alentejano, que apelamos para todos os corações sensíveis, que auscultem a vida desta dolente gente que revolve a terra em busca do minério e do pão.”


In: “Imagens do Alentejo (documentário da vida alentejana)”, de Henrique Zarco, colecção Amanhã, 1936, Imprensa Artística, Lda. Ilustrações de Manuel Ribeiro Pavia (1936). Págs. 7 a 10.

terça-feira, outubro 25, 2016

TRATADO DO CANTE - Grupos Corais:

ALJUSTREL - ALJUSTREL

Grupo Coral do Sindicato da Indústria Mineira do Sul
"Mineiros de Aljustrel"
7600 Aljustrel





Ficha Técnica:

- O Grupo foi fundado em 18 de Janeiro de 1926.

- Ensaiam às Sextas Feiras, pelas 19 horas na Sede do Sindicato.

- O Grupo é composto por 23 elementos (+).

- Trajo: Fato de macaco, de cotim azul (trajo de mineiro); Lenço verde e vermelho; Capacete de mineiro.

- Histórico: Fazem entre 40 e 50 actuações por ano com desempenhos em todo o País em Encontros, Desfiles, Festas, Concursos e Festivais, com especial relevo para as actuações em todo o Alentejo e na zona da Grande Lisboa, onde são mais solicitados. Dos seus desempenhos salientam-se os seguintes: Televisão:          Festival da canção em 1989 para a RTP; Programa 1,2,3 no Canal 1; Programa em Português nos Entendemos, no Canal 2; Cerimónia de Entrada de Portugal na CEE, na TVI. Estrangeiro: Actuações na festa de L'Humanité, em França. Concursos: Beja,  Castro Verde, Casa do Alentejo. Festas: Festa do Avante; Festa da Amizade, no Larangeiro; Festa do Inatel em Serpa. Dia de Camões: Desempenhos no Teatro Trindade, São Pedro do Sul, Coliseu dos Recreios, Teatro D. Maria II, FIL. Festivais:   Festival Internacional de Folclore do Algarve. Entre outras.

- Registos Fonográficos:

. Um LP (vionil) com 2 registos (esgotado);

.1975 (Maio) (EP) vinil “Grupo Coral dos Operários Mineiros de Aljustrel”
- Edição: Arnaldo Trindade & Cª. Lda.
Cota FaiAlentejo: FF CA LP-028

.1975 (K7): Grupo Coral dos Operários Mineiros de Aljustrel Edição
- Edição: Arnaldo Trindade & Cª. Lda.
Cota Faialentejo: FF CA K7-0046

.1984 (K7): Grupo Coral dos Operários Mineiros de Aljustrel

.1996 (K7): Folclore Português
- Edição: Movieplay Portuguesa, SA
Cota Faialentejo: FF CA K7-0094

.1996 (CD): “Colecção de Folclore Alentejano”
- Edição: de C. M. de Portel
- Gravado em 1948, pelo Prof. Joaquim Roque.
- Fonte: Grupo Coral Dr. Bento Parreira do Amaral da Casa do Povo do Sindicato Mineiro de Aljustrel.
Cota Faialentejo: FF CA CD-0034

.1998 (CD): O Cante da Água - Cante a Despique e Baldão
- Edição: ImagemImenso, Lda.
Cota Faialentejo: FF CA CD-0023
                                  
.2002 – (CD) Aljustrel Tradição Musical (Registo Sonoro),
- Editado por CNM – Companhia Nacional de Música
Cota Faialentejo: FF CA CD0047

- Repertório: Do seu reportório fazem parte as "modas", que se cantam no Alentejo, com a influência da zona onde estão inseridos e da sua profissão. Modas:    Hino dos Mineiros, Aljustrel é nossa terra, Ceifeira do Alentejo, Ao romper da bela aurora eu ouvi um passarinho, É tão grande o Alentejo, A galinha da minha vizinha, Aljustrel vila mineira, Já deixei o Alentejo, Ceifeira linda ceifeira, Alentejo dos trigais, Aljustrel do Alentejo no centro da agricultura, Quem há-de meu bem quem há-de, Dá-me um beijo morena, Vá-se embora seu maroto, Sines é porto de mar, Almocreve cantando, Ao romper da bela aurora sai o pastor da choupana, Aljustrel terra velhinha, Ao romper da bela aurora sai a pomba do pombal, Um raminho de flores, Grupo coral dos Mineiros no Sindicato assinado, Quando eu fui ao jardim, Nasce o Sol no Alentejo, Vai de centro ao centro, Vila de Aljustrel, Eu sou português, Vai colher a silva, Camponês alentejano, Grândola vila morena, Fim de sessão.

In: “Corais Alentejanos” (em actualização), de JFP.

Nota: Fotografias tiradas em 2014, no Encontro de Grupos Corais, na Feira de Castro.

domingo, outubro 23, 2016

TRATADO DO CANTE - Escrito:

“Nunca ouvi um alentejano cantar sozinho
(José Gomes Ferreira)


“(…)
A Cultura Popular não é uma subcultura, em comparação com a cultura dominante que impõe gostos e escolhas ao conjunto da sociedade. A cultura popular exprime-se frequentemente como resistência à «cultura cultivada», como uma cultura de pessoas, do povo, construída sobre a vida quotidiana e ritmada pelo trabalho, pela natureza, pela alegria, pela tristeza… uma cultura colectiva e solidária para cantar e contar a vida, para projectar no futuro as suas esperanças e as suas aspirações, para lembrar ao presente a vida de outros tempos!
… e que contribuem para que continuemos a não cantar sozinhos, …”

de Victor Martelo
Presidente o Município de Reguengos de Monsaraz
In: Programa “monsaraz – museu aberto 22 a 30 Julho 2006”


«CIRCUNSTANCIAIS, IV:

Nunca ouvi um alentejano cantar sozinho/
com egoísmo de fonte.//

Quando sente voos na garganta,/
desce ao caminho/
da solidão do seu monte,/
e canta/
em coro com a família do vizinho.//

Não me parece pois necessária/
outra razão/
 - ou desejo/
de arrancar o sol do chão - /
para explicar/
a reforma agrária/
do Alentejo.//

É apenas uma certa maneira de cantar.»

José Gomes Ferreira