sábado, abril 09, 2016

TRATADO DO CANTE - Escrito:

"cantam para não ouvir o silêncio" 



“(...) A solidão alentejana teve o seu antídoto na comunidade coral: é vê-los, cerrados numa determinação comunitária, que tem muito de sagrado (...) é a sacralização da vida pouca na muita terra alentejana, e das agonias que ela engendra (...) cantam para não ouvir o silêncio. A voz demoníaca do silêncio. E eu imagino ... não um ou outro grupo desgarrado, cantando como orgãos dispersos na nave da planura. Mas todos os grupos formando um único coral magnífico, o verbo alentejano finalmente incarnado.”
Natália Correia

TRATADO DO CANTE - Registos fonográficos:

Cota FaiAlentejo: FF CA K7-0123
1993 (K7): Música Popular Portuguesa


- Edição: Dualsom

                                  Modas: Ó Elvas; Quando fui ao Alentejo; Coração alentejano; Emigrante português; Saias à nossa moda; As ruas da minha aldeia; Festas de Campo Maior; Vivam todos os feirantes.
C. Nova Dança.

                                           

sexta-feira, abril 08, 2016

TRATADO DO CANTE - Escrito:

“Só no Alentejo há o culto popular do canto. Ali se criou o tipo original do “cantador”. Pelas esquinas, altas horas, embuçados nas fartas mantas, agrupam-se os homens: esmorece a conversa, faz-se silencio e de súbito, expontâneamente, rompe um coral. É o diálogo em que eles melhor se entendem, é a conversa em que todos estão de acordo.”
Manuel Ribeiro


 Grupo Coral de Albernôa



Manuel Ribeiro (1878-1941), natural de Albernoa, freguesia de Beja, foi um dos mais destacados militantes anarco-sindicalistas da primeira República. Com pouco mais de vinte anos veio para Lisboa, dedicando-se à tradução e ao jornalismo. É também o momento em que inicia uma obra literária, que anos mais tarde dele fará um dos mais lidos escritores do tempo. Como tradutor, verteu para o português obras de Gorki, Tolstoi, Kropotkine e Paul Elzbacher. A ligação militante ao anarquismo operário data de 1908, mas a primeira colaboração com a imprensa libertária é de 1909. Entre 1912 e 1914 é um dos mais assíduos colaboradores do semanário O Sindicalista, órgão da corrente operária libertária. Com o fim deste e a fundação de A Batalha, Manuel Ribeiro transfere para este diário a sua colaboração, que mantém até Março de 1921.

A revolução russa de 1917 dividiu o movimento operário mundial e Manuel Ribeiro, vendo nos sovietes um equivalente do sindicalismo revolucionário, toma partido pelo bolchevismo, fundando com outros a Federação Maximalista, cujo jornal dirigiu, e o Partido Comunista Português. Mais tarde, em 1926, converteu-se (em privado) ao catolicismo. A conversão não levou porém o autor a alhear-se das antigas preocupações, acabando por se manter dentro da mesma esfera, com a aproximação a sectores católicos socialmente empenhados. Dirigiu nesses anos a revista católica Renascença, fundou uma outra, Era Nova, esta com o padre Joaquim Alves Correia, e publicou um livro de ensaios, Novos Horizontes (1930), em que esclarece a sua separação da fórmula integralista, que por então dominava nos meios católicos. 

Talvez por isso Alexandre Vieira, o principal redactor de A Greve, d’O Sindicalista e d’A Batalha, não tivesse dúvida em citá-lo muitos anos depois no pórtico de abertura de Figuras Gradas do Movimento Social Português (1959, p. XI) como um dos que prestaram excelente cooperação ao Movimento Sindicalista, ao lado de Aurélio Quintanilha, César Porto, Sobral de Campos, Pinto Quartim, Jaime Brasil, Julião Quintinha, Artur Portela e Cristiano de Carvalho, todos sem biografia constituída nesse livro repositório do primeiro sindicalismo português.

O legado de Manuel Ribeiro, pelo trajecto variadamente complexo do autor, não é um legado fácil. Ainda assim não nos parece justo avaliá-lo na esfera da apostasia, ou da oportunidade de ocasião, pois as inquietações religiosas do autor, aliadas a um interesse erudito pela arquitectura do sagrado, eram por ele assumidas publicamente desde 1916. E o seu primeiro romance, A Catedral, em cuja medula palpita toda a questão da sua posterior conversão, é de 1920, ano em que publica a compilação das crónicas n’O Sindicalista e n’A Batalha, em que se empenha na consolidação do Bandeira Vermelha, órgão da Federação Maximalista, e em que projecta a criação do Partido Comunista, além de ser aquele em que passou três meses no Limoeiro na sequência duma greve dos Caminhos-de Ferro.

Sobre esta figura tão complexa como hoje desconhecida, Gabriel Rui Silva fez uma longa investigação de anos pelos arquivos e bibliotecas de que resultou em 2009 uma dissertação de doutoramento apresentada com sucesso à Universidade Aberta. Essa dissertação académica foi agora dada à estampa em livro, Manuel Ribeiro, o Romance da Fé (2010, ed. Licorne, pp. 304; ver editoralicorne.blogspot.com). Dela fez ainda o autor uma curta sinopse, em poucas páginas, que acabou de dar à estampa no último número da revista A Ideia (nº 69, Abril, 2011).

António Cândido Franco / 16 de Maio de 2011

aideialivre.blogspot

TRATADO DO CANTE - Registos fonográficos:

Cota FaiAlentejo: FF CA K7-0122
1995 (K7): “Saias da minha terra”


- Edição: Lusosom.

                                  Temas: Terras do meu Alentejo; Que lindas festas; Saudosa ceifeira; Por morrer uma andorinha; Campo Maior na primeira; ò Rama Ó que linda rama; As minhas ruas; A arte no Alentejo; Cantigas da minha gente; Coração insatisfeito.


Francisco Carlos.

quinta-feira, abril 07, 2016

TRATADO DO CANTE - Registos fonográficos:

Cota FaiAlentejo: FF  CA K7-0121
1994 (K7): “Bailarico Saloio”


- Edição: Iberdisco.

                                  Temas: Valsa da entrada; Verde gaio; O enleio; Quatro passos; Pai pobre; Salto em bico; Vira de roda; O fadinho; Vira de Ponte de Sôr; Saias de Ponte de Sôr; A moda do bailarico; Corridinho; Marcha de saída.


Rancho do Sôr, Ponte de Sôr.

quarta-feira, abril 06, 2016

TRATADO DO CANTE - Almanaque:

MINHA MÃE AMASSA O PÃO

"(...)
Minha mãe amassa, amassa,
Prà farinha sair pão –
E põe, se a água lhe falta,
Lágrimas do coração.


Minha mãe amassa a vida,
E a vida cabe-lhe inteira
Na farinha desmedida,
No infinito da peneira.


Minha mãe amassa a pedra,
Dura, como todas são –
Mas quando a massa leveda,
Já a pedra se fez pão.


(...)"

de: António Simões

TRATADO DO CANTE - Registos fonográficos:

Cota FaiAlentejo: FF CA K7-0120
1994 (K7): Searas


- Edição: Tecla.

                                  Modas: Seara Jovem; Saia velhinha; Ré Ré Cotaplé Plé; Sortes; São Marcos; Catarina; Saias da Tia Maria Esteves; Rouxinol; Ora vai-te embora; Grilinho.

Grupo Seara Jovem (da Soc. Filarmónica Monfortense), Monforte.

terça-feira, abril 05, 2016

TRATADO DO CANTE - Registos fonográficos:

Cota FaiAlentejo: FF CA K7-0119
1994 (K7): Alentejo vol. 2


- Edição: MSG.

                                  Modas: Coração Alentejano; Saias do Alentejo; Da minha aldeia; O que levas na garrafinha; Nos campos cantavam os grilos; Terras do Alentejo; Tempos de criança; Vamos lá cantar as saias; Saias à nossa moda; Amores prefeitos; Ó Elvas; Emigrante português; Poema ao Alentejo; O pastor pôs-se a pensar; Ao teu olhar; Quando fui ao Alentejo.


Os Rouxinóis