sábado, abril 23, 2016

TRATADO DO CANTE - Almanaque:

MINHA MÃE AMASSA O PÃO




"(...)
Minha mãe amassa a Lua
Em dia de Lua nova,
E a amassar continua
Quando a Lua se renova.

Minha mãe amassa o Sol,
Meu pai abana a cabeça:
Tem receio que o pão mole
Depois não mais arrefeça.

Minha mãe amassa a terra
Deste nosso Sul ardente –
Tanta dor o pão encerra
Pra saber à nossa gente.
(...)"


de António Simões.

TRATADO DO CANTE - Registos fonográficos:

Cota FaiAlentejo: FF CA K7-0136
1994 (K7): “Música Popular – Saias”


- Edição: Disconorte.

                                  Temas: As terras do Alentejo; Ó Elvas; Festas da minha terra; Saias do Alentejo; Cantigas do Alentejo; Galveias por mim cantada; Canto o Alentejo; Terras do meu País; Cantigas do Ribatejo; A minha terra é Galveias; Alto pinheiro ramudo; Mara Malveira; Não quero que vás à monda; Comadre Maria Francisca; Menina Florentina; Aurora tem um menino; Carafo, caramba; comboio novo.

Vários.

sexta-feira, abril 22, 2016

TRATADO DO CANTE - "São Saias..."

«TEXTO RETIRADO DE UMA BROCHURA DA CASA DO ALENTEJO POR
ALTURA DO SEU 57º. ANIVERSÁRIO 5.7.980»

SAIAS DE CAMPO MAIOR



A cerca de 284 quilómetros de Lisboa, no Distrito de Portalegre, a vila fronteiriça de Campo Maior oferece ao forasteiro um panorama encantador com a brancura do casario, ruas empedradas com janelas floridas e sacadas de ferro forjado.
Majestoso, o Castelo romano com denominação árabe e mais tarde reedificado por D. Dinis.
A agricultura é a base da economia, mas foi muito atingida pela emigração. A Cooperativa Agricola Unidade de Trabalhadores é exemplo de quanto pode a força do trabalho, produzindo dos melhores azeites do País, tal como a carne ovina e porcina. No seu supermercado aberto a todo o Povo, duas constantes: alta qualidade e baixo preço.

As "Saias" - segundo o professor Frederico de Freitas: «a fisionomia melódico-rítmica tem a particularidade de alternar o compasso 6 x 8 com o ternário. Existe na Andaluzia e em Cuba uma canção popular que oferece no aspecto rítmico a mesma característica - é a "Guajira"».
Devido à sua localização, faz-se sentir a influência espanhola. Assim, as Saias de Campo Maior são normalmente acompanhadas por castanholas ou pandereta (ou por ambas).
Música característica do Alto Alentejo, para o leigo trata-se de uma canção em tempo de valsa, mais lenta, que outrora era muito ouvida nas festas e romarias, casamentos, bailes rurais, etc.
Muitas são cantadas ao desafio, maliciosas, críticas, satíricas, ou notabilizando o valor de quem trabalha, a beleza da mulher e da natureza, etc.
Quando terminava a safra da azeitona, o Rancho fazia um Pendão e havia festa: iam cantando té à aldeia, vila, ou cidade.

                                      Já se acabou a azeitona
                                      Já se ganhou o dinheiro.
                                      Dêem vivas ao patrão
                                      E também ao manajeiro.

Depois seguia o baile.
O Rancho de Saias de Campo Maior assoberbado com afazeres e preocupações na sua cooperativa, caíu na inércia. Mas para salvar as Saias criou um Rancho Infantil. Não seria pedagógico e humano a sua presença a estas horas, neste serão, para chegarem de madrugada a casa.

Correspondendo ao nosso pedido, um grupo de ex-cantadores-bailadores reagruparam-se e em poucos dias prepararam a exibição para o nosso «Serão», integrado no «nosso» intuito de preservar algo em perigo de se perder.

TRATADO DO CANTE - Registos fonográficos:

Cota FaiAlentejo: FF CA K7-0135
1995 (K7): “Música Popular Portuguesa – Saias”.


- Edição: Dualsom

                                  Temas: Temporal em Campo Maior; Lindas festas de S. Mateus; Obrigado Campo maior; Coração Alentejano; Eu vi Estremoz; Cidade de Elvas, um sonho; Se pudesse voltar ao passado; Campo Maior terra de sonho.

Vários.

quinta-feira, abril 21, 2016

TRATADO DO CANTE - Almanaque:

MINHA MÃE AMASSA O PÃO



"(...)
Minha mãe amassa a pressa
Dos amantes clandestinos –
Vão partir antes da alva,
Com eles, tristes partimos.

Minha mãe amassa o terno
Olhar dos jovens amantes –
Quem já vive um triste inverno,

Fica novo por instantes.

Minha mãe amassa o sonho,
Quando o sonho é pesadelo –
Tem o pão sabor medonho,
Ninguém se atreve a comê-lo.
(...)"

de António Simões.

TRATADO DO CANTE - Registos fonográficos:

Cota FaiAlentejo: FF CA K7-0134
1995 (K7): "Campo Maior Forido 95"


- Edição: Gravisom.

                               Temas:   Festas 95; Saudade; Campo Maior; Quadras soltas; Momentos; Desafio amizade; Festas do Povo; Desafio: nasci a cantar.

Vários

quarta-feira, abril 20, 2016

TRATADO DO CANTE - Festas e Romarias:

"ROMARIAS


Pelas estradas poeirentas, ouve-se ao longe o alegre tilintar das guizeiras do gado que arrasta pachorrentamente os antigos carros de "Canudo", de mistura com o incessante buzinar dos automóveis e camionetas rápidas; uns e outros vão cheios de gente feliz e contente que, lançando ao ar cantigas alegres, parece dizer-nos: «Vamos p'ra festa, vamos p'ra festa!».
Uns vão cedo, antes do sol nado, para à vontade poderem escolher o lugar de bivaque donde melhor lhes seja dado admirar todos os números da romaria, desde a chegada dos pendões - ingénuos panos de Arraz para a fé dos nossos camponeses - até ao fogo luminoso e barulhento.
Outros vão mais tarde, aproveitando-se do progresso, afim de chegarem precisamente à hora da diversão que mais os interessa, festa de igreja, tourada ou feira.
E por aqueles campos, abrigados debaixo das oliveiras - símbolos da paz em que as azeitonas verdes põem uma nota de Esperança - os romeiros dormem, comem, dançam, cantam e divertem-se de mil e uma formas, sempre em paz - a índole do Alentejano - e na esperança de voltarem para o ano.
Pela noute velha, passada a festa, aí voltam os carros alentejanos, aos solavancos das suas molas... de azinho, embalando os romeiros que nos fugazes sonhos d'aquele dormir rápido, vêem festas deslumbrantes de luz e riqueza, e os automóveis e camionetas nas suas carreiras vertiginosas, lançando nuvens de poeira e fazendo dançar uma dança estranha - a última da romaria- aos que transporta e não conseguem sequer pelo sono.
E os grupos calados, farnéis vazios, pálpebras a fecharem-se, ao apearem-se derreados, parecem dizer aos infelizes que não foram à romaria: «Vimos da festa!»."

Rafael
Pinceladas rústicas
Brados do Alentejo de 27 de Setembro de 1931

TRATADO DO CANTE - Registos fonográficos:

Cota FaiAlentejo: FF CA K7-0133
1987 (K7): “Saias de Redondo”


- Edição: Musicalia.

                                  Temas: Saias de Redondo; Vira do Monte Velho; Tacão e bico; Saias de Redondo; Chotice; Vira dos Oleiros; Mazurka; Saias do Freixo; Picadinho do Louceiro; Trigo Loiro do Alentejo; Picadinha; Saias a quatro; Vira de oito; Saias Novas; Saias de saída.

Rancho Folclórico da Casa do Povo de Redondo.

terça-feira, abril 19, 2016

TRATADO DO CANTE - Almanaque:

MINHA MÃE AMASSA O PÃO





"(...)
Minha mãe amassa o pão,
E porque é mãe e mulher,
Guarda-o no coração
Pra meu pai quando vier.

Minha mãe amassa um beijo
Pra meu pai que vem depois,
Eu viro a cara, não vejo –
São coisas lá entre os dois.

Minha mãe amassa o medo:
Pode adoecer meu pai! –
Vai amassando em segredo,
Até que o medo se vai.       
(...)"

de António Simões                

TRATADO DO CANTE - Registos fonográficos:

Cota FaiAlentejo: FF CA K7-0132
1995 (K7): “Marcha de Campo Maior”


- Edição: Tecla.

                               Temas: Marcha de Campo Maior; Saias de Campo Maior (Saias Novas); Olha a laranjinha; Chora, chora Carolina; Saias de Campo Maior (Ó meu belo Campo Maior); Vira bem português; Vira poveiro; Eu nasci no Alentejo; Saias de Campo Maior (Esta vila é Primavera); Cidade de Orem; Saias de Campo Maior (Saias da minha terra).

Amigos das Harmónicas de Campo Maior

segunda-feira, abril 18, 2016

TRATADO DO CANTE - "São Saias..."

SAIAS

O que se disse sobre as Saias, ao longo dos tempos nos jornais e revistas:

"Como se canta no Alentejo

www.radiocampanario.com
Sousel IV Encontro de Cantadores de Saias em Casa Branca 

O Povo do Alentejo, como todos os povos, gosta imenso de música.
Bem orientado, aprende-a como outra qualquer arte. Porém, tenho notado que se canta de maneiras diferentes nos vários pontos d'esta província, e a paixão pelo canto também não é igual em todo o Alentejo.
Nas cidades e vilas, geralmente só se canta música de revistas, fados, tangos, canções, tudo menos a música simples inspirada pelo Povo. Nos campos, o estilo é diferente quase de terra para terra. Onde mais e melhor se canta é no Baixo Alentejo. Cantam constantemente as suas interessantes canções populares em 3ªs. e 6ªs., bastando para isso juntarem-se dois ou mais indivíduos. Os recrutas colocados nos Regimentos do Alto Alentejo, depois da refeição da tarde, espalham-se em grupos pelos campos e ruas da cidade aliviando saudades das suas aldeias com os dolentes cantares lá aprendidos. Os seus camaradas do Alto Alentejo, que por ventura nunca cantaram nem sentem a emoção dos que cantam, ao ouvi-los, riem-se e dizem... que é sinal de chuva. Com raríssimas exceções, no Alto Alentejo só se canta a uma voz, e a não ser duas ou três canções de estilo acentuadamente árabe, o que cantam é aprendido com uns indivíduos que andam a dar espectáculos pelas aldeias com bonecos chamados de Santo Aleixo. A essas músicas dão o nome de "Saias" que cantam nas romarias e principalmente nas festas do acabamento da azeitona, prestadas aos patrões e manajeiros, com pendão à frente e vozes esganiçadas. Durante a labuta dos campos é raro cantarem, pois tenho observado grandes ranchos de mondadeiras e ceifeiras que não cantam em todo o dia.
É que não sabem "Quem canta seu mal espanta"."



José António Lima
Regente da Banda Municipal e Orfeão de Estremoz
in. Brados do Alentejo de 24 de Maio de 1931


TRATADO DO CANTE - Registos fonográficos:

Cota FaiAlentejo: FF CA K7-0131
1993 (K7): “Vira de quatro”.


- Edição: Dualsom.

                                  Temas: Saias Rodadas; Laranginha; Picadinha coxa; Saias novas; Moreninha; Viva a noiva; Roda ao meio; Saias do larilolé; Dois passos de Alegrete; Saias do Reguengo; Bailarico das mondas; Vira das palmas; Passadinhas; Rita da cara bonita.

Grupo Folclórico e Cultural Boavista, Portalegre.

domingo, abril 17, 2016

TRATADO DO CANTE - À minha "moda"

TU ÉS O BEM DA MINHA VIDA



Cantiga:
PontoAbalei da minha terra/ Olhei para trás chorando/  Alentejo da minh'alma/  Tão longe me vais ficando.

Moda:
Alto: Tu és o bem da minha vida
Coro: Tu és o bem da minha alma/  Tu és um pássaro bonito/Que canta alegre/ Com toda a calma/Tu és um pássaro bonito/ Que canta alegre/ Com toda a calma.

Cantiga:
Ponto: Adeus ó linda Viana/ Adeus ó Santa terrinha/ Há quanto eu te não vejo/Anda cá que agora és minha.

Moda:
Alto: Tu és o bem da minha vida
Coro: Tu és o bem da minha alma/  Tu és um pássaro bonito/Que canta alegre/ Com toda a calma/Tu és um pássaro bonito/ Que canta alegre/ Com toda a calma.


Nota: Esta moda era cantada em Montoito (nas tabernas, nas ruas, nos casamentos e festas) pelos grupos "espontâneos", quando eu era criança. Tenho gratas recordações desses tempos. Serve sempre de motivo "cantante" quando se juntam montoitenses em qualquer parte da terra.
A sua matriz deve ter vindo da América do Sul (Chile)???. 

TRATADO DO CANTE - Registos fonográficos:

Cota FaiAlentejo: FF CA K7-0130
1988 (K7): “Rouxinol canta na balsa”


- Edição: Duplissom.

                                  Modas: Rouxinol canta na balsa; Saias de Bencatel; Cantar é ser alegre; Solteirinha cor de rosa; O mármore é precioso; Trabalhador português; O Alentejo a cantar; Dá-me uma pinguinha d’água; Fui ao jardim das flores.

Grupo de Cantares de Saias de Bencatel, Vila Viçosa.