SUÃO “ (…) Em dias de trovoada, ouvia-se distintamente o comboio, ainda longe. E o assobio da máquina, tão agudo e demorado, era uma mensagem de saudade a suavizar o coração da malta. Por via disso, as pessoas cantavam: Lá vai o comboio, lá vai Lá vai ele a assobiar… As canções enchiam o universo rural. Até os pássaros cantavam, empoleirados nos troncos das árvores. (pág. 189. Terceira parte 1) (…) Chico Moiral alevanta-se de repente do cadeirão de palha, com os olhos alumiados de uma grande chama. Empunha o copo de vinho e diz uma décima à sua moda: Já vi o mar uma vez Quando fui prà cidade Tinha as rugas de um maltês Com voz d’autoridade!… Bebem os amigos o vinho nas graças de uma cantiga. Rente ao chão, a cadela «Farrusca» lambe as botas do dono. Vem Maria Pompina com uma travessa de arroz doce e um sorriso de flor. E, daí a pouco, os homens e as mulheres cantam em coro os versos novos do «Pouca Lã»: J á vi o m...