sábado, janeiro 19, 2019

TRATADO DO CANTE - "Que Modas? Que Modos?

“Que Modas? ...Que modas? 


 O Cante foi sempre uma das primeiras e principais manifestações do sentimento popular. Como expressão da cultura dos povos impõe-se à própria vida; o contentamento, a tristeza, a alegria e a dor, passa-os o ser humano para a escala dos sons enriquecendo as harmonias sublimes que regem o universo. A canção popular, disse alguém, é música que fala: fala do amor, do trabalho, da dor. O grito alivia; se se transforma em canto, eleva. O Canto chega a tornar bela a própria dor. As modas alentejanas cantam todas as manifestações da vida (os modos de ser, de estar, de sentir) e traduzem particularmente dois sentimentos: o amor e a saudade; mas o amor puro e são, a saudade feita de um sentimento natural que é nobre e elevado. Façamos então tudo para que não se perca este preciosíssimo património regional que são as nossas lindas modas. Recolher as modas populares é desenterrar monumentos de beleza. Esta será a versão lírica ou o modo ficcionário de abordar o assunto, só que, quando descemos à terra apercebemo-nos que o problema em questão é de grande complexidade e de difícil solução, mas consideramos também que, por isso mesmo, não se pode deixar passar passivamente mais tempo sem que nada se faça para evitar a sangria de emoções presente que irá inevitavelmente transformar um fenómeno cultural de massas numa prática restringida à intervenção de uns poucos, por razões específicas conseguiram resistir às adversidades e temporariamente manterão o cante ainda vivo com maior ou menor rigor. De igual modo, e a reforçar esta ideia, o facto de os poderes assistirem impávidos e praticamente indiferentes à delapidação, ao apagamento e até mesmo ao aviltamento do património mais rico desta terra e da nossa gente. Terão sido estes de entre tantos outros, motivos para que o tema CANTE tivesse tratamento, em espaço de debate alargado como foi o I Congresso do Cante Alentejano, que teve lugar em Beja, em Novembro de 1997. Recordo-me bem dessa altura: Foi entidade promotora a Casa do Alentejo, representada pelo José Chitas e o José Pereira Jr.. O José Pereira foi o Comissário, coadjuvado pelo Artur Mendonça e pelo Paulo Gouveia. Do Secretariado, do qual me orgulho de ter feito parte, lembro ainda os nomes dos restantes companheiros: o João da Palma, José Francisco Colaço, Luís Franganito, Manuel Coelho, Joaquim Soares, José de Jesus, Carlos Botelho, José Miranda, Eurico Domingos e a saudosa Fernanda Patrício que já não está entre nós. Hoje, passados que são quase oito anos dessa realização, é tempo de reavivar memórias. Vai ter lugar o lançamento da edição das actas deste I Congresso. Trabalho árduo do José Francisco Pereira e da Maria Eduarda da Organização Cultural Faialentejo. Não se trata de um romance que cativa imediatamente pela força das imagens ou pela elegância do ritmo da frase. Nada disso. Este é um livro onde cada um à sua maneira retrata as Modas e os Modos, muitas das vezes fazendo a evocação do modo de ser pobre, mas nunca subserviente, nesta terra que dá por nome de Alentejo. Trata-se de um importante documento de consulta, até porque não há testemunhos que passam pelas Raízes e Estudo do Cante, Perspectivas Futuras e Valorização. É um livro que não se destina a um leitor modelo mas que atravessa todas as camadas de público. É inteligente sem ser ostensivo, é culto sem ser pretensioso, vai ser histórico. Até porque aqui e ali os mais velhos nos emprestam a sua memória e os retratos das vivências, transcritos ao longo da obra, fazem a história das modas e dos modos destas, das nossas gentes. “
José Roque 

Nota: O lançamento do livro das actas do 1º Congresso do Cante, aconteceu no Centro Social e Cultural da Silveira – Lajes do Pico, Açores no dia 21 de Março de 2005.

quinta-feira, janeiro 17, 2019

TRATADO DO CANTE - Registos sonoros:


 “Cantes 3” - 2018 (CD c/ libreto):




- Edição: A Bela e o Monstro, Edições; Público Comunicação Social, SA.

- Ideia de João Pinto de Sousa.

- Autoria dos textos e guia de audição: Salwa Castelo Branco e Paulo Lima.

- Temas: 1. A manhã vem rindo (Manassés de Lacerda); 2. Lá vai Serpa, lá vai Moura (Edmundo Bettencourt); 3. Lá vai o comboio, lá vai (António Menano); 4. Aguadeiro Alentejano (Beatriz Costa); 5. Canção de Romão (Do filme A Severa); 6. O Meu Alentejo (Luís Piçarra); 7. A moda da Rita (Fernando Lopes Graça); 8. Vai colher a rosa (Fernando Lopes Graça); 9. Cantiga de Serpa (Fernando Lopes Graça); 10. Não quero que vás à monda (Amílcar Vasques Dias); 11. Limoeiro (Amilcar Vasques Dias); 12. Laranja da China (Ronda dos Quatro Caminhos); 13. Eu ouvi o passarinho (Grupo Coral de Cantares Regionais de Portel); 14. Bago de milho (Brigada Victor Jara); 15. A Ribeira do Sol posto (Gaiteiros de Lisboa); 16. Marcela (Adiafa); 17. Grândola Vila Morena (Grupo Coral e Etnográfico da Casa do Povo de Serpa).

Cota FaiAlentejo: FF CA CD 0143

TRATADO DO CANTE - Registos sonoros:


 “Cantes 2” - 2018 (CD c/ libreto):




- Edição: A Bela e o Monstro, Edições; Público Comunicação Social, SA.

- Ideia de João Pinto de Sousa.

- Autoria dos textos e guia de audição: Salwa Castelo Branco e Paulo Lima.

- Temas: 1. Ao passar da ribeirinha (Aljustrel); 2. Hei de ir para o Algarve (Serpa); 3. Agora já não se usa (Odemira); 4. Silva do bosque (Vidigueira); 5. São João (Évora); 6. O Deus Menino (Grupo Coral dr. Bento Ferreira do Amaral da Casa do Povo e do Sindicato Mineiro de Aljustrel); 7. Já fui a Lourenço Marques (Grupo Coral da Casa do Povo de Alvito); 8. O Baixo Alentejo (Grupo Coral Visconde Francisco, Vila de Frades); 9. Meu lírio roxo (Rancho Coral de Serpa); 10. A Rita (Rancho Coral de Serpa); 11. Marianita és baixinha (Rancho de Cantadores de Ficalho); 12. Já deixei o Alentejo (Rancho de Cantadores de Santo Aleixo); 13. Rosa branca desmaiada (Rancho Infantil das Minas de São Domingos); 14. Ai Solidão, ai dão (Grupo Coral Os Ceifeiros de Cuba); 15. Se fores ao mar pescar (Grupo Coral Capricho Bejense); 16. Senhora Santa Luzia (Rancho Coral Etnográfico Os Camponeses de Pias); 17. Rio Tejo que lindo (Grupo Coral s Aventureiros de Aljustrel); 18. Baleizão (Grupo Coral do Sindicato Nacional dos Operários Mineiros de Aljustrel); 19. A Reforma Agrária é que mais invejo (Grupo Coral União Alentejano, Baixa da Banheira); 20. M.F.A. (Grupo Coral dos Operários Mineiros de Aljustrel); 21. A menina Florentina (Grupo Coral Os Cubenses Amigos do Cante); 22. Ó cidade do Barreiro (Grupo Coral Alentejano Os Amigos do Barreiro); 23. Ceifeira, linda ceifeira (Grupo Coral Os Ganhões de Castro Verde).

Cota FaiAlentejo: FF CA CD 0142

quarta-feira, janeiro 16, 2019

TRATADO DO CANTE - Registos sonoros:


“Cantes 1” - 2018 (CD c/ libreto) 



- Edição: A Bela e o Monstro, Edições; Público Comunicação Social, SA.

- Ideia de João Pinto de Sousa.

- Autoria dos textos e guia de audição: Salwa Castelo Branco e Paulo Lima.

- Temas: 1. Ao romper da Bela Aurora (Grupo Coral Os Ceifeiros de Cuba); 2. Tanti Passi/ Tantos Passos (Grupo Coral masculino informal, Pigna, Córsega); 3. Su Trigu/ O Trigo (Cusertu Cùcuru ‘e Luna/Grupo Masculino de Torpè, Sardenha); 4. Vall’a vjeu behari Kurre?/ Será que o verão há-de chegar? (Visaret e Kenge/ Grupo Coral masculino de Toskeri, Albânia); 5. SHEMOKMEDURA/ Canção de trabalho de Shemokmedi (Adilei7 Grupo Coral masculino de Tiblisi, Geórgia; 6. Vira Bom (Conjunto Etnográfico de Molfes de Danças e Corais Arouquenses); 7 A Folha do Castanheiro (Vozes de Manhouce); 8. Ó Senhora do Alívio (Grupo Coral “Cramol”); 9. Menino (Grupo Coral e Etnográfico Ateneu Mourense); 10. Castro Verde bem podia (Grupo Coral Os Ganhões de Castro Verde); 11. Lá vai Serpa, lá vai Moura (Rancho de Cantadores de Aldeia Nova de São Bento); 12. A moda do assobio (Grupo Coral Etnográfico Cantares de Évora); 13. Fui colher marcela (Grupo Coral e Etnográfico As Camponesas de Castro Verde); 14. Toda a bela noite que eu ando (Grupo Coral e Etnográfico “Os Carapinhas” de Castro Verde); 15. Hino dos Mineiros (Grupo Coral do Sindicato Mineiro de Aljustrel); 16. Ondinhas vêm (Grupo “Os Arraianos” de Barrancos); 17. O Alentejo em Lisboa (Grupo Coral Alentejano da Amadora); 18. Bairro Alentejano (Grupo Coral 1º. de Maio do Bairro Alentejano, Palmela); 19. Alentejo, Alentejo (Grupo Coral e Etnográfico da Casa do Povo de Serpa).

Cota FaiAlentejo: FF CA CD 0141