TRATADO DO CANTE - almanaque:

“A chuva a cair em barros abrasados como os meus, faz bem. Dá sorte à terra e tira-nos um pouco de fadiga na mente. (…) Lembrem-se que, a sonhar, uma pessoa resiste à fome de liberdade, goza a sua vida, e a minha valentia é esta: não tremer quando cai uma pinga de chuva no meu chão de raiz. Nem de raios e coriscos. Uma aventura sem nomeada, embora, mas tão apaixonante e feliz, tal como uma criatura abrir os olhos na manhã e ficar a ver o Sol pendurado nas abas duma barragem nova. É tão belo!” (da nota introdutória) “(…) Após bebermos uns tintos de Colos, um néctar, cantámos modas da nossa terra: Ó minha pombinha branca Onde queres, amor, que eu vá? É de noite, faz escuro, Eu sozinho não vou lá! O Direitinho não cantava mal. Fechava os olhos como os fadistas, tinha uma voz de baixo, um tudo nada arrastante, mas de bom volume. O Vilhena berrava como um anojo com falta de leite, desafinando conjunto, mas já o Chico tinha trinados de rouxinol, de peito ovante,...