sábado, abril 30, 2016

TRATADO DO CANTE - Almanaque:

POR CAMINHOS DA HISTÓRIA


“(…)
Assente a primeira pedra da fortaleza com grande solenidade, em fins de Fevereiro (1535), tão esforçadamente se aplicaram os Portugueses na construção – cuja solidez os factos tão bem demonstrariam – que, decorrido pouco mais de um mês e meio já os nossos se podiam gabar de ter, «na chave de toda a Índia», um reduto de muito difícil acesso. Era obra de vulto quanto à superioridade estratégica e poder defensivo, confiada à guarda de novecentos homens chefiados por Manuel Sousa, de Évora, que, dentro em pouco, já não tinha, aparentemente, motivos para se felicitar da honra de primeiro capitão da fortaleza de São Tomé, em Diu.


(…)” pág. 11

In: “Grandes portuguesas 4 - As Heroínas de Diu”. Edições SNI Lisboa. Março de 1951. (Teresa Leitão de Barros escreveu; Inês Guerreiro ilustrou.)

TRATADO DO CANTE - Registos fonográficos:

Cota FaiAlentejo: FF CA K7-0146
1991 (K7): “Não há terra que resista”


- Edição: Movieplay.

                                  Modas: Delicada da cintura; Não há terra que resista; Litania para um amor ausente; Contos do Príncipe Real; Seus amores tão delicados; Maria da Fonte; Dá-me cá os braços teus; Porque me não vês Joana; Quadras soltas (de embalar); Viva a Rainha do Sul; Diz a laranja ao limão; Sedas ao vento.

Vitorino

sexta-feira, abril 29, 2016

TRATADO DO CANTE - À minha Moda:

EU HEI-DE AMAR UMA PEDRA


Eu hei-de amar uma pedra
Deixar o teu coração
Uma pedra sempre é mais firme
Tu és falsa e sem razão

Tu és falsa e sem razão
Eu hei-de amar uma pedra
Eu hei-de amar uma pedra
Deixar o teu coração

Quando eu estava de abalada
Meu amor para te ir ver
Armou-se uma trovoada
Mais tarde deu em chover

Mais tarde deu em chover
Sem fazer frio nem nada
Meu amor para te ir ver
Quando eu estava de abalada




Refª: FF CA CD0073
1991 – (CD) Romances
ed.: Moviplay Portuguesa, SA
Modas: …, Eu hei-de amar uma pedra, …
Vitorino e Janita Salomé

TRATADO DO CANTE - Registos fonográficos:

Cota FaiAlentejo: FF CA K7-0145
1989 (K7): Viagens na minha terra


- Edição: Polygram.

                                  Temas: Rusga (desgarrada); Oliveirinha da serra; Toada Beirã; Machadinha; Senhor da Pedra; Ó rama ó que linda rama.

Rão Kyao

quinta-feira, abril 28, 2016

TRATADO DO CANTE - São Saias:

"AS SAIAS, CANTIGAS TRADICIONAIS DE TRABALHO

TRABALHOS AGRÍCOLAS, OU CANTADAS E BAILADAS NOS TERREIROS, AS SAIAS, TIPICAMENTE ALENTEJANAS, FAZIAM ESQUECER A DUREZA DO TRABALHO E AS DIFICULDADES DA VIDA.



A simplicidade da dança, que nada tinha de gracioso ou difícil, permitia que os menos entendidos também participassem. Existem três modalidades de saias, que diferem de região para região – as “velhas”, antigas formas de valsa mazurca; as “novas”, dançadas nos dias de hoje, em forma de valsa campestre; e as “aiadas”, em que o cantador grita um “ai” no estribilho, que indica a volta.


Em Portugal existem inúmeras danças populares, algumas muito antigas, que têm em comum e como principal característica serem cantadas e dançadas colectivamente ¾ a gota, o vira, o verde-gaio, o malhão, as chulas, o fandango e o corridinho. O Alentejo reclama para si a origem da moda das saias, apesar delas fazerem parte dos cancioneiros musicais de outras regiões do país e serem confundidas com algumas tradições andaluzas.

Saias são cantigas de trabalho e de divertimento que constituem uma das mais belas expressões lúdicas da cultura tradicional portuguesa. Segundo Tomás Ribas, um dos estudiosos desta área, elas são um elemento coreográfico identitário da região alentejana, sobretudo da zona raiana do Alto Alentejo, desde o século XII, embora a sua origem não esteja rigorosamente definida. Aí, estas modas eram só cantadas, entre homens e mulheres, nas mondas, na ceifa, na sacha, na apanha da azeitona; ou cantadas e bailadas, nos bailes das localidades, quando a música era interrompida, e ainda quando os rapazes iam “às sortes”. Nem o pó dos terreiros onde estas festas se realizavam enrouquecia os cantadores, muitas das vezes animados pelo vinho. Os homens improvisavam as quadras, os despiques sucediam-se e as capacidades vocais e poéticas eram exibidas noite fora.


A simplicidade da dança, que nada tinha de gracioso ou difícil, permitia que os menos entendidos também participassem. Segundo Lino Mendes, do Grupo de Promoção Sócio-Cultural de Montargil, existem três modalidades de saias, que diferem de região para região ¾ as “velhas”, antigas formas de valsa mazurca; as “novas”, dançadas nos dias de hoje, em forma de valsa campestre; e as “aiadas”, em que o cantador grita um “ai” no estribilho, que indica a volta. Joaquim Ferreira Marques, professor e estudioso desta tradição, refere que, quase sempre, os temas dos versos se referem à própria pessoa que os cria, aos santos populares, ao trabalho, ao amor ou à mulher.

Há quem afirme que as saias tenham influência da “saeta”, dança característica da Andaluzia, mas Tomás Ribas alega que a primeira é uma dança profana e de divertimento, enquanto que a segunda é acompanhada de canto litúrgico e só é bailada como ritual das procissões. Mas, é possível que no período da ocupação espanhola (1580/1640), se tenha dado esta influência, fortalecida pela proximidade geográfica e cultural dos dois povos, junto à raia.

QUEM CANTA SEUS MALES ESPANTA
Hoje em dia as saias são acompanhadas pelo harmónio, concertina ou acordeão, viola, recoreco, ferrinhos entre outros, mas originalmente eram o adufe, o pandeiro, os estalidos dos dedos e a gaita, os únicos instrumentos para além da voz. O grupo de tocadores de “Pedras de Arronches” constitui um caso interessante de autenticidade mantida apenas juntando o som das pedras do rio, colocadas entre os dedos.

No tempo em que os portugueses migravam sazonalmente, à procura de trabalho, as ceifas no Alentejo, que exigiam muita mão-de-obra, atraíam gente, principalmente na Beira Baixa e Ribatejo. Nos trabalhos, homens e mulheres cantavam à desgarrada, para esquecer a distância e a dureza do trabalho, e algumas modas ficavam na lembrança dos ouvintes que depressa as integravam e adaptavam, chegados às suas terras natais. É assim que, no reportório do Grupo Etnográfico “Os Esparteiros de Mouriscas”, do Ribatejo, se registam duas modas das saias alentejanas.

Mas, nos anos 50 e 60, com a progressiva mecanização da agricultura, o desemprego e as migrações alentejanas para a área da Grande Lisboa, e emigrações para o estrangeiro, as tradições culturais foram-se perdendo. As saias deixaram de estar directamente relacionadas com o trabalho rural e foram sendo revivificadas pelos grupos folclóricos, hoje mais de três centenas, que reproduzem o vestuário tradicional e as danças e cantos alentejanos. Face ao fenómeno da globalização, nunca como hoje foi tão importante a defesa da nossa identidade cultural.

“Cada idoso que morre é uma página da história que se apaga”, alerta Lino Mendes."

Lino Mendes


in: Diário do Alentejo, 11 de Maio de 2001

TRATADO DO CANTE . Registos fonográficos:

Cota FaiAlentejo: FF CA K7-0141
1991 (K7): “Romarias”


- Edição: Ovação.

                                  Modas: Canção de Romaria; Chula de Baião; Sapateia; Chula de Cabril; Corridinho estremenho; Chamarrita; Saias da Amieira; Chula

Ronda dos Quatro Caminhos

quarta-feira, abril 27, 2016

TRATADO DO CANTE - Escrito:

"Solidão, ai dão, ai dão



«A verdadeira dialéctica não é um monólogo do pensador solitário consigo próprio, mas um diálogo entre o eu e o tu» - escreveu o filósofo alemão Ludwig Feuerbach, aluno de Hegel em Berlim, que viu a sua carreira interrompida em virtude da hostilidade às ideias religiosas expostas num dos seus primeiros trabalhos.

O grande pensador morreria na miséria em Rechemberg. Solitário! Em monólogo consigo próprio.

Leio Feuerbach, e sinto que na paisagem alentejana também Feuerbach foi traído, no monólogo surdo travado pelo cavador; socialmente segregado, isolado entre a terra e a enxada, entre o suor e o arado.

Vivo Feuerbach no emigrante forçado, roído de saudades. E escuto Ludwig Feuerbach na «moda» pungente que a planície sorve em entardeceres sanguinolentos; Oh, que dor do coração/ Solidão, ai dão, ai dão/ Meu Alentejo deserto/ Quem não há-de ter paixão!..."

in: "Alentejo Marginal", de Manuel Geraldo.



TRATADO DO CANTE - Registos fonográficos:

Cota FaiAlentejo: FF CA K7-0140
1992 (K7): “Amores de Maio”


- Edição: Ovação.

                                  Temas: Chula de Paus; Saudade; Chula de Piães; Mariana Campaniça; Sapateia; Que rapariga é esta; Baile da meia volta; Contradança; Quero ir para o Altinho; Romance de D. Mariana.

Ronda dos Quatro Caminhos

terça-feira, abril 26, 2016

TRATADO DO CANTE - Registos fonográficos:

Cota FaiAlentejo: FF  CA K7-0139
1997 (K7): “Traditio”


- Edição: Movieplay.

                                  Temas: Chula velha; Cravo Roxo; Gota; O Segador; Saias; Maragato; “Libra nós e domine”; Minha rua é um jardim; O sapatinho meaperta; Romance da mineta; Chula batida; Milho grosso; Quando o menino nasceu; Entrudo.

Ronda dos Quatro Caminhos

segunda-feira, abril 25, 2016

TRATADO DO CANTE - 25 de Abril sempre!:

“TERRA-MÃE


Lá dos campos, tristes campos,
Dos campos do Alentejo,
Vim ainda pequenino
– E pequenino me vejo...
Lá nos campos, tristes campos
Da solitária planura, 
Nasceu a minha revolta,
Nasceu a minha amargura.
Lá dos campos, tristes campos,
Vem a lembrança de tudo
O que mais amo e desejo.
Vem a fome, a sede e o sono
Das terras do Alentejo!”

Raul de Carvalho



Alvito, Baixo Alentejo
1920/09/04 - 1984/09/03 
Poeta português, natural de Alvito.
Foi colaborador das revistas Távola Redonda e Árvore e Cadernos de Poesia, que, na década de 50, conglomeravam de forma irregular, mas activa, poetas de várias sensibilidades.
A obra deste poeta, onde se encontram evocações da sua infância alentejana, revela a sua ligação ao neo-realismo. A fidelidade ao humano e o estilo enumerativo e anafórico são marcas da sua poesia. 
Os seus títulos englobam As Sombras e as Vozes (1949), Poesia, (1955), Mesa de Solidão (1955), Parágrafos (1956), Versos - Poesia II (1958), A Aliança (1958), Talvez Infância (1968), Realidade Branca (1968), Tautologias (1968), Poemas Inactuais (1971), Duplo Olhar (1978), Um e o Mesmo Livro (1984) e Obras de Raul de Carvalho — I — Obra Publicada em Livro (editada postumamente em 1993). 
Recebeu, em 1956, o Prémio Simón Bolívar, do concurso internacional de poesia realizado em Siena, Itália. "

http://asombradocastelo.blogs.sapo.pt/

TRATADO DO CANTE - Registos fonográficos:

Cota FaiAlentejo: FF CA K7-0138
2002 (K7): “As meninas da Ribeira do Sado”


- Edição: Dualsom.

                                  Temas: As meninas da Ribeira do Sado; As meninas da Ribeira do Sado (remix) Quadras soltas; Dança dos quatro tons; Jeremias; S. Macário; Saias do Freixo; Vira de Coimbra; Saias de Sto. Aleixo; Excertos.

domingo, abril 24, 2016

TRATADO DO CANTE - Registos fonográficos:

Cota FaiAlentejo: FF  CA K7-0137
1993 (K7): Vadio


- Edição: Disconorte.

                                  Temas: Malhão Vadio; Maria Faia; Senhor Galandum; São Macário; Ana e Laurentino; A Moça da Aldeia; Milho Verde; Alentejo dos loiros trigais; São Gonçalo de Amarante; Faixinha verde.

Grupo Som da Terra