sábado, abril 29, 2017

TRATADO DO CANTE – Grupos Corais:

ÉVORA – Torre dos Coelheiros

Grupo Coral e Etnográfico "Pastores do Alentejo" da Torre de Coelheiros
NIF 505 722 229
Rua Catarina Eufémia, 9
7000 – 192 Torre de Coelheiros
Tel. 266 721 131 – 266 721 257





 Ficha Técnica:

. Grupo fundado em 1956, era composto por 20 elementos. Vem desenvolvendo uma atividade na área da música oral e tradicional alentejana. Após um interregno de 10 anos, retomou a atividade em 1975.

. Ensaiam às Sextas feiras, à noite, na Casa do Povo de Torre dos Coelheiros.

Organiza, anualmente, um Encontro de Grupos Corais Alentejanos, sempre com a participação de outros grupos corais.

. O Grupo é composto por 22 elementos.

. Trajo: Como traje de atuação escolheram o do Pastor, constituído por:
Camisa quadrejada, com tons azuis; Calça cinzenta, de cotim (militar); ou Calça de saragoça; Colete cinzento de cotim (militar); ou Colete de Saragoça; Pelico; Safões; Chapéu preto. Como adereços, mostram: Cajados; Tarros de cortiça; Alforges, tipo manta ou de cabedal.

. Histórico: Grupo principalmente constituído por trabalhadores agrícolas, pastores e operários da construção civil. Têm atuado de norte  a sul do País: Barcelos; Santa Maria de Esmoriz; Lisboa (Casa do Alentejo); Baixa da Banheira; Linda-a-Velha; Rio Maior; Santarém; Montemor-o-Novo; Vidigueira; Viana do Alentejo; Alvito; Serpa; Cuba; Beja; Santa Margarida do Sado; Beringel; Montoito; Reguengos de Monsaraz; Mourão; Perolivas; Évora.

. Registos fonográficos:
  1992 (K7): Grupo Pastores do Alentejo – Torre dos Coelheiros
Edição: DUALSOM
Fonoteca Faialentejo: cota: FF CA K7-0017


1999 (CD): Encontro de Grupos Corais em Montoito (gravado ao vivo)
Edição: ALIENDE – Associação para o Desenvolvimento Local
Fonoteca Faialentejo: cota: FF CA CD-0026


. Repertório: Cantam as "modas" mais representativas do Alentejo, considerando a zona onde se encontram inseridos. Cassete(1992): Pastores do Alentejo; Certo dia um perdão; Évora minha; Andorinhas; Olha a linda mondadeira; Cegonha; Lindo pombo de correio; Sobreiro velhinho; Rouxinol; Sementeira.

. Objectivos: Divulgação do cante alentejano em qualquer parte do país.

. Outras informações:
Para a criação deste grupo coral contribuíram os valores, fundamentais, que ligam os rabalhadores rurais às suas origens, com demonstrações de "cante" durante os trabalhos agrícolas: - na monda; na ceifa; no "corte" de oliveiras e dos "chaparros"; atrás do arados, charruando; atrás do gado, na pastorícia. Ou, quando iam, de manhãzinha, para o trabalho ou, à tardinha, quando vinham do trabalho. Ou ainda quando se juntavam na taberna e conversa puxa conversa, "copo" puxa "copo", se "alevantava" uma "moda" que forçosamente tinha a ver com o seu estado de alma, com a região, com o campo, com a saudade, com os amores, em suma: com a sua vida.
Agente cultural importante para caracterização do concelho e da região. Torre de Coelheiros conserva assim vivo o hábito do "cante" alentejano, contribuindo o seu Grupo Coral para a preservação desta tradição e da cultura alentejana.

In: “Corais Alentejanos” (em atualização), de JFP. Edições Margem. 1997. Pág.s: 233/235

quinta-feira, abril 27, 2017

TRATADO DO CANTE – Grupos Corais:

ÉVORA - Évora

Grupo de Cantares Alentejanos da Brigada Territorial nº. 3
da Guarda Nacional Republicana
Brigada Territorial nº. 3 da Guarda Nacional Republicana
7000 Évora





 Ficha Técnica:
                             
. O grupo foi fundado em Janeiro de 1980.

. Ensaiam nas Quintas Feiras e antes das atuações.

. O Grupo é formado por 31 elementos.
                                                    
. Trajo: Grande Uniforme e Uniforme nº. 1 da Guarda Nacional Republicana.

. Histórico: Com uma média de 20 desempenhos por ano, já actuaram em: Monumental de Madrid; Cáceres; 4 vezes no "Piquenicão da Antena 1/RDP; Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa; Pavilhão Rosa Mota, no Porto; 3 vezes nas Ruínas do Convento do Carmo, em Lisboa; No Santuário de Fátima; No Santuário de Vila Viçosa; Ferreira do Zezere; Tavira; Na "Ovibeja", em Beja; No Hotel Dom Fernando, em Évora, para os Auditores de Defesa Nacional; Na Igreja de Nossa Senhora da Graça, em Évora; No Forum do Estudante, em Serpa; Alandroal. Gravaram para  programas de televisão: No Canal 2 da RTP e TVI.

. Registos Fonográficos:

1986 Gravaram um LP (vinil)

1994 (K7) CANTANDO O ALENTEJO
Edição: DUALSOM – Sacavém
Fonoteca Faialentejo: cota: FF CA C7-0071


1998 (2 CDs ): O Cante Alentejano (registo sonoro)
Edição: Public-art, Editora - Coimbra
Fonoteca Faialentejo: cota: FF  CA CD-0025 


. Repertório: Do cancioneiro religioso e secular alentejano: Cassete (1994): O Alentejo dá pão; Já lá vem rompendo Aurora; Ceifeira, linda ceifeira; Lírio Roxo; As nuvens que andam no ar; Camponesa Alentejana; Jovem pastorinha; Maria estás à janela; Almocreve; Ó minha pombinha branca; Mas que noite tão serena; Ao romper da madrugada; Ó águia que vais tão alta; Alentejo, terra sagrada de pão.

Nota: Grupo inativo.


In: “Corais Alentejanos” (em atualização), de JFP. Edições Margem. 1997. Pág.s:229/231.

quarta-feira, abril 26, 2017

TRATADO DO CANTE - Almanaque:

“Évora


DEPOIS DE HORAS E HORAS a percorrer a planície alentejana, que me vinha mostrar outra face da múltipla terra portuguesa, a revelação de Évora. Era uma tarde de sol, uma batida tarde de sol de verão e o branco das casas se iluminava para aumentar a tristeza do ambiente. Sempre os amigos a conduzir-me pelos pontos turísticos. Gostaria de estar só, de ser levado apenas pela beleza das ruas, desde as ruínas romanas ao velho casario dos séculos dezassete e dezoito. Sinto que era a cidade portuguesa que sempre desejei ver, percebo que se Lisboa e o Porto me evocavam laços afetivos, Évora viria descarnada, no meio do descampado do Alentejo, mostrar-me a integridade portuguesa, ao aberto, ao meio da rua. Consigo ficar só e, o resto da tarde, perambulo, paro à sombra das velhas igrejas, casarões, palácios, a olhar uma pequena humanidade silenciosa e triste passar. Mais um cumprimento severo e digno. E rostos talhados de pedra, secos, perfis cortantes, são a fisionomia humana refletindo a aspereza da terra. Não sei quanto tempo andei e, quase ao crepúsculo, vem-me a lembrança de uma voz portuguesa, que vivendo aqui se levantaria nos seus versos, para engrandecer a poesia lusitana. Uma voz de mulher, uma desesperada voz de mulher, que um dia acabaria consigo mesma, mas deixaria seus versos para que Évora continuasse eterna, com suas ruínas, seus palácios, suas igrejas, a inteireza dos seus homens. Soturna e triste, chamou à sua Évora: minha terra mourisca a arder em brasa.

Vou andando, a vagar, enriquecendo os minutos que restavam, para que estivesse só com a cidade de Florbela Espanca. Para que estivesse com ela mesma, numa comunhão que os companheiros não poderiam perceber e nem pressentir. Passo a passo, pelas ruas ermas, sob os céus de violetas roxas, vendo-a dizer, numa integração absoluta com a sua terra natal, que só aqui que sinto que são meus os sonhos que sonhei noutras idades. Compreendo o destino desta mulher, deste poeta, no seu meio, no áspero e solitário meio alentejano, a alma a transbordar, a arrebentar em versos dos mais sofridos que a lírica portuguesa conheceu. A minha dor não cabe, nos cem milhões de versos que eu fizera.

Vou seguindo meu caminho, vou ao encontro dos companheiros, e lembrando os versos de Florbela Espanca, tão cheios de desespero de quem fez de sua obra a expressão poética de seu caso humano, como José Régio, outro poeta e seu compatriota, salientou.

Antes de deixar a cidade, vou olhar o busto da autora de Charneca em flor, com seu perfil moreno, lusitano. E os olhos verdes, cor do verde oceano, sereia que nasceu dos navegantes…


As horas de Évora foram tomadas pela presença de quem sofreu como poucos a tristeza destes ermos, para quem a trouxe em grau máximo em seu coração, que se fragmentaria numa obra poética espantosa e que gostaria de ver mais lida em minha terra.

Sigo pelo Alentejo a fora, através da noite, e como que ouço Florbela Espanca a confidenciar:
Tranquilidade… calma… anoitecer…
Num êxtase, eu escuto pelos montes
o coração das pedras a bater…”


In: Os Caminhos de Casa de Odorico Tavares. Coleção Vera Cruz (Literatura Brasileira) Volume 50. Editora Civilização Brasileira, SA. 1963. Pág.s: 15/17.


Odorico Montenegro Tavares da Silva (Timbaúba PE 1912 - Salvador BA 1980). Jornalista, escritor, poeta e colecionador de arte. Forma-se bacharel em direito pela Faculdade de Direito do Recife. Inicia a carreira de jornalista no Diário de Pernambuco, pertencente ao grupo Diários Associados.

segunda-feira, abril 24, 2017

TRATADO DO CANTE – Grupos Corais:

ALVITO – Alvito

Grupo Coral Infantil da Escola Primária de Alvito
Rua das Pereiras, 6
7920 Alvito

Foto retirada da página da Junta de Freguesia de Alvito  
              
Ficha Técnica:                  

. O Grupo foi fundado em Junho de 1996.

. Ensaiam aos Sábados à tarde.

. O Grupo é composto por 9 elementos.

. Trajo (adquirido pelas próprias): Saia azul, escura; Camisa branca; Lenço, raiado com barra preta.

. Histórico: Desde a sua constituição, tem atuado em Encontros de Grupos Corais, Festas e Feiras, das quais destacamos: Casa do Alentejo, em Lisboa; Seixal; Évora; Beja (Ovibeja); Alvito.

. Repertório: Cantam as modas que ao longo dos tempos conseguiram resistir e que de certa forma são das mais representativas do Alentejo.

. Objetivos: É intenção dos orientadores incutir, nestas jovens, as origens e o sentir desta cultura, com tudo o que ela representa, para que a possam representar quando forem mais velhas, com o orgulho e a postura do Ser Alentejano. Precisa de ser fortalecido, para que possa criar raízes. Para isso tem que ter apoios.

Nota: Grupo Inativo.
                                      -

In: “Corais Alentejanos” (em atualização), de JFP. Edições Margem. 1997. Pág.s: 97/98.

domingo, abril 23, 2017

TRATADO DO CANTE – Grupos Corais:

ALVITO – Alvito

GRUPO DA Associação de Cante Coral Alentejano do Concelho de Alvito
Rua das Pereiras, 6
7920-256 Alvito





Ficha Técnica:             

. O Grupo foi fundado em 10 de Maio de 1976.

. Realizam o seu Encontro, anual, em Junho.


. Ensaiam na Sexta-feira na sede da Associação de Cante Coral Alentejano do Concelho de Alvito.

. O Grupo é composto por 23 elementos.

. Trajo Domingueiro: Mulheres: Saia azul; Blusa branca; Colete azul; Chapéu preto; Lenço garrido com fundo preto. Homens: Calça azul; Camisa quadrejada (azul e branco); Colete azul; Chapéu preto; Lenço garrido com fundo preto.

. Histórico: Ao longo da sua existência, tem tido atuações de norte a sul do País, com especial destaque para as suas participações nos Encontros de Grupos Corais, no Alentejo e na zona da grande Lisboa. Salientamos também as sua atuações em Braga e Badajoz.

. Registos fonográficos:
1993 (K7):

1994 (K7): Associação do Grupo Coral Alentejano de Alvito.
Edição de Maria L. S. H. Matos
Cota FaiAlentejo: FF CA K7-0065


1998 (CD): O Cante da Água - Cante a Despique e Baldão Edição: ImagemImenso, Lda.
Grupos: (…) Coral de Alvito; (…).
Modas: (…) Dá-me uma pinguinha de água; (…).
Cota FaiAlentejo: FF CA CD-0023


1998 (2 CDs ): O Cante Alentejano
Edição: Public-art, Editora - Coimbra
Grupos: (…) GC Alentejano de Alvito.
Modas: (2º.) (…) Fui à fonte beber água; Ceifeira, linda ceifeira; (…).
Cota FaiAlentejo: FF CA CD-0025


. Repertório: Do seu reportório constam as modas que se cantam por todo o Alentejo. A algumas adaptaram letras que se referem ao momento atual da vida no campo e à sua zona. Cassete (1994): Alvito és nossa terra; Ceifeira, linda ceifeira; Erva cidreira; Camponesa linda; Era triste ver partir; Alentejo têm; Velhinha e velha és Vila Nova; Ainda agora aqui cheguei; Já lá vem no alto mar; Linda jovem era pastora; Alvito, meu lindo Alvito; Estava de abalada; Alvito, Baixo Alentejo; Vou partir para o Canadá; Só uma pena me existe; Trigueirinha Alentejana.




In: “Corais Alentejanos” (em atualização), de JFP. Edições Margem. 1997. Pág.s: 95/96.