TRATADO DO CANTE - Almanaque:

TERRAS DE FOGO - Prólogo “(…) Depois carecemos surpreender as eiras na faina ardente do meio-dia …; assistir à abalada dessa gente que, mal a madrugada lampeja, lá vai em coros matinais, caminho das ceifas e apanha de legumes, e vê-la no regresso, à noitinha, transpondo as muralhas do burgo, braços dados, cores garridas, caras morenas e vermelhas bocas a cantar; atentar nas suas festas, bailes, fogueiras de São João, arraiais, romarias com touradas bravas, e esses opulentíssimos certames de movimento e cor, que são as feiras e mercados, onde todos os cambiantes da vida moral e social alentejana denunciam costumes, paisagem, e tudo absorvido do mais pitoresco tradicionalismo. … Passando um dia por esta região, mais ao Sul, notei que havia uns poços empedrados e outros com pesadas tampas de ferro. Não sei bem porquê, mais do que se fossem sepulcros, me impressionaram aqueles poços cerrados… Perguntei o motivo, e entre as razões que me deram avultava a de suicídios – sui...