segunda-feira, abril 11, 2016

TRATADO DO CANTE - Almanaque:

Da Planície à ilha:









REVOLUCIONÁRIOS, OS GATOS

        De gatas
        Andam os gatos.
        Com as patas
        Fazem serenatas
        Nas cordas do muro.
        Sobem muito acima,
        Atravessam o escuro,
        Vão à chaminé, onde,
        Por sobre os telhados,
        Selam envelopes - armadilhas
        Para os ditadores anónimos
        Desembarcados nas ilhas.
        Manhosos ungulados,
        Sabem mais de Política
        Que sábios consumados.


Almeida Firmino

In. Narcose (Obra poética completa) Colecção Gaivota/27 - Sec. Regional de Educação e Cultura, 1982, Angra do Heroísmo. Poema do livro V/Não queremos bombas na cidade/1974, p. 154.


Firmino, João Júlio Almeida Caldeira
 [N. Portalegre, 8.2.1934 ? m. São Roque, ilha do Pico, 14.11.1977] Poeta. No liceu de Portalegre, onde não chegou a concluir o ensino secundário, foi aluno de José Régio que acabou por influenciar o seu gosto pela escrita. Nessa altura publicou os seus primeiros poemas e, em 1953, rumou em direcção aos Açores na companhia do pai que foi colocado na secretaria do tribunal de Angra do Heroísmo. Trabalhou na Base das Lajes e após o serviço militar regressou aos Açores. Foi então colocado em São Roque do Pico, como escriturário do tribunal, onde viveu até ao fim dos seus dias. A partir de 1957, iniciou a publicação de vários livros de poesia, que acabaram por ser reunidos, posteriormente (1982), num só volume, com o título de Narcose. É um poeta da geração da Gávea, revista de arte de que foi um dos co-directores, conjuntamente com Emanuel *Félix e Rogério Silva. Colaborou em vários jornais e revistas, considerando-se açoriano de opção. Na opinião de Álamo Oliveira, Almeida Firmino foi «capaz de assimilar a genuína essência existencial do povo picoense (...) por ele trabalhou, dedicando-lhe todas as horas do seu dia». A sua poesia é caracterizada por um «idealismo humanitário, de arrepio e inquietação, formalmente de expressão moderna e vanguardista, ao mesmo tempo que pessoal» (Carvalho, 1979: 304). Está incluído nas antologias de poesia açoriana organizadas por Pedro da Silveira e Ruy Galvão de Carvalho. Carlos Enes
Obras principais. (1957), Saudade Dividida. Angra do Heroísmo, Tip. Diário Insular. (1964), Novembro, cidade dos crisântemos esquecidos. Angra do Heroísmo, Ed. do Autor. (1968), Ilha Maior, Angra do Heroísmo, Ed. do Autor. (1971), Em Memória de Mim: antologia, 1952-1971. Angra do Heroísmo, Ed. do Autor. (1971), Não queremos bombas na cidade. Angra do Heroísmo, Ed. do Autor. (1973),Lápide para a cidade de Angra do Heroísmo. Angra do Heroísmo, Ed. do Autor. (1976), Tailândia. Angra do Heroísmo, Ed. do Autor. (1980), Escritos (Compilação de António Caldeira Firmino). Angra do Heroísmo, Secretaria Regional da Educação e Cultura. (1982), Narcose, obra poética completa. Angra do Heroísmo, Secretaria Regional da Educação e Cultura.


Bibl. Carvalho, R. G. (1979), Antologia poética dos Açores, 2.o vol. Angra do Heroísmo, Secretaria Regional da Educação e Cultura. Oliveira, Á. (1982), «Almeida Firmino ? Poeta dos Açores».Narcose. Angra do Heroísmo, Secretaria Regional da Cultura. Silveira, P. (1977), Antologia de Poesia açoriana, do século XVIII a 1975. Lisboa, Sá da Costa.

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