quarta-feira, setembro 13, 2017

TRATADO DO CANTE - Escrito:

“PRECE


 (…)
A terra dói-se. E tu canta, companheiro, a tua estrofe rebelde à nascença de um rio! Não violes as gruas do silêncio, implantadas ao rés das choupanas dos zagais. Acende a tua voz de profeta, ergue novamente a tua mão, cheira, ao longe, o vulto das papoilas, mas canta. Estás no teu país Alentejano, e a tua voz é esforço, é esperança, é sangue, é poesia!”


In: “Alentejo é sangue”, 2ª. edição revista e aumentada, de Antunes da Silva. Capa de Luiz Duran. Livros Unibolso. Pág.s: 173/174.

Antunes da Silva


 Armando Antunes da Silva nasceu no dia 31 de julho de 1921 em Évora e faleceu em 1997 na mesma cidade. Frequentou a Escola Comercial de Évora, abandonando os estudos aos treze anos para trabalhar num escritório. Em 1948, fixa-se em Lisboa onde, a por do trabalho na secção de publicidade e de relações públicas numa empresa industrial, se dedica à escrita. Colaborou em várias publicações, destacando-se a revista Vértice, os jornais O Comércio do Porto, o Diário Popular, o Diário de Notícias, o Diário de Lisboa e O Diabo. A sua obra pertence ao Neo-realismo. Antunes da Silva publicou dois diários. O primeiro tem por título Jornal I – Diário e foi publicado em 1987, reportando-se a registos de 1984 e 1985. O segundo tem por título Jornal II – Diário e foi publicado em 1990, reportando-se a registos de 1986-1990. O autor, a viver na cidade de Évora, vai falando da velhice, tece opiniões sobre o que vai acontecendo na região, em Portugal e no mundo. Descreve a paisagem alentejana em diferentes momentos, fala de literatura, tece reflexões sobre o passado e sobre a sua vida presente. Relata viagens (uma delas aos Açores e outra a Macau). A cada passo, transcreve poemas. O estilo é simples e sem grandes pretensões. Alguns dos seus contos foram traduzidos para checo, alemão e italiano.
Obras: Poesia – Esta Terra é Nossa – Cancioneiro Geral (1952); Canções do Vento – Cancioneiro Geral (1957); Breve Antologia Poética (1991). Prosa – Gaimirra (contos, 1946); Vila Adormecida (contos, 1948); Sam Jacinto (contos, 1950); O Aprendiz de Ladrão (contos, 1954); O Amigo das Tempestades (contos, 1958); Suão (romance, 1960); Terra do Nosso Pão (romance, 1966); Alentejo é Sangue (crónicas e narrativas, 1966); Uma Pinga de Chuva (crónicas e narrativas, 1972); Exilado (contos, 1973); Jornal I – Diário (1987); Jornal II – Diário (1990).

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