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TRATADO DO CANTE - Almanaque:

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TERRAS DE FOGO - Prólogo “(…) Depois carecemos surpreender as eiras na faina ardente do meio-dia …; assistir à abalada dessa gente que, mal a madrugada lampeja, lá vai em coros matinais, caminho das ceifas e apanha de legumes, e vê-la no regresso, à noitinha, transpondo as muralhas do burgo, braços dados, cores garridas, caras morenas e vermelhas bocas a cantar; atentar nas suas festas, bailes, fogueiras de São João, arraiais, romarias com touradas bravas, e esses opulentíssimos certames de movimento e cor, que são as feiras e mercados, onde todos os cambiantes da vida moral e social alentejana denunciam costumes, paisagem, e tudo absorvido do mais pitoresco tradicionalismo. … Passando um dia por esta região, mais ao Sul, notei que havia uns poços empedrados e outros com pesadas tampas de ferro. Não sei bem porquê, mais do que se fossem sepulcros, me impressionaram aqueles poços cerrados… Perguntei o motivo, e entre as razões que me deram avultava a de suicídios – sui...

TRATADO DO CANTE - Escrito:

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“QUANDO O CANTE ERA PROIBIDO (Exercício de escrita e decalque sobre peças do processo de querela que correu termos na Comarca de Almodôvar contra José Caetano da Ponte e outros pelo crime de sedição (revolta) cometido na mesma vila em 26 de Janeiro de 1901) Naquele ano de 1901, a invernia tinha-se instalado penosamente dentro das vidas das gentes do sul. … Nos finais de Janeiro, com a mudança da lua, o céu abriu, a borrasca abrandou e houve anúncios de trabalho, uma boa nova que se repetiu de boca a boca: - “Amanhã, se o dia aclarear bom, os lavradores querem mulheres para a monda”. … Rua fora foram-se juntando mulheres e alguns moços de olhos ainda pregados e corpos entenguidos que iam tentar a sorte de um dia de trabalho. Só lá adiante, já fora da vila, começaram o cante. Tinha de ser assim, porque o Administrador do concelho, António Furtado, andava a ameaçar as experimentações vocais dos mais atrevidos e tinha reforçado o efectivo de guardas da polícia ...

TRATADO DO CANTE - Crónicas:

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O Cante do Ladrão  em Rio de Moinhos, Alcácer do Sal Alcácer do Sal estava como sempre azul e branca, reflectida na água sadia do que nasce na serra do Caldeirão - talvez o mágico dos druidas e dele se evolando! - e a esperança  era anunciada nos campos e nos lugares mais altos por voluptuosas cegonhas, tendo-nos suscitado cantar a moda “Senhora Cegonha” com alguns dos gerontes do Grupo Coral da Damaia “Os Alentejanos” com quem nos cruzámos ali. A paragem nesta cidade tinha por fim confirmar o encontro de cantadores do cante do ladrão e poetas em Rio de Moinhos com o Doutor Lacerda e cumprimentar o senhor Presidente da Câmara. Em Rio de Moinhos, dirigi-mo-nos à Escola onde nos esperava a Professora Catarina Cabaceira e o poeta Ananias, a quem as crianças fizeram uma entrevista  publicada num “Boletim Informativo” com o título: “A História de uma Aldeia”. Ali iniciámos o encontro, pois à medida que os cantadores iam chegando iam-se sentando à volta das mesas em r...

TRATADO DO CANTE - Epígrafes:

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Um dia Alentejo!? quem p'ra ti olhar... “Continua a acreditar que, com o teu sentimento e o teu trabalho, estás a participar em algo maior; quanto mais cultivares esta convicção dentro de ti, mais a realidade e o mundo progredirão a partir dela.” Rainer Maria Rilke (1875/1926)

TRATADO DO CANTE - Escrito:

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"HOJE... CANTO EU! Nas minhas andanças pelas terras do sul, desde muito novo apercebi-me que os meus vizinhos do Alentejo exteriorizavam as suas emoções de maneira diferente daquilo que me era dado ver no meu país algarvio: - A linguagem era muito igual, mas a maneira de cantar as alegrias e tristezas era bastante diferente: se calhar algum especialista mais avisado diria que uns e outros se completam e se calhar ainda se conseguirá uma relação antropológica (será?) entre o “Corridinho” e o “Cante”, não esquecendo as “Saias” que desde cedo ouvia aos sábados à porta do mercado de Olhão.  Muitos anos passaram, e eis que quase sem saber porquê me vejo integrado nesta problemática tão bela como intrigrante, tão controversa como original, que se chama “Cante Alentejano”. Num mundo de curiosos e entendidos como é o nosso aqui à beira-mar plantado, é muito fácil falar de tudo sem saber de nada: aí eu não alinho, confesso-me ignorante nesta matéria, mas peço licença para...

TRATADO DO CANTE - Provas de Cante:

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2013 05 18 Festival Islâmico de Mértola Oficina de Cante:

TRATADO DO CANTE - Diáspora:

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Da Planície à Ilha, da Ilha à Planície Eram cinco horas e vinte minutos da manhã do dia 9 de Julho de 1998. Maria e José acordam sacudidos por um violento abalo de terra. - Não te assustes, meu amor! De vez em quando a ilha estremece. Deve ser Vulcano novamente irado. - tentava ela explicar a José o que frequentemente acontecia numa ilha vulcânica, criada na confluência das placas euro-asiática, norte-americana e africana. José não deu sinais de susto, tivesse embora achado estranho aquele abalo. Mais intenso devia ser do que aquele que, há 29 anos, apavorara, também de madrugada, toda a população em Évora. Com o sangue da juventude nas guelras, José não dera por nada. Ficaram-se os dois em silêncio de mãos dadas, na expectativa do que iria acontecer. No vazio da escuridão, a Natureza mantinha-se calma em sintonia com eles. O pasmo que experienciavam sugeria o estado em que a alma vestida de branco se prepara para uma iniciação. José pensava no dia em que, at...

TRATADO DO CANTE - Almanaque:

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MINHA MÃE AMASSA O PÃO "(...) Minha mãe amassa os passos De quem passa à nossa rua – Corta-se o pão em pedaços, E o rumor lá continua. Ó pão feito com medronho, Fermento de embriaguez, Nesta quadra aqui te ponho, Pra levedar outra vez. ( Mãe, integraste o negrume Que atrás de nós se arrasta – Esse carvão virou lume, Minha alma ficou mais vasta. ) (...)" de António Simões

TRATADO DO CANTE - Referências:

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ARTISTA PLÁSTICO DO CONGRESSO DO CANTE ALENTEJANO REALIZADO EM BEJA EM 8 E 9 DE NOVEMBRO DE 1997: ANTÓNIO GALVÃO   Nasceu em Moura, 1945.  Está representado em diversas colecções nacionais e estrangeiras.  (…) “... Em António Galvão a primeira pincelada de cor que lança na tela é um espaço branco de esperança, o encontro do seu coração em ardências frescas e mutações azuis... A gala de amar a sua Moura ... Esta preocupação é um caso impar na pintura portuguesa.” Artur Bual                   “... António Galvão é um poeta que, justamente por ser poeta e alquimista, não se limita ao inventário, à recenção ou ao testemunho do real, mas sim e principalmente à criação ou recriação que não sendo cópia nem retrato do real, é, por isso mesmo, a sua mais exacta (e bela) imagem. Traduzido para o papel ou para a tela, o Alentejo (e não só) é, na interpretação d...

TRATADO DO CANTE - Almanaque:

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“Pode lá deixar de ser belo um entardecer de Outono, quando o tom ocre dos restolhos é já cinzento e o verde das azinheiras e silvados se dilui também nessa meia-tinta, nesse tom incerto que não sendo azul não é cinzento, por cima do qual o céu se mostra ainda em fogo, enquanto ao longe, do “monte” perdido entre os montados de azinho, vem uma voz que entoa uma canção dolente, o “cante” alentejano, hino que louva e chora o sol que morre...” Transcrito de um jornal militar da então portuguesa Guiné-Bissau: In: Boletim do Cante Alentejano , nº. 0. Agosto de 1997.

TRATADO DO CANTE - Votos:

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O Cante, expressão monumental do Ser Alentejano. Al-Zéi AO CANTE DOS CEIFEIROS DE CUBA (75º Aniversário) Declaração de votos (75): a. (…) Em linha, à borda do trigo, distanciados seis metros uns dos outros, começaram a terrível faina da ceifa (…) [1]   01. que com nobreza de carácter dignifiquemos os Ceifeiros; 02. que o seu exemplo por demais vivido seja reposto demasiadamente; 03. que conste do nascer ao pôr do sol no eterno da nossa alma; 04. que no pão que comemos os entendamos; 05. que da sua árdua tarefa nos eleve ao silêncio melancólico do seu sentir; 06. que vá bem longe o seu relato; 07. que respeitosamente os admiremos; b. “(...) - Vai chamar os Homens da ceifa. (...) Os Ceifeiros pareciam estar sozinhos; faziam um círculo (...) e iam desfiando quadras(...) A toada foi ecoando (...)” [2] 08. que ao romper da bela aurora se padeça; 09. que de ai solidão, solidão , nos confundamos; 10. que na barrinha do meu lenço nos apostemos; 11...